Meu diagnóstico é simples: sei que não tenho solução

Meu diagnóstico é simples: sei que não tenho solução

3, abril 2016 em Psicologia 678 Compartilhados
Não tenho solução

Como escreveu Julio Cortázar, “meu diagnóstico é simples, sei que não tenho solução”. Não tenho solução porque gosto das coisas claras e de chocolate espesso. Não tenho solução porque gosto que me abracem sem motivo nenhum.

Certamente você também não tem solução porque você gosta de fazer as coisas direito e às vezes chora sem saber porquê. Talvez você e eu nos fascinemos com pessoas que, com sua energia, contagiam emoções.

Com certeza você também gosta de pessoas que vibram e é provável que também goste de trabalhar para conseguir que a sua realidade supere os sonhos que você cultiva há um bom tempo, pelos quais você luta dia após dia.

Você não tem solução (e eu também não) porque às vezes você fica irritado sem saber o motivo e o mundo cai quando você não consegue fazer com que algo saia como quer. Você não tem solução porque não consegue contar até três antes de explodir, como dizem os especialistas.

Mulher tapando os olhos

Não tenho solução (e você também não) porque não sou capaz de fazer cinco refeições ao dia, de dormir 8 horas ou de pensar em mim antes de pensar nos outros. Também não tenho solução porque vivo a expectativa de que “aquela pessoa” queira passar tempo comigo.

Não tenho solução (e tenho certeza que você também não tem), porque nem sempre sou capaz de “soltar e dizer adeus a quem me machuca. Não é que eu goste de me agarrar a algo ou que sou incapaz, é só que eu guardo a esperança de podem acontecer “milagres”. Não posso evitar, sou um pouco irracional, embora tente mudar isso (tenho certeza que com você acontece a mesma coisa).

Não tenho solução porque tenho plena convicção de que as coisas que são mais fáceis para nós são as que mais valem a pena e sei que tenho que colecionar motivos para seguir em frente.

Eu gosto de dar um sorriso todas as manhãs, mas entendo que nem sempre é necessário, que a tristeza também me faz bem e que quando o meu corpo quer chorar, é saudável me desligar e me desconectar por um tempo.

Não gosto das pessoas que não seguem em frente. Também não gosto que me digam o que eu tenho que fazer, como tenho que ser ou se posso ou não estar triste.
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Moça olhando o mar

Não tenho solução porque gosto de ouvir as histórias de batalhas dos outros, examinar seu rosto e avaliar suas expressões. Não tenho solução porque não suporto que mintam para mim, mas entendo que às vezes alguém faça isso.

Não tenho solução porque não gosto de branco nem de preto; é que eu sou mais de cinzas, rosas, azuis e amarelos. Não tenho uma cor favorita porque todas me dizem algo que me emociona.

Também não tenho solução porque sei que posso me emocionar recordando o meu primeiro amor e tenho certeza de que isso não me torna incapaz de amar com imensa loucura quem está na minha vida hoje.
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Amigas

Não tenho solução porque na minha vida tenho PESSOAS e pessoas. Com letras maiúsculas e minúsculas. Porque sim, sei claramente que no amor existem hierarquias ou que, ao menos, existe um tipo de carinho dedicado a cada pessoa do mundo.

Não tenho solução porque às vezes critico e sou incoerente. Não tenho solução porque penso que o amor vale a pena neste mundo de pressa, porque sei que existem pontos cardinais e que sou capaz de perder o norte por qualquer bobagem.

Também tenho medo de afirmar que o coração partido me causa pânico, que às vezes temo a solidão e que me caem as lágrimas quando penso que algum dia alguém não vai me querer.
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Somos autênticos na diversidade

Não tenho solução quando as minhas esquisitices dizem tudo sobre mim, quando me apaixono pelo genuíno, pelo infantil e pelo inesperado. Dizem que eu não deveria, que “sou velha demais para…”.

E eu respondo que não sou velha demais para nada, que o que tenho é juventude acumulada e que irei viver a vida como eu quero até chegar a minha hora ou a minha circunstância.

Porque eu sei que a velhice é um estado de “espírito”, não uma fase da vida. É inevitável fazer aniversário, sim, mas eu decidi que não terei solução e que serei uma chama que nunca se apagará até eu não poder mais.
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Embora eu deva admitir que não ter solução não é fácil, é ainda mais difícil porque entesourar memórias às vezes dói. É difícil justificar que eu passei meses inteiros do calendário fazendo todos os dias a mesma coisa e sentindo coisas parecidas.

Vendo a hora do meu celular mudar, colocando 20 alarmes, enviando as mesmas mensagens no whatsapp e prometendo a mim mesma coisas que não vão acontecer…

Pássaro pegando o laço do cabelo de uma menina

Então digo para mim mesma que na semana que vem estarei preparada para tudo mudar. Mas quando eu penso sobre isso, percebo que esses 20 alarmes e essas mesmas mensagens no whatsapp não são o que me define, nem o que escreve a minha história.

Eu escrevo a minha história com meus pontos, minhas vírgulas, meus pontos de exclamação e interrogação, minhas letras maiúsculas e meus pontos cardinais. Isso é o que me faz não ter mais solução do que ser EU, outra vez com letras maiúsculas e determinação.
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Não tenho solução e tenho certeza que você também não tem por várias razões. Porque cada um de nós tem milhares de histórias e centenas de cicatrizes. É isso que nos torna autênticos e especiais, não ter solução na intimidade enquanto somos nós mesmos com tanto e com tão pouco em comum.