4 estratégias eficazes para lidar com o mau humor do seu parceiro

O mau humor, da mesma forma que qualquer outro estado de humor, é contagioso. Porém, se é o nosso parceiro ou uma pessoa muito próxima de nós que está de mau humor de forma quase constante, o que podemos fazer a respeito?
4 estratégias eficazes para lidar com o mau humor do seu parceiro

Última atualização: 13 março, 2022

Quando nos conectamos emocionalmente com outra pessoa, estamos assumindo um desafio. Afinal, é dessa relação que obtemos não apenas afeto, validação e apoio, mas inevitavelmente também assumimos, de alguma forma, o risco de sermos prejudicados pelos seus sentimentos, atos ou palavras. Quando é um amigo ou familiar que não está no seu melhor momento, geralmente conseguimos fazer companhia e ouvir sem nos deixarmos levar pelas suas emoções. No entanto, lidar com o mau humor de um parceiro não é tão fácil assim.

Quando nosso parceiro ou parceira sentimental está irritado, zangado ou sensível, despertam-se em nós reações intensas e incontroláveis. Afinal, essa é a pessoa com quem passamos a maior parte do nosso tempo e a grande proximidade emocional entre ambos pode nos levar a deixar de manter uma visão clara. Por isso, queremos mostrar algumas estratégias que vão te ajudar a lidar com esses momentos da melhor forma.

Como o mau-humor do seu parceiro te afeta?

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso, mas provavelmente o estado de humor do seu parceiro tem uma grande influência sobre o seu. As reações de cada um diante dessas circunstâncias dependem da bagagem emocional que nos acompanha, mas é comum que ocorram principalmente as seguintes situações.

O humor é contagioso

Os estados de humor são contagiosos e os seres humanos tendem a imitar as emoções presentes no ambiente. Assim, compartilhar o tempo com uma pessoa frustrada, zangada ou apática certamente nos levará a experimentar essas mesmas emoções.

Dessa forma, não importa o quanto o seu dia tenha sido bom ou quanto entusiasmo ou energia você tinha antes de encontrar o seu parceiro, pois a presença dele transforma totalmente esses estados. E isso não só afeta o seu bem-estar, como também geralmente leva a conflitos e discussões entre o casal que só pioram a situação.

Cria-se um grande desconforto

Esta é outra das realidades mais frequentes e da qual nem sempre temos consciência, já que a maioria de nós não suporta contemplar o mau humor de alguém. Isso nos causa um grande desconforto, pois não sabemos como reagir e apenas sentimos um forte desejo de que esse estado emocional mude para algo positivo, não só porque buscamos o bem do outro, mas também para nos livrarmos dessa sensação incômoda que isso nos transmite.

Esta não é uma questão de egoísmo, mas sim uma reação muito natural, já que normalmente ninguém nos ensina a lidar com a tristeza ou a raiva e aceitá-las.

Você se sente responsável

Embora não haja base lógica ou racional para isso, muitas pessoas não conseguem deixar de sentir que são responsáveis pelo mau humor do parceiro. Não importa se sabemos perfeitamente qual é o porquê da sua raiva e que isso nada tem a ver conosco. Também não importa quantas vezes ele nos repita que não temos nada a ver com o assunto. De alguma forma, acabamos pensando que temos algo a ver, acreditando que somos a causa da sua irritabilidade ou pelo menos culpados por não conseguir aliviá-la.

Como lidar com o mau humor do seu parceiro?

O fato de que as reações acima sejam as mais comuns não significa que não possamos fazer nada a respeito. Na verdade, podemos trabalhar para dar um melhor suporte para o outro enquanto protegemos e cuidamos das nossas próprias emoções. Para isso, incentivamos que você coloque em prática as seguintes estratégias.

1. Tome as rédeas

É essencial ter consciência de que os seus estados emocionais não podem depender de outra pessoa, porque assim eles não serão mais seus.

