Conheça alguns efeitos psicológicos interessantes

· abril 16, 2019
Existem determinados efeitos psicológicos que atuam sob a nossa consciência, condicionando poderosamente o que fazemos e pensamos. Deles se valem, por exemplo, as campanhas publicitárias para nos fazer potenciais consumidores dos produtos que oferecem.

A psicologia é uma ciência capaz de oferecer uma explicação para uma infinidade de acontecimentos que ocorrem no nosso dia a dia. Sem ter consciência disso, todos nós, seres humanos que somos, caímos na armadilha de certos vieses ou efeitos psicológicos interessantes.

Alguns nos prejudicam, outros não; alguns são típicos em certas sociedades, outros são comuns entre os adolescentes, etc. Seja como for, o fato é que eles têm em comum o fato de que o cérebro faz uso de atalhos para economizar toda a informação que temos que processar diariamente. Isso, às vezes, dá origem a certos efeitos interessantes.

Economizar a informação que recebemos durante o dia é de suma importância. Embora às vezes nosso cérebro possa cometer erros, geralmente esses viesses ou efeitos favorecem a nossa adaptação.

Pense nos tempos das cavernas. Era melhor ser rápido e eficaz do que analítico e lento. Essas últimas características, embora possam nos levar a uma resposta mais correta, também podem nos levar ao ‘tarde demais’.

O que também é certo é que, atualmente, a publicidade, as empresas e a cultura ecoaram esses efeitos psicológicos nos quais tendemos a cair e apostaram neles como um meio de melhorar suas vendas. E conseguiram. A seguir, oferecemos alguns exemplos de efeitos psicológicos interessantes, embora existam muitos mais. Com quais você se identifica?

Uma tendência ou um viés cognitivo é uma interpretação errônea e ilógica das informações disponíveis, ao dar muita ou pouca importância a alguns aspectos.

Mulher segurando nuvem

Efeitos psicológicos interessantes que vale a pena conhecer

Efeito Barnum

Quantas vezes aconteceu com você de ler seu horóscopo e pensar: isso é exatamente o que acontece comigo! Pois não. Mais uma vez, é o seu cérebro que enviesa. O que você leu não é o que está acontecendo com você em particular. Você foi vítima do efeito Barnum, também chamado de efeito Forer.

Isso acontece quando nos contam ou lemos certas descrições que parecem se adaptar perfeitamente ao que sabemos sobre nós. No entanto, se as analisarmos bem, poderemos nos dar conta de que elas não são nada mais do que descrições gerais, vagas e imprecisas que poderiam se encaixar no perfil de uma grande parte da população.

Faça você mesmo o teste; leia o seguinte trecho:

“Tenha cuidado com os projetos que você empreende, Libra, você sempre se coloca mais peso do que pode suportar. Verifique seus limites. Nesta semana haverá alguém que quer lhe pedir ajuda, tente fazer o que puder, mas não se responsabilize pela mudança emocional. A saúde pode piorar, mas não durará muito tempo, em seguida você retornará ao peso como sempre faz. Na segunda e terça-feira você se sentirá muito ativo, mas depois o ritmo diminuirá pouco a pouco”.

Como você pode ver, quase qualquer pessoa poderia se encaixar aqui. Quem não está tentando empreender algum projeto pessoal e às vezes se dedica muito ao trabalho? Quem não tem alguém em seu entorno que passa por um período difícil? Quem não fica resfriado de vez em quando ou com as costas doendo? Na segunda e terça-feira estamos mais ativos, é claro, chegamos do final de semana e depois acumulamos cansaço.

Efeito ancoragem

Este efeito é muito utilizado em campanhas de publicidade. Imagine que você vai às compras e vê um casaco que adora. Ele tem duas etiquetas: uma com um valor bastante alto e outra com um valor muito menor, que seria o preço atual.

Sem pensar, você compra o casaco. O que aconteceu? O primeiro preço serviu como uma âncora que você tomou como referência para pensar que estava pagando uma pechincha e, portanto, não podia desperdiçar essa oportunidade.

Erro fundamental de atribuição

Acontece quando superestimamos os motivos pessoais de alguém em detrimento dos motivos situacionais. Em outras palavras, as pessoas geralmente apontam o “caráter”, a “personalidade“, etc., como causadores de algo em vez de pensar que talvez as circunstâncias ou o entorno da pessoa tenham influenciado muito mais o seu comportamento. Isso, consequentemente, leva a explicações errôneas sobre o modo de ser dos outros.

Efeito do falso consenso

Ocorre quando superestimamos a quantidade ou o grau de pessoas que concordam com o que pensamos. É uma maneira de exagerar a confiança em nossas próprias crenças, mesmo que elas estejam erradas. Este efeito pode ter consequências negativas: nos impede de nos abrirmos ao mundo, às ideias dos outros, ao modo como os outros pensam e sentem.

Portanto, caímos no risco de perder informações valiosas que seriam extremamente úteis, por exemplo no caso de sermos proprietários de uma empresa e trabalharmos com mais pessoas que não pensam da mesma forma e que poderiam contribuir com outras maneiras de ver as coisas.

Homens conversando

Correlação ilusória

Este efeito nos leva a superestimar a relação entre duas variáveis ​​que são, na realidade, independentes. Por exemplo, pense nos jogadores patológicos. Eles podem dizer a si mesmos que “a máquina caça-níqueis está quente porque não distribui prêmios há algum tempo”.

Neste sentido, estamos relacionando o tempo com a probabilidade de que alguém ganhe, que sabemos racionalmente não possuir relação, especialmente se soubermos que as máquinas caça-níqueis seguem um programa de razão variável ou aleatória.

Profecia autorrealizável

Também é conhecido – com nuances – como efeito Pigmaleão no campo educacional, ou efeito Rosenthal na área de organizações e empresas. É um efeito que surge quando temos crenças profundas sobre uma questão específica e agimos de acordo com elas.

O que acontece é que a realidade acaba confirmando essas crenças como se fossem uma profecia. Por exemplo, uma pessoa que sofre de ciúme patológico pode acabar favorecendo a infidelidade com seu ciúme inicialmente infundado. Seus comportamentos de questionar o parceiro, espioná-lo e assediá-lo cansam o outro, que pode acabar deixando o relacionamento.

Efeito do ponto cego

Para finalizar, o efeito do ponto cego refere-se precisamente ao fato de que, na maioria das vezes, não reconhecemos nossos próprios vieses e efeitos. Pensamos que isso é algo que “acontece com os outros”, quando é comum, em maior ou menor grau, nos enviesarmos e cairmos em diversos efeitos.

Como você vê, ninguém pode se livrar desses efeitos psicológicos interessantes. É importante conhecê-los e reconhecê-los quando aparecem, como por exemplo nas vendas, nas promoções, nos vícios, etc.

Nesse sentido, quando os efeitos psicológicos nos fazem mais mal do que bem, é interessante tentar dar-lhes um nome, saber que eles existem e não cair na armadilha. E você, com qual efeito se identificou?

  • Hogg. M, Vaughan. G,. Psicología Social (5ºedición). Editorial Médica Panamericana (2008)