Giordano Bruno: a biografia de um libertário

22 Janeiro, 2020
O crime de Giordano Bruno foi pensar. Ele não respeitou as "verdades absolutas" que pretendiam lhe impor e, por esse motivo, foi julgado, condenado e queimado vivo. Como temiam que ele falasse durante a sua execução, paralisaram a sua língua com um prego.

Conheça a biografia de Giordano Bruno, um personagem muito interessante que acabou se tornando o ícone da amplitude de pensamento e firmeza nas convicções.

Ele viveu em uma época em que prevaleciam “verdades” e dogmas estabelecidos. Mesmo assim, soube como se afastar daquele ambiente restritivo e pensar com a sua própria cabeça. Inclusive, deu a sua vida para defender essa liberdade.

O nome verdadeiro de Giordano Bruno era Filippo Bruno. Foi assim que o batizaram quando nasceu na cidade de Nola (Nápoles, Itália) em 1548. Ele sempre amou o seu local de origem e, por isso, se fazia chamar de “O nolano”.

Aos 14 anos, foi morar na cidade de Nápoles e estudou em um mosteiro agostiniano. Logo sentiu um profundo fervor religioso e isso o levou a entrar na Ordem dos Dominicanos, para tornar-se sacerdote.

“O medo que você sente ao me impor essa frase talvez seja maior do que o que eu sinto ao aceitá-la”.
-Giordano Bruno-

Giordano Bruno era um homem espiritualizado e profundamente curioso. Ele desejava aprender e encontrar as respostas para suas perguntas por todos os meios. Isso o levou a ler Erasmo de Roterdã, um pensador holandês que era proibido pela igreja.

Esse gesto mostra que a sua ânsia de conhecer era mais forte do que o dever imposto pelos dogmas.

A biografia de Giordano Bruno, um irreverente

Assim como ele estudou Erasmo com grande interesse, também mergulhou nos tratados de Aristóteles e São Tomás de Aquino. Ele criou um sistema mnemônico que impressionou os seus professores, por isso foi encarregado de apresentá-lo pessoalmente ao Papa Pio V. Ele foi ordenado sacerdote em 1576 e logo depois fez um doutorado em teologia.

No entanto, durante os anos de sacerdócio, Giordano Bruno incorreu em dois atos que inflamaram a ira da sua comunidade. Certa vez, pediu que todas as figuras dos santos fossem removidas de seu quarto, deixando apenas um crucifixo. Em outra ocasião, pediu a um novato que parasse de ler um poema para a Virgem e, em vez disso, se dedicasse a algo mais importante.

Após esses fatos, foram feitas 130 acusações diante da Santa Inquisição. Isso o levou a fugir da Itália, aos 28 anos. Desde então, ele se tornou um ser errante. Precisou se alojar em pocilgas, viver com muito pouco e se mover de um lado para o outro sem trégua.

Além de suas opiniões religiosas, o que realmente despertava suspeitas entre os religiosos era a sua visão do universo.

Caminho no campo

Um homem à frente do seu tempo

A biografia de Giordano Bruno inclui o fato de que ele declarou publicamente concordar com as ideias de Copérnico. Na sua opinião, a Terra não era o centro do universo.

Ele foi ainda mais longe: disse que o Sol era apenas mais uma estrela e que havia milhares de sóis, milhares de mundos, até o infinito. Ele também dizia que poderiam existir outras formas de vida e que talvez cada uma delas tivesse o seu próprio Deus.

Esse homem fabuloso também disse que toda a matéria era composta de átomos, que eram movidos por impulsos. Portanto, espírito e matéria eram a mesma realidade. Na sua opinião, nem a hóstia se transformava em carne nem o vinho em sangue. Então, a Eucaristia era uma falsidade.

Giordano Bruno não era um cientista, mas um filósofo e teólogo. Ele difundiu ideias científicas, mas ele próprio não as descobriu nem as provou.

A sua fama cresceu e ele finalmente conseguiu encontrar a calma em sua longa jornada em Paris e, mais tarde, na Inglaterra e na Alemanha. Os seus livros vendiam como “pão quentinho”.

Livro antigo

Um crime histórico

O nolano tentou se juntar ao calvinismo e depois ao luteranismo, mas também foi expulso dessas igrejas. Quando ele morava na Alemanha, recebeu um convite de Giovanni Mocenigo, um italiano que dizia que queria aprender com ele. Embora muitos tenham tentado convencê-lo a não ir, Giordano concordou e ficou na casa daquele homem por um tempo.

Quando ele disse que iria embora, Mocenigo pediu que ficasse mais um dia. Giordano Bruno aceitou e, naquela mesma noite, foi preso em uma masmorra. No dia seguinte, os soldados da Inquisição chegaram e o prenderam.

Fizeram um julgamento no qual o próprio Mocenigo declarou muitas falsidades. Obviamente, Bruno foi condenado.

Bruno passou os sete anos seguintes na prisão da Inquisição Romana. Era um lugar sujo, que havia se tornado famoso como um centro de tortura. Em 1599 ele foi obrigado a retratar as suas afirmações, mas não aceitou. Nove meses depois, foi levado ao Campo das Flores para execução.

A sua língua estava paralisada com um prego para impedi-lo de falar. Então, lhe mostraram uma cruz e Giordano Bruno virou a cabeça como um sinal de rejeição. Em seguida, eles o queimaram vivo.

  • White, M. (2002). Giordano Bruno: el hereje impenitente. Ediciones B Argentina para el sello Javier Vergara Editor.