É muito fácil deixar a raiva do outro dominar o nosso estado emocional, mas é preciso se dar um espaço para refletir e racionalizar: O que está acontecendo comigo? Eu realmente tenho motivos para me sentir irritado ou sensível ou será que estou simplesmente imitando o outro?

Assim, ao detectar esse padrão, tente pará-lo e substituí-lo. Observe e preste atenção aos seus pensamentos automáticos, ao seu diálogo interno, pois é essa interpretação que te levará a se sentir de uma forma ou de outra.

Portanto, se você pensar “eu não tenho culpa pelo que acontece com ele, então ele não deveria falar assim comigo ou ficar com essa cara enquanto jantamos”, a sua raiva inevitavelmente aumentará. Pelo contrário, se você refletir: “é compreensível que eu me sinta suscetível, mas não se trata de algo pessoal contra mim”, você conseguirá manter melhor o seu equilíbrio.

2. Valide as emoções do seu parceiro

Nesse momento, temos que fazer um exercício de empatia e pensar no que o outro precisa e não no que nós precisamos. O nosso principal impulso será, conforme já dissemos, o de tentar eliminar esse mau humor. E, para isso, tentaremos oferecer soluções, minimizar o problema ou mudar de assunto. Mas, na verdade, isso só agrava a situação e faz com que o parceiro se sinta incompreendido, pois a única coisa de que ele precisa é de uma escuta compassiva.

Assim, tente resistir à  tentação de solucionar a vida do outro ou de dizer como ele deveria ter agido. Em vez disso, apenas escute, conecte-se e ofereça um espaço seguro onde o outro possa se expressar livremente, sem medo de ser julgado ou interrompido.

3. Pratique a empatia

ecpatia é um conceito complementar à empatia que é essencial para evitar que sejamos sobrecarregados pelas emoções dos outros. Se quisermos ajudar, mas, ao mesmo tempo, evitar que o estado de humor do outro acabe nos prejudicando, devemos aprender a manter uma certa distância. Isso não significa abandonar a outra pessoa ou deixá-la sozinha com seus problemas, mas sim priorizar a nossa saúde mental e não nos deixar levar.

Para isso, escute o seu parceiro, mas tenha em mente que pode haver outros pontos de vista e outras interpretações para o seu relato. Portanto, tente permanecer relaxado e neutro e também se lembre de que não é seu papel regular as emoções do outro ou resolver os seus problemas.

Sem dúvida, isso é algo simples de dizer, mas difícil de praticar. Especialmente se você for uma pessoa muito empática, isso pode exigir um bom trabalho consciente da sua parte. Manter uma respiração profunda e completa pode te ajudar, bem como buscar pequenos momentos e espaços de solidão para conseguir se regular depois de interagir com o outro.

4. Procure ajuda profissional

A maioria das pessoas só precisa lidar com o mau humor do parceiro em momentos esporádicos. Ainda assim, é conveniente implementar as estratégias anteriores para evitar censuras, conflitos e maior desconforto. No entanto, outros enfrentam essa realidade quase diariamente.

A raiva e a frustração podem se instalar na vida de uma pessoa com relativa facilidade se ela não tiver aprendido a regular as próprias emoções. Além disso, às vezes, essa raiva aparente também pode esconder uma depressão. Nesses casos, procurar ajuda profissional é fundamental.

Talvez o seu parceiro não tenha percebido que o mau humor dele se tornou quase constante. Assim, uma conversa honesta e assertiva pode ajudá-lo a se conscientizar e a tomar a decisão de buscar ajuda. No entanto, também é possível que ele se negue totalmente e minimize essa irritabilidade. Nesse caso, talvez você deva procurar orientação profissional para saber como lidar com esse ambiente emocional hostil.

Apesar disso, em alguns casos, pode ser que a opção mais saudável para você e para preservar o seu bem-estar seja se distanciar dessa pessoa e encerrar o vínculo. Sem dúvida, os membros de um casal precisam ouvir, apoiar e acompanhar um ao outro. Porém, se o estado emocional de um deles começar a afetar a saúde mental do outro e, mesmo assim, ele não quiser agir a respeito, é importante se proteger.

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