Quais são as consequências da automedicação com psicofármacos?

Muitos de nós recorremos à automedicação no dia a dia. O consumo de analgésicos ou anti-inflamatórios como o ibuprofeno é, sem dúvida, o mais comum. No entanto, a automedicação com psicofármacos é uma prática muito perigosa.
Quais são as consequências da automedicação com psicofármacos?

Última atualização: 22 Junho, 2021

A automedicação com psicofármacos é cada vez mais comum. Apesar de todos esses medicamentos serem vendidos apenas com receita médica, muitas pessoas recorrem a outras vias para ter acesso a esse recurso e, assim, aliviar seu desconforto, melhorar o sono noturno ou acalmar aquela ansiedade que dificulta o funcionamento do dia a dia.

O uso e abuso de ansiolíticos é, sem dúvida, o principal problema quando falamos em automedicação. Optar por esta via sem a prescrição de um profissional e sem o apoio psicológico adequado resulta, sem dúvida, em um efeito boomerang com consequências bastante lamentáveis.  Embora seja verdade que inicialmente possa gerar alívio, aos poucos a pessoa precisará de doses maiores para obter o mesmo efeito.

Quase sem perceber, ela acaba desenvolvendo um vício grave.  Além disso, em muitos casos esses psicofármacos podem interagir com outros medicamentos tomados, aumentando o risco de ataques cardíacos e até de morte.

Portanto, não estamos diante de uma questão sem importância, visto que, como indicam os estudos clínicos, a prática da automedicação com psicofármacos é especialmente comum na população mais jovem. Vamos ver mais informações sobre esse assunto.

A automedicação para tratar a ansiedade, a depressão ou a insônia está aumentando entre os mais jovens.  Em muitos casos, eles combinam esses fármacos com álcool, uma prática com graves consequências para a saúde.

Mulher tomando comprimido

O que é a automedicação com psicofármacos?

Chamamos de automedicação o uso e consumo de medicamentos sem prescrição médica. De certa forma, essa prática é bastante comum. De fato, muitos de nós a praticamos quando recorremos, por exemplo, àquele analgésico para aliviar uma dor de cabeça pontual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a automedicação é uma realidade cada vez mais recorrente que deve ser enfrentada por meio de uma adequada educação em saúde. Embora seja verdade que, às vezes, recorrer àquele comprimido para a dor de cabeça evita o colapso das consultas médicas, outras vezes nos encontramos diante de um abuso de certas drogas de maior relevância médica.

Estas são as mais comuns:

  • Antibióticos. Devemos lembrar que o uso indevido de antibióticos resulta em falta de eficácia ou resistência quando realmente precisamos deles.
  • Analgésicos opioides, desenvolvidos para inibir os impulsos de dor. Alguns exemplos são a codeína, o tramadol, a morfina e a metadona.
  • Psicofármacos. Esse tipo de medicamento é usado no tratamento de transtornos psicóticos e bipolares, problemas de sono, transtornos depressivos, transtornos obsessivo-compulsivos, crises de pânico, etc. Entre os psicofármacos, os mais comuns em termos de automedicação são as benzodiazepinas.

Por que as pessoas recorrem à automedicação com psicofármacos?

Os motivos pelos quais alguém recorre à automedicação com psicofármacos são múltiplos. Um estudo realizado na Universidade de Michigan (Estados Unidos) pelos doutores Katherine Harris e Mark Edlund mostrou que boa parte dessas pessoas o faz após ter passado por um tratamento médico e sentir que seu problema não foi resolvido.

Em vez de buscar ajuda profissional novamente, elas optam por outras vias, como a automedicação. Contudo, existem outros gatilhos que vale a pena considerar.

  • Existem pessoas cujos familiares ou amigos seguem tratamento para uma depressão ou algum transtorno de ansiedade. Eles mesmos se identificam com esses sintomas e, sem passar por nenhuma consulta médica prévia, decidem se automedicar.
  • Em outros casos, o consumo de psicofármacos é o resultado de uma prática social e recreativa entre alguns jovens. Também é comum recorrer ao consumo de álcool, maconha e alguns psicotrópicos.
Engrenagens da mente

Como esses medicamentos são obtidos sem prescrição médica?

Sabemos que os psicofármacos, assim como muitos outros medicamentos, só estão disponíveis mediante receita médica. No entanto, por quais outros meios podemos acessar esses produtos médicos?

  • Por meio de familiares que têm receita.
  • Na Internet, por vendas nas ruas ou em lojas que os vendem ilegalmente.
  • Outra forma são os contatos em instituições de saúde, como clínicas ou hospitais.

Efeitos da automedicação com psicofármacos

O Nordic Cochrane Centre é uma organização sem fins lucrativos com um propósito muito relevante. Nessa instituição, cientistas de todo o mundo analisam e revisam rigorosamente medicamentos e outros produtos médicos para verificar sua segurança e eficácia, além dos estudos fornecidos pelos fabricantes.

Dessa forma, algo que eles indicam e que deve nos convidar a uma reflexão profunda é o seguinte: mais de 50.000 mortes por ano em todo o mundo se devem ao efeito, abuso ou uso indevido dos psicofármacos. Os efeitos da automedicação com psicofármacos costumam ser fatais. Vamos ver as características.

  • A automedicação com esse tipo de fármaco gera dependência em grande parte dos casos.
  • O maior risco é a interação com outras substâncias. Por exemplo, combinar as benzodiazepinas com álcool pode ser perigoso. Os efeitos também podem ser fatais se houver interação com outros fármacos que a pessoa estiver tomando.

Os efeitos da automedicação com psicofármacos dependerão do tipo de medicamento que o paciente estiver tomando. No entanto, o mais comum é experimentar o seguinte:

  • Tremores.
  • Sensação de abatimento.
  • Boca seca.
  • Prisão de ventre.
  • Visão turva.
  • Problemas cardíacos, como taquicardias.
  • Reações alérgicas.
  • Alterações do ciclo menstrual.
  • Disfunção sexual.
  • Síndrome das pernas inquietas.
  • Problemas renais.
A automedicação com psicofármacos é perigosa

Por outro lado, existe um fato óbvio. Quem recorre à automedicação para aliviar a ansiedade, a tristeza ou qualquer outra realidade pessoal vai encontrar, a curto prazo, uma intensificação desses mesmos sintomas. Outras condições psicológicas também aparecerão, como a psicose ou a confusão mental.

Como podemos imaginar, recorrer à automedicação não só não é uma boa ideia, mas pode nos custar a vida. Nenhum fármaco é inócuo, muito menos aqueles destinados a tratar alguma condição mental. Sejamos prudentes e contemos sempre com a supervisão de profissionais especializados.

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  • Katherine M Harris, Mark J Edlund.Self-Medication of Mental Health Problems: New Evidence from a National Survey. Health Services Research DOI:  10.1111/j.1475-6773.2005.00345.x