É assim que o cérebro lida com a vida moderna

Como as características da vida moderna influenciam o cérebro? Favorecem o seu funcionamento ou o dificultam? O que podemos fazer voluntariamente para melhorar essa harmonia? Descubra!
É assim que o cérebro lida com a vida moderna

Última atualização: 07 junho, 2022

As exigências da vida moderna podem causar danos ao cérebro e à saúde mental. O ritmo e a intensidade das demandas que fazemos na sociedade moldam a maneira como experimentamos e vivemos nossas vidas.

Essa nova forma de viver é influenciada por um conjunto multifacetado de mudanças tecnológicas, científicas e econômicas. As imposições a que a modernidade nos submete aumentam os níveis de cortisol (estresse) no organismo. Embora o estresse seja uma resposta adaptativa, quando gerado de forma persistente e em níveis elevados pode se tornar um problema para o nosso cérebro.

Em um estudo publicado na Molecular Psychiatry, descobriu-se que o estresse crônico produz alterações no cérebro. Essas mudanças explicam por que as pessoas que sofrem de estresse crônico também são mais propensas a sofrer de transtornos de humor e ansiedade.

Os pesquisadores por trás deste estudo realizaram vários experimentos para analisar o impacto do estresse crônico no cérebro. O que eles descobriram foi que o estresse diminui a neurogênese e altera a função do hipocampo, promovendo a oligodendrogênese, alterando assim a composição celular e a estrutura da substância branca.

A mídia, os avanços científicos e o crescimento exponencial do consumo estão mudando todos os cantos de nossas vidas tão rapidamente que pode ser difícil se adaptar. Como o cérebro lida com as dificuldades da vida moderna?

Mulher olhando para o relógio no trabalho
O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol, o que pode levar à ansiedade ou depressão.

Nosso cérebro na vida moderna

As demandas da vida moderna são gerenciadas pelas funções executivas do cérebro, que são responsáveis pelo lobo pré-frontal. Os elementos-chave que incluem funções executivas são os seguintes (Anderson, 2008):

  • Antecipação e desenvolvimento da atenção.
  • Controle de impulsos e autorregulação.
  • Flexibilidade mental e uso de feedback.
  • Planificação e organização.
  • Seleção eficaz de estratégias para resolver problemas.
  • Monitoramento.

Ao integrar essas habilidades, podemos entender a essência de uma conversa e imaginar o que outra pessoa está pensando ou sentindo. Pessoas com doenças do córtex pré-frontal, como autismo, em particular, não podem fazer essas duas últimas coisas.

A seguir, revisaremos as funções centrais da atividade executiva que nos ajudam a administrar as demandas da vida moderna.

Controle inibitório

Essa função executiva nos permite controlar a atenção, o comportamento, os pensamentos e as emoções para regular nossos impulsos e redirecionar nossas ações para o que é apropriado para a situação em que não nos encontramos. Graças a essa capacidade, podemos dizer “não” ao desejo que nos desafia a consumir o produto que nos vendem.

Vivemos em sociedades consumistas, em que o ser humano se identifica com os objetos que possui, com o conhecimento que possui e com as informações que acumula. Se o cérebro não fosse capaz de controlar nosso comportamento, estaríamos submetidos a um modo de vida impossível, no qual não poderíamos escapar de nenhum de nossos desejos.

Sem controle inibitório estaríamos à mercê dos impulsos: consumir, atacar, comer, insultar… Nossos velhos hábitos de pensamento nos levariam de um lugar para outro. Portanto, o controle inibitório nos devolve a capacidade de escolher e modificar nossas reações, em vez de sermos criaturas não reflexivas.

Assim, em um mundo moderno saturado de estimulação, o controle inibitório nos ajuda a focar nossa atenção em determinados estímulos e filtrar aqueles que interferem nas tarefas que estamos realizando.

Cérebro feito de mecanismos
O controle inibitório nos ajuda a ser mais reflexivos.

Flexibilidade cognitiva

É a capacidade de se adaptar às condições ambientais diante de uma tarefa. Um aspecto da flexibilidade é ser capaz de mudar as perspectivas espacialmente ou interpessoalmente. Para fazer isso, precisamos inibir a perspectiva atual e adotar uma diferente. Nesse sentido, a flexibilidade cognitiva requer e depende do controle inibitório e da memória de trabalho.

A flexibilidade cognitiva também facilita a solução de problemas interpessoais, pois é capaz de (Maddio e Grecco, 2010):

  • Gerar respostas com um adequado grau de controle inibitório, que se traduz em alternativas de solução funcional que combinam a satisfação dos próprios desejos e necessidades com os desejos dos outros.
  • Considerar as consequências cognitivas, emocionais e comportamentais positivas derivadas de tais alternativas em todas as pessoas envolvidas.

O modo de vida de hoje, nas palavras de Zygmunt Bauman, é fluido. A sociedade moderna está em transformação, maleável e se ajusta às demandas contínuas do mercado produtivo e consumidor.

Nesse contexto instável e incerto, o ser humano exige a capacidade de se adaptar cada vez mais rapidamente aos fluxos da sociedade, ou seja, precisamos de flexibilidade.

A vida moderna, com seu trabalho incessante, demandas cognitivas e incertezas, nos leva a um estilo de vida cada vez mais acelerado e estressante, que tem impacto na maneira como nosso cérebro funciona. No entanto, esse órgão extraordinário sempre consegue se adaptar ao ambiente em que vive.

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