A psicologia por trás do sexo casual

O que há por trás do sexo casual? O que homens e mulheres pensam a esse respeito? Será que os últimos estudos, falariam de uma evolução? Neste artigo, vamos responder a essas e outras perguntas relacionadas ao tema.
A psicologia por trás do sexo casual

Última atualização: 14 abril, 2022

Há tantas maneiras de se relacionar quanto há pessoas no mundo, seja fisicamente, emocionalmente ou sexualmente. Uma dessas formas é o sexo casual, uma espécie de vínculo temporário com alguém com o qual compartilhamos momentos esporádicos de sexo.

Mas o que há por trás do sexo casual? O que se valoriza ao “escolher” um parceiro para um encontro sexual pontual ou casual? Neste artigo, refletiremos sobre tudo isso a partir das descobertas de um estudo no qual também se aborda a psicologia por trás dos relacionamentos de curto e longo prazo.

Sexo casual e outros tipos de relacionamento: o que se valoriza em cada caso

March e seus colegas tentaram explorar a natureza das relações sexuais casuais, comparando-as aos relacionamentos de curto e longo prazo. Para o estudo, pediram a cerca de 500 pessoas que respondessem a um questionário.

Casal ficando íntimo na cama

Participantes e o que foi avaliado

De que perfil de participante estamos falando? Cerca de metade deles eram estudantes universitários, enquanto o restante já estava trabalhando. Olhando para os resultados, cerca de metade dos homens e mulheres relataram que tiveram algum tipo de experiência de sexo casual.

No estudo, também se solicitou que os participantes relatassem as características pessoais que considerariam necessárias para querer se envolver em um dos três tipos de relacionamento: longo prazo, curto prazo e sexo casual. Assim, eles foram convidados a avaliar as seguintes variáveis:

  • O nível desejado de atratividade do parceiro.
  • Gentileza.
  • Nível social.

Geralmente, você poderia pensar que muitos de nós queremos que o nosso parceiro sexual seja atraente, gentil e rico. No entanto, a realidade nem sempre é assim, e existem tantas realidades quanto pessoas no mundo. Assim, o que se fez no estudo foi dar aos entrevistados uma certa quantidade de dólares para encontrar um parceiro, que eles tinham que distribuir entre as três características.

Os pesquisadores interpretaram que dar muitos dólares para uma característica seria um indicador de uma necessidade. Enquanto isso, dar poucos dólares mostraria um “capricho” ou algo que é desejável, mas que não é uma necessidade em si (ou seja, algo essencial).

Resultados da pesquisa: o que se valoriza?

Os resultados do estudo apontaram para conclusões muito interessantes, que mostraremos a seguir. No que diz respeito ao sexo casual, tanto homens quanto mulheres avaliam a atratividade do parceiro como uma necessidade, acrescentando que veem essas pessoas em suas vidas mais como relacionamentos de curto do que de longo prazo.

Homens vs. mulheres: diferenças

Como dados interessantes do estudo, os pesquisadores constataram que apenas as mulheres avaliaram a gentileza do outro como uma característica também necessária para que ocorresse o sexo casual. Dessa forma, as mulheres vivenciariam as relações de sexo casual de maneira semelhante às relações de maior compromisso ou de longo prazo (algo que não acontece no caso dos homens).

Esses dados apoiariam a ideia de que esse tipo de relação de sexo casual, pelo menos para as mulheres, poderiam ser vivenciadas como relações exploratórias em termos sexuais, mas com a possibilidade de acabar se tornando uma relação de longo prazo.

No caso dos homens, no entanto, eles tendem a considerar as relações de sexo casual mais como uma espécie de aventura de uma noite, avaliando assim a possibilidade de um compromisso mais profundo de longo prazo como algo remoto. Outros dados: os participantes do sexo masculino que relataram ter vivenciado o sexo casual foram questionados se esse tipo de relação havia levado a um relacionamento amoroso, e a maioria respondeu que não. As entrevistadas do sexo feminino, ao contrário, responderam que sim.

Relacionamentos de curto prazo: o que se valoriza?

Para parceiros de curto prazo (tanto homens quanto mulheres), a atratividade foi avaliada como uma necessidade (algo imprescindível para eles). Porém, essas mesmas pessoas consideraram a gentileza e o nível social como um luxo ou “capricho”.

Essa descoberta é consistente com os resultados de grande parte da pesquisa atual sobre as relações de curto prazo e e de sexo casual, que são de natureza estritamente sexual, sem quaisquer outros componentes sociais ou emocionais.

Casal dando as mãos na cama

Relacionamentos de longo prazo: o que se valoriza?

Por sua vez, ao avaliar possíveis parceiros de longo prazo, verificou-se que os homens ainda consideravam a atratividade como uma necessidade, mas as mulheres a viam como um elemento que agregaria, mas que não seria essencial. Por outro lado, tanto homens quanto mulheres classificaram a gentileza e o nível social da mesma forma.

Esses resultados, no entanto, não replicam exatamente as descobertas anteriores, que geralmente mostram que os homens avaliam a atratividade como algo mais importante e que as mulheres valorizam o nível social acima da atratividade. Essa diferença poderia ser reflexo das mudanças em uma sociedade na qual as mulheres são mais independentes financeiramente.

As diferenças individuais são importantes

A psicologia por trás do sexo casual ainda continuará sendo um tópico interessante, que certamente levará a mais pesquisas no futuro. Por enquanto, o que fica claro é que estamos falando de um tipo de “relacionamento” onde as diferenças individuais são importantes.
Afinal, cada pessoa escolhe de acordo com as suas preferências e necessidades, bem como o que considera “essencial” para um relacionamento ou encontro sexual, seja em relacionamentos de curta duração ou em relacionamentos mais consolidados. E também no sexo casual!


    • Soriano-Ayala, E. y García-Serrán, H. (2019). Amigos con beneficios vs. sexo casual: definiendo sus comportamientos sexuales, amor, celos y creencias románticas, Universitas Psychologica, 18(2).

    • Vizzuetth, A., García, M., & Guzmán, R. (2010). Expectativas sobre la relación de amigovios, freefly novios en jóvenes adultos. En A. S. Rivera, R. Díaz-Loving, A. R. Sánchez, I. Reyes-Lagunes & L. Cruz Martínez (Eds.), La psicología social en México (pp. 223-230). Mexico: AMEPSO.