Às vezes, agarrar é mais prejudicial do que soltar

Às vezes, agarrar é mais prejudicial do que soltar

3, abril 2016 em Psicologia 1842 Compartilhados
Às vezes, agarrar é mais prejudicial do que soltar

Comece a refletir e faça a si mesmo a seguinte pergunta: Você acha que existe algo na sua vida responsável pela sua felicidade e sem o qual você não poderia funcionar? Também pode reformulá-la de outra forma: Existe algo que eu acho que preciso e que devo conseguir, senão a minha vida não fará sentido?

Se você respondeu afirmativamente, provavelmente esteja sendo escravo do apego. Quando sofremos de apego, acreditamos de forma irrealista que o vínculo que criamos com essa pessoa ou coisa em particular nos dará três coisas que o ser humano sempre buscou e pretendeu conseguir: uma dela é a felicidade, essa sensação de bem-estar e prazer tão esperada, mas que não sabemos bem de onde vem.

Quando estamos obcecados por algo ou alguém, pensamos erroneamente que a felicidade que sentimos é graças a ela, a essa coisa que está no nosso exterior, em vez de pensarmos que nasce de nós mesmos, do fato de apreciarmos ou não as coisas que temos, do fato de reclamarmos em menor ou maior intensidade sobre o que falta na nossa vida e de como lidamos com o que dizemos a nós mesmos.
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Por outro lado, quando estamos apegados, pensamos que temos total segurança. É como se esse objeto de apego nos protegesse de catástrofes mentais como a sociedade, a segurança econômica ou uma vida confortável.

Podemos observar isto em muitas relações nocivas nas quais um dos parceiros é dependente do outro, embora tudo seja um tormento e o amor brilhe pela sua ausência. A pessoa apegada continua nesse relacionamento por causa do seu medo irracional de ficar sozinho no mundo. Ela criou uma catástrofe que a bloqueia e impede de tomar uma decisão conforme a lógica e o seu próprio bem-estar.

Além da felicidade e da segurança, quando nos agarramos a algo pensamos que a nossa vida tem sentido graças a isso e ao que estamos nos agarrando, e que se alguma vez o perdêssemos, a vida deixaria de ser prazerosa, perderíamos o rumo e os sonhos.

Mulher com coração dentro de gaiola

É claro que isso não passa de fantasias que nós seres humanos criamos nas nossas mentes e que nos fazem sofrer de maneira exagerada. Agarrar-se a algo ou a alguém gera muita dor, além de angústias e preocupações. Se nós ficarmos obcecados, estaremos sempre ansiosos devido à possibilidade de perder aquilo que custou tanto conseguir e que acreditamos que dá sentido à nossa existência.
“Nossos problemas existem devido a um apego apaixonado às coisas e a desejos que nunca se satisfazem por completo, então geram ainda mais angústia. Nós percebemos as coisas como entidades permanentes. No esforço de conseguir estes objetos do nosso desejo, empregamos a agressão e a competição como ferramentas supostamente eficazes, e nos destruímos cada vez mais no processo.”
-Dalai Lama-

Além disso, se algum dia perdêssemos essa coisa ou essa pessoa, cairíamos em uma depressão profunda, pois como tínhamos acreditado que a nossa fonte de bem-estar e felicidade era essa pessoa, objeto ou ideia, já não haverá nada que nos faça sentir assim de novo e vamos ser muito infelizes.

Como saber se eu sofro de apego?

Estar apegado a algo ou alguém pode passar despercebido, uma vez que temos uma grande habilidade de enganar a nós mesmos. Aprenda a reconhecer alguns dos sinais que indicam se você está se agarrando demais:

  • Se você perceber que está obcecado: você está sofrendo de apego emocional se perceber que seus desejos se tornaram necessidades absolutas, que você já não se sente satisfeito, e precisa de cada vez mais para estar bem. Você já não prefere ou quer, mas sim necessita estar muito próximo a essa fonte de felicidade para poder funcionar adequadamente na vida. É algo parecido ao que ocorre com as drogas, o viciado precisa de uma dose cada vez mais alta para poder sentir o mesmo prazer que sentia no início.
  • Falta de autocontrole: as pessoas que estão agarradas a algo não são capazes de regular o seu próprio comportamento e realizam atos compulsivos, viscerais, sem um raciocínio lógico. É como se a pessoa estivesse fora de si e tivesse se convertido em um escravo do exterior. Ela deixa de ser dona da própria vida e passa a ser um dependente do seu objeto de apego.
  • Sofrimento exagerado se isso a que estou apegado não está por perto: o nosso organismo prepara um coquetel emocional muito poderoso, semelhante à síndrome de abstinência, por não ter o objeto de desejo ao lado.
  • Manter o vínculo obsessivo ainda que nos faça mal: se você sabe que isso está te fazendo sofrer e continua nessa mesma situação sem encontrar forças suficientes para se desprender, você está agarrado e acredita que não pode viver fora daí… Você acredita equivocadamente que a vida será ainda pior se sair dessa situação, mas a verdade é que é essa situação que não deixa você ver tudo o que a vida tem para oferecer. Você está com os olhos vendados e não é capaz de ver mais além.

Aprender a soltar

Mulher com um pássaro no ombro

Para crescer emocionalmente e nos sentirmos pessoas mais fortes, livres e independentes, temos que praticar a filosofia do desapego ou do desprendimento. Não quer dizer que você tenha que tirar da sua vida tudo o que você gosta ou gera prazer, mas sim tudo aquilo com o que está obcecado, aquilo que você acredita precisar para ser feliz e sem o qual não pode funcionar corretamente.

Trata-se de não ser escravo de nada nem de ninguém, mas sim de ser o nosso próprio amo, o dono da nossa vida. Para isso você tem que praticar alguns passos:

  • Troque o “preciso” pelo “desejo” ou “prefiro”.
  • Tenha consciência de que não somos donos de nada nem de ninguém, e que portanto nada nos pertence, mas podemos desfrutar do que temos no momento presente.
  • Apaixone-se e sonhe, mas sem sofrer pela pessoa, já que realmente não “precisamos dela”.
  • Pratique o desapego na sua vida cotidiana: desfaça-se daquilo que já não usa, corte radicalmente o contato com essa pessoa que te faz mal… seja corajoso!

E lembre-se… às vezes, agarrar é mais prejudicial do que soltar!

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