Entre a defesa e o ataque: um padrão de relações que deve ser superado

Quando essa atitude se instaura como hábito, a pessoa pode acabar totalmente destruída ...
Entre a defesa e o ataque: um padrão de relações que deve ser superado

Última atualização: 09 janeiro, 2022

Algumas pessoas podem acabar se relacionando com o mundo por meio de um padrão de desconfiança por vários motivos. Elas então estabelecem uma relação agressiva, seja de forma explícita ou velada, com aqueles que os cercam. Elas vivem entre a defesa e o ataque, ou como é popularmente dito: “na defensiva”.

Na maioria dos casos, as razões para viver entre a defesa e o ataque têm muito mais a ver com o próprio indivíduo do que com o ambiente em si. Geralmente é a mesma pessoa que é responsável por alimentar a tensão em seus relacionamentos e, ao mesmo tempo, se ressentir das respostas que recebe.

Essa extrema autoproteção, e quase sempre sem fundamento, também tende a se tornar um motivo para atacar ou violentar outras pessoas. Começa então um ciclo que se repete indefinidamente, no qual a pessoa vê nas atitudes dos outros uma ameaça, mesmo que não seja, e isso justifica sua resposta hostil. Dessa forma, ela fica presa entre a defesa e o ataque.

A revolução ocorre quando a vítima para de cooperar.”

-Karl Hess-

Mulher zangada pensando

Entre defesa e ataque

O mais comum nesse padrão cíclico, que se move entre a defesa e o ataque, é que ele tem alguma referência anterior, que é real. Geralmente começa quando uma injustiça é cometida contra alguém e não é reparada, mas também não é elaborada subjetivamente. Assim, esse referente torna-se o ponto de partida para um processo equívoco.

Tal processo ocorre porque é uma forma de assumir a situação, embora seja um caminho errado. O problema aqui é cair na condição de vítima. Ocorreu uma injustiça que não foi corrigida e, portanto, a posição aparentemente passiva da vítima é adotada e alimentada em virtude dela.

Isso, por sua vez, se torna um argumento para apoiar uma atitude de ataque ao mundo. Normalmente, em princípio, isso é direcionado à fonte específica de injustiça. Se for alimentado e reforçado, acaba se tornando um comportamento generalizado. Embora esta seja a resposta errada, e muitas vezes a própria pessoa percebe isso, mas não desiste. Por quê?

Da vítima ao agressor

Assumir o papel de vítima, em um ou mais relacionamentos, aparentemente não traz nenhum bem. Porém, se esta posição é mantida é porque também proporciona alguns “benefícios”, entre aspas. Pode se tornar uma atitude que consegue produzir sentimentos de culpa nos outros, considerações e às vezes até privilégios.

Tudo isso acontece sem uma intervenção direta da consciência. A pessoa geralmente não decide, consciente e deliberadamente, se comportar assim. É uma posição que se baseia na falta de resolução ou elaboração dessa injustiça, ou injustiças, de origem. À medida que é implementada, dela são obtidas reforçadores/ vantagens, o que acaba por assentar a atitude.

Como ela é reforçada? Infelizmente, as pessoas presas na vitimização frequentemente criam novos atos de vitimização para manter a sua posição. O normal é que com seu comportamento elas provoquem, repetidamente, o comportamento agressivo dos outros. Elas pressionam, insistem, desafiam, desqualificam, etc.

No fundo, e embora pareça irracional, elas procuram ser atacadas. É uma postura existencial com a qual elas “aprenderam” a localizar-se no mundo. É o terreno que conhecem e no qual, em certa medida, se sentem “por direito próprio”. É por isso que vivem entre a defesa e o ataque.

Mulher zangada com o marido

Quebrar o ciclo

Não é fácil para uma pessoa nesta posição existencial perceber o ciclo que ela gera. Ela percebe esse movimento entre defesa e ataque como consequência de sua própria “fraqueza, embora tal fraqueza não exista objetivamente. Em vez disso, é uma orientação inadequada de força e uma certa resistência ao crescimento.

Alguém preso neste ciclo vicioso precisa entender que as vantagens que ela obtém dessa forma são satisfações baratas. Ela perde muito mais. Ela também deve estar disposta a superar os atos de injustiça aos que provavelmente foi submetida. Desta vez ela deve se esforçar para entender a situação de uma forma ampla, perdoar-se e parar de se identificar com essa realidade.

Viver entre a defesa e o ataque é se condenar à privação. A partir daí, é impossível construir laços íntimos genuínos com outros seres humanos e, claro, com você mesmo. Assim, a vida se torna um palco onde um papel secundário é desempenhado. Quando a cortina cai, só há insatisfação, desconforto… e nada mais.

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  • Rubio, N. