Paul Auster, a biografia do escritor do acaso, do amor e de Nova York

maio 4, 2020
Paul Auster costuma usar a segunda pessoa do singular em suas obras. Esse "você" permite que o leitor se sinta mais envolvido na história a cada vivência, a cada palavra.

Muitos definem Paul Auster como um ilusionista, um autêntico galanteador das letras. É o escritor da magia do acaso, do destino, do amor e, principalmente, dessa cidade que tanto o define e inspira: Nova York. Só ele tem a habilidade para transformar o banal em extraordinário e nos prender com suas narrativas. Conheça a biografia de Paul Auster a seguir.

Costuma-se dizer que quem lê Paul Auster ou o ama desde a primeira linha ou o abandona para sempre. Há escritores que não aceitam um meio termo, ou você adora ou você nunca será convencido. Com esse autor de Nova York ocorre exatamente isso. No entanto, sua presença no mundo editorial sempre foi de muito sucesso. A trilogia City of Glass lhe deu fama mundial e nos apresentou a alguém que se tornou, após pouco tempo, um nome indispensável em qualquer livraria.

Além de escritor, ele também é roteirista e diretor de cinema. Sempre com sua roupa preta, com sua devoção pela poesia francesa e por Samuel Beckett, Paul Auster dá forma a um intelectualismo elegante e reivindicativo, que nunca se negou a se posicionar em temas sociais e políticos. Ele o fez durante a guerra do Iraque, e o faz agora, passando dos 70 em plena era de Donald Trump.

Estamos, sem dúvida, diante de um dos maiores autores norte-americanos da atualidade. Alguém que combina como ninguém aspectos existencialistas, chegando a ser quase um realismo mágico em algumas ocasiões. Uma voz excepcional que nos presenteou faz pouco tempo com sua obra mais grandiosa, 4321, um trabalho esplêndido que demorou cerca de 7 anos para ser lançado.

“O mundo é minha ideia. Eu sou o mundo. O mundo é sua ideia. Você é o mundo. Meu mundo e seu mundo não são o mesmo”.
-P. Auster-

Paul Auster quando jovem

A biografia de Paul Auster, o menino que amava os livros

Paul Benjamin Auster nasceu em 1948 e cresceu em South Orange, Nova Jersey. Sua família, de ascendência judia e polonesa, se mantinha graças ao trabalho de seu pai, um homem de negócios. Essa figura paterna marcaria de modo ambivalente a vida de Auster. Em muitas de suas obras ele descreve um homem que ficava entediado com livros. Era aquele tipo de pessoa que sempre dorme ao ver um filme, e que sua mãe tentou abandonar depois da lua de mel.

Desde bem pequeno, ele encontrou oxigênio nos livros. Por isso, os livros não podem deixar de fazer parte da biografia de Paul Auster. O refúgio de uma biblioteca pública mais próxima deu a ele um universo de descobertas e um despertar. Seu tio Allen Mandelbaum, um grande tradutor, também o contagiou com a sua paixão pela leitura, pelos clássicos e pelo universo literário onde ele entrou bastante cedo através da escrita.

Aos seis anos, ele pulou algumas séries porque suas competências de leitura e escrita eram muito superiores às do resto da turma. Conforme ele mesmo já explicou em entrevistas, naqueles anos ele estava convencido de que o alfabeto era composto por mais letras. Um L ao contrário e um A de cabeça para baixo.

Chegada a época da universidade, era inevitável que seguisse no mesmo caminho, o caminho guiado por letras, livros e a filologia. Assim, ele iniciou seus estudos de literatura francesa, italiana e inglesa na Universidade de Columbia, em Nova York. Trabalhou como tradutor até que começou a Guerra do Vietnã, momento em que decidiu ir para a França.

Primeiros livros e A Trilogia de Nova York

A vida de Paul Auster foi marcada pelo vai e vem entre duas cidades que o marcaram: Nova York e Paris. Em sua juventude e antes do sucesso o alcançar, ele teve muitos trabalhos em ambas as cidades. Fez suas primeiras tentativas ao se dedicar ao cinema. Trabalhou em um petroleiro e, mais tarde, se dedicou a realizar traduções na França sobre grande autores como Mallamé, Jean Paul Sartre e Simenon.

Em 1981, a novelista Siri Hustvedt entraria na biografia de Paul Auster. Ele se casou com ela. Foi uma época de muita criação que daria origem ao maior dos seus êxitos: A trilogia de Nova York. O sucesso foi enorme, e Paul começou a brilhar com a luz que lhe é própria no mercado editorial. Mais tarde, chegariam outros títulos como Palácio da Lua e Mr. Vertigo.

Cidade de Nova York

Prêmios e reconhecimento

Em 1993, a biografia de Paul Auster tem um novo marco. Nesse ano, ele recebeu o prêmio Medicis por seu livro Leviatã. Os anos noventa foram uma época muito frutífera para esse autor que, além de amar as letras, também adora o cinema. Suas obras foram adaptadas para as telonas, como é o caso do conto História de Natal de Auggie Wren.

Mais tarde, sua obra Sem Fôlego também estreou nas salas de cinema, em 1996. Não obstante, muitas dessas aventuras cinematográficas como diretor não foram muito bem recebidas pela crítica.

Entre 1999 e 2005, ele lançou obras tão importantes quanto O livros das ilusões, A noite do oráculo, Desvarios no Brooklyn e Timbuktu. São trabalhos nos quais ele mostra sua maturidade e delicadeza, mas sempre com uma potente estrutura narrativa. Tudo isso o levou a receber o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras em 2006.

O estilo de Paul Auster

Paul Auster é o escritor do acaso, do amor, do destino e do cotidiano quase banal onde surgem os mais fascinantes acontecimentos. Tem um estilo simples, pelo menos aparentemente, mas na realidade, as bifurcações pelas quais ele nos leva, as histórias que se cruzam, o tipo de narrador que ele usa, fazem sua obra ter uma arquitetura mágica cheia de complexidades e perfeição.

Em muitos de seus trabalhos, uma questão que sempre perseguiu o nome de Paul Auster em toda sua biografia é a referente à identidade dos seus protagonistas. Sempre existiu uma suspeita de que muito deles fazem referência ao próprio Paul. Na Trilogia de Nova York, por exemplo, um dos seus personagens leva seu nome. Em Leviatã, o narrador tem suas iniciais (Peter Aaron). Em Noite do Oráculo, um dos protagonistas se chama Trause (anagrama de Auster).

São pinceladas de enigmas que sempre fascinam e embelezam. Ler Auster é compartilhar sua admiração pelos livros. Afinal, ler é um modo de tocar o ser humano, de alimentar sua empatia. Seus livros nos revelam nossa complexidade e, graças a isso, podemos nos conhecer um pouco mais e aprender a sobreviver do nosso jeito.

Paul Auster em preto e branco

Admirador de Kafka, apaixonado pela França, fanático por Nova York, essa é uma referência literária que não deve faltar em nossas bibliotecas pessoais. Pouco mais de um ano atrás ele nos presenteou com sua última obra. Foi 4321, um livro que começou a escrever aos 66 anos, idade em que seu pai faleceu. Uma obra excepcional de 866 páginas que esperamos não ser a sua última.

  • Auster, Paul (2019) La trilogía de Nueva York. Seix Barral