As 12 Leis do Karma

Karma é uma palavra que usamos cotidianamente, mas talvez não entendamos totalmente seu significado, origem e as 12 leis que o compõem.
As 12 Leis do Karma
Raquel Aldana

Escrito e verificado por o psicólogo Raquel Aldana.

Última atualização: 02 janeiro, 2022

Dentro de tradições religiosas como o budismo e o hinduísmo, o karma é entendido como um princípio universal de justiça e equilíbrio, no qual todas as ações têm uma consequência equivalente. De acordo com a tradição budista, o karma não provém da existência de um deus que julga e pune as ações, mas, ao contrário, de uma força cósmica que sempre tende à compensação e à harmonia.

Desta forma o karma é o juiz das nossas ações, é a energia transcendente e invisível que deriva dos nossos comportamentos e acumula consequências e dívidas de acordo com eles. As leis do karma essencialmente nos dizem que as forças que colocamos em movimento há dez minutos ou há dez vidas irão retornar para nós.

Intimamente ligado às próximas reencarnações e seguindo os princípios do hinduísmo, o karma se torna a energia usada para limpar a alma até atingir a perfeição. Assim, enquanto o karma simboliza a responsabilidade e retribuição pelas nossas ações, a reencarnação nos oferece a oportunidade de continuar evoluindo.

De acordo com essa filosofia nós temos a liberdade de nos comportar da maneira que quisermos desde a primeira encarnação e, consequentemente, iremos acumular essa energia. A criação de um karma bom ou mau e intencional ou não intencional ditará o que teremos que enfrentar e resolver na vida. O nosso primeiro objetivo é aprender, por meio da experiência, a sermos pessoas melhores.

Assim, no karma não há lugar para o acaso. A seguir nos aprofundaremos nas leis do karma, que ditarão como responderemos pelas nossas ações, pensamentos e sentimentos.

“Existe uma máxima que deveria ser a base das atitudes de alguém ao longo da vida? Certamente é a máxima da compaixão: não faça aos outros o que você não quer que eles façam com você”.

-Confúcio –

1. A grande lei do karma ou a lei de causa e efeito:

Crescemos com essa lei muito presente em nosso entorno, embora não saibamos. Segundo ela, o que a gente semeia é o que a gente colhe. O que colocamos no Universo é o que volta para nós. A energia negativa enviada aos outros voltará para nós, 10 vezes mais poderosa. O karma é o juiz das nossas ações que nos ajuda a refletir sobre o nosso sofrimento.

Assim, e deixando de lado esta abordagem espiritual, este princípio tem uma grande correspondência psicológica. Pensemos por exemplo em certas dinâmicas comportamentais. Naqueles pais autoritários, mães controladoras ou amigos que traem ou espalham boatos. O efeito de todos esses atos é evidente em muitos casos: o distanciamento, a necessidade de deixar de lado essa figura que em um dado momento nos trouxe apenas sofrimento e infelicidade.

Reflitamos, portanto, sobre esta correspondência. Na causalidade entre as nossas ações e as consequências delas.

Mão tocando a luz do arco-íris.

2. Lei da criação

A vida exige que participemos dela. Somos um universo por dentro e por fora, somos parte da corrente de nascimento da natureza e nossas vidas se reproduzem como o resto dos ciclos naturais. O que nos rodeia nos dá pistas sobre o nosso estado interior. Crie as opções que você deseja ter na sua vida.

De acordo com o budismo cada um de nós é totalmente responsável pelo que faz. As leis do karma nos ensinam que temos liberdade suficiente para sermos capazes de criar a realidade que desejamos. No entanto, no futuro seremos julgados de acordo com as escolhas que fizemos

3. Lei da humildade

O que você se recusa a aceitar continuará a acontecer com você. Este princípio tão conhecido das leis do karma é algo que vemos muito frequentemente em nossa vida diária. Todos nós temos certas realidades internas que não queremos ver. Em nós habita o egoísmo, o apego excessivo aos bens materiais ou mesmo a nossa dependência absoluta em relação a certas pessoas.

Ser humilde é ser capaz de ver a realidade mesmo sem gostar dela. Envolve olhar para dentro para ver todas as nossas mágoas, falhas e fraquezas. Somente aqueles que podem ver a si mesmos com autenticidade são capazes de realizar uma mudança. E essa evolução, essa conquista, deve partir da lei da humildade.

4. Lei do crescimento

Onde quer que você vá, você sempre estará lá. Para crescer com autenticidade, somos nós que devemos mudar e não as pessoas, lugares ou coisas que nos rodeiam. Mas cumprir esse princípio básico exige muito esforço. A razão? Nossa sociedade não nos educou de acordo com a lei do crescimento. Somos obcecados em olhar para fora, em desejar o que não temos, em invejar o que o outro tem. Somos entidades passivas que esperam que os outros mudem para se ajustar às nossas necessidades.

Apenas teremos controle sobre nós mesmos quando formos capazes de crescer por dentro. Deixando o contexto de lado, aceitando os que estão ao nosso redor pelo que eles são e não pelo que gostaríamos que eles fossem. Se tentarmos fazer mudanças no nosso próprio ser, a nossa vida também mudará. E isso deve ser feito com cuidado para resultar em benefícios cármicos.

5. Lei da responsabilidade

Você assume a responsabilidade por cada uma das suas ações? A sua felicidade depende do que você faz, diz ou não diz, seus silêncios, sua presença ou ausência. Você é responsável pelas suas escolhas, erros e sucessos. De acordo com as leis do karma, tudo o que nos acontece é um reflexo do nosso próprio interior.

Fica claro, no entanto, que existem coisas que estão além do nosso controle. Quando menos esperamos vem a adversidade. No entanto, nesses casos o que conta é a sua atitude em relação a esses acontecimentos. O modo como você responde também determinará o efeito. Então faça isso, seja responsável por você mesmo: suas palavras, ações e reações.

Mulher olhando para o horizonte.

6. Lei da conexão

O universo está presente nas pequenas coisas. Nos fatos casuais, em cada encontro, cada ato, decisão, escolha pessoal. Todas essas dinâmicas estão conectadas de acordo com as leis do karma. Porque tudo o que existe é definido como uma pulseira de contas. Se uma pérola se mover ela moverá as seguintes, e se uma se desprender o mesmo acontecerá com as outras.

Desta forma, cada passo que damos é resultado do nosso passado. As nossas decisões no presente afetam as do futuro. Nada fica livre, nenhum vínculo é perdido em nossa existência… Sermos capazes de perceber a lei da conexão permitirá que nós sejamos mais consistentes (e prudentes) em cada uma das nossas decisões.

Nem a primeira nem a última etapa são mais ou menos importantes porque ambas são necessárias para realizar a tarefa. As leis do karma nos lembram que estamos todos conectados ao passado, presente e futuro.

7. Lei do foco

Você não pode pensar em duas coisas ao mesmo tempo. É preciso avançar passo a passo, pouco a pouco. Quando perdemos o norte em nossa bússola, despertamos para a insegurança e a raiva. Sejamos realistas, este é também outro dos nossos assuntos pendentes. O próprio Daniel Goleman nos lembra a importância de treinar a atenção como se ela fosse um músculo.

A nossa realidade está cheia de mistérios, oportunidades e recantos onde encontramos a felicidade. Somente aqueles que estão atentos de mente e coração se conectarão com o que o universo tem reservado para eles. Já aqueles que olham para o mundo apenas através da carência, materialismo e desejo de posse, raramente compreenderão o mistério da casualidade. A magia da vida.

Focar é olhar o mundo com o coração. Ajustar o olhar para o que nos rodeia é nos conectar à realidade com sabedoria.

Homem em uma escada tocando a lua.

8. Lei do dar e da hospitalidade

Quem é capaz de dar aos outros o que é seu, também oferece parte da própria energia: torna o nosso universo mais amplo e receptivo. Oferecer e acolher são dois princípios vitais da humanidade, que nos tornam grandes e nobres. Porque estes dois atos se realizam através da humildade e com uma abordagem despida de egoísmos, na qual podemos acolher o outro como parte de nós mesmos.

De acordo com as leis do karma essa energia também retorna para nós. Quem ampara, acolhe e é capaz de dar no final também recebe. Mais cedo ou mais tarde esse ato de nobreza nos recompensará como merecemos.

9. Lei do aqui e agora

Olhar para trás e viver ancorado no passado é o que nos impede de aproveitar o presente. Devemos aprender a nos concentrar no que está acontecendo neste instante, no aqui e agora. Mas como conseguir isso? Somos uma sociedade ocupada e hiperconectada. Estamos sujeitos múltiplos estímulos e o presente se desfaz no horizonte perante tantas pressões, informações e ansiedades.

Nesse ponto também é necessário aplicar a lei do enfoque; ela nos ensina práticas muito boas como a atenção plena. Apenas quando aprendemos a treinar a nossa atenção para o momento presente podemos valorizar melhor cada instante e estar atentos a tudo o que acontece.

10. Lei da mudança

A história se repete até que aprendamos as lições necessárias para mudar o nosso caminho. Isso é o que nos diz uma das leis mais importantes do karma. No entanto a questão é, sem dúvida, a seguinte: como saber se estamos no caminho certo? Como podemos intuir que não estamos cometendo os mesmos erros do passado?

A lei da mudança também é a lei da responsabilidade. Cada passo que damos, cada escolha deve ser feita a partir da bondade e da humildade. Sem ferir os outros, sem ir contra as nossas necessidades e essência. Isso é realizado a partir do autoconhecimento. Porque somente quando formos capazes de nos compreender é que colocaremos em movimento as mudanças que construirão nosso verdadeiro destino.

11. Lei da paciência e recompensa

As leis do karma nos lembram que todas as recompensas exigem um esforço inicial. Nada acontece sem um motivo, apenas porque o destino ou a sorte assim o desejam. Assim, e embora às vezes essas coincidências mágicas possam acontecer, os eventos respondem a uma causa inicial. Somos os arquitetos do nosso presente, somos nós os responsáveis por construir o nosso futuro. Algo assim implica esforço, vontade e determinação.

A maior gratificação é aquela que finalmente chega depois de combinar paciência e persistência.

Mulher com os olhos fechados e a cabeça baixa.

12. Lei da importância e inspiração

O valor de algo é resultado direto da energia e intenção que colocamos. Cada contribuição pessoal é também uma contribuição à totalidade. As contribuições medíocres não têm impacto no todo, são tão comuns que se anulam. Devemos, portanto, ser capazes de nos envolver em tudo o que fazemos, para sentirmos uma inspiração que crie grandes sonhos e os torne realidade mais cedo ou mais tarde.

Se dermos importância a cada objetivo proposto e investirmos os nossos melhores recursos pessoais nesse propósito, a mágica acontecerá. O destino se tornará realidade.

Quer você acredite na filosofia cármica ou não, a verdade é que às vezes parece que a única coisa de que podemos ter certeza é que a primavera ou o inverno voltarão, mas, na verdade, como disse Voltaire, “não é mais surpreendente nascer duas vezes que uma; porque tudo na natureza é ressurreição”.

As leis do karma são lições de vida que nos ajudam a ser pessoas melhores.

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Para o budismo, a limpeza do karma tem a ver com assumir suas atitudes e realizar ações para compensar os erros e equívocos do passado.

Imagem cortesia de vsanandhakrishna