Como o metaverso afetará nossa saúde mental?

A iniciativa de Mark Zuckerberg de refundar sua empresa despertou a atenção para o Metaverso, uma possibilidade que já foi objeto de vários estudos. Você quer saber mais? Continue lendo
Como o metaverso afetará nossa saúde mental?

Última atualização: 26 novembro, 2021

Há poucos dias, o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou a refundação da sua holding de empresas (Facebook, Instagram, WhatsApp…) com o nome de Meta. A nova marca está diretamente associada ao conceito para o qual Zuckerberg e outros empresários do mundo da tecnologia estão direcionando seus negócios: o metaverso.

Mas o que realmente é o metaverso? É uma realidade que já existe ou é simplesmente um conceito, uma ideia a partir da qual podemos transformar o uso da tecnologia digital? E o mais importante de tudo: como o metaverso afetará nossa saúde mental?

O que é o metaverso?

Por mais que o conceito de metaverso, quando o entendemos, seja relativamente fácil de imaginar, é preciso dizer que, por enquanto, ele nada mais é do que um conjunto de ideias e referentes. E é que o metaverso, aquela realidade paralela em que podemos interagir com todos os tipos de usuários como se fosse o mundo real, não é um conceito que nasceu nos últimos dias.

Esta realidade virtual, na qual teremos a possibilidade de nos relacionarmos através de um avatar e diferentes dispositivos de realidade virtual, é uma ideia que já vimos em diferentes obras da literatura e da ficção científica.

Na verdade, o conceito vem do romance Snow Crash, publicado por Neal Stephenson em 1992. É uma ideia que também vimos representada em filmes mais atuais como Ready Player One. Nele, os personagens vivem vidas paralelas entre o mundo real e um mundo virtual formado por uma grande empresa de tecnologia.

Mark Zuckerberg apresentando o metaverso

A influência do metaverso na saúde mental

Além de suas possibilidades de negócios e entretenimento, o metaverso abre uma série de problemas relacionados à saúde mental de seus potenciais usuários. É preciso dizer também que a psicologia há algum tempo oferece estudos que sugerem tanto os problemas quanto os benefícios do uso dessas realidades virtuais e aumentadas.

Por exemplo, um estudo publicado pela Universidade de Oxford fala sobre os possíveis benefícios que a realidade virtual pode ter para pacientes com características esquizotípicas. Ou seja: pessoas com comportamentos e sintomas próximos à esquizofrenia. O estudo revela que a imersão em realidade virtual pode ser útil em ambientes controlados. Principalmente, para tratar certas fobias e distúrbios.

Alguns cientistas, acham que o problema é que o metaverso proposto por Mark Zuckerberg dificilmente seja um ambiente controlado. Um detalhe muito importante quando falamos de pessoas com características esquizotípicas. Portanto, é conveniente investigar como o metaverso afetará nossa saúde mental.

E é disso que tratam outros estudos publicados pela Universidade de Cambridge, que falam sobre a relação entre o surgimento de delírios e o uso da realidade virtual. O que essa pesquisa defende é que o “afastamento” de nossa realidade cotidiana pode levar ao aparecimento de sintomas próximos à psicose.

Garoto com óculos de realidade virtual

Características esquizotípicas na tecnologia digital

Também deve ser mencionado que as pessoas com Características esquizotípicas são muito mais propensas a aderir ao uso da tecnologia digital.

Entende-se que a imersão em realidades virtuais, como o metaverso, pode constituir para muitos uma oportunidade de fuga do mundo tangível; o lugar onde nascem todos os problemas de pessoas com ansiedade, depressão, psicose e outras condições mentais graves.

O que poderia proporcionar um alívio temporário também pode se tornar um falso refúgio para pessoas com sintomas próximos à esquizofrenia. É preciso saber se isso torna o metaverso seguro para outras pessoas.

De acordo com o Facebook, nos próximos anos, as pessoas deixarão de vê-lo principalmente como uma empresa de mídia social pois se tornará uma empresa metaversal. O que a empresa está dizendo é que “o metaverso é a expressão máxima da tecnologia social”. Uma tecnologia que nos obrigará a identificar os riscos associados à nossa saúde mental.

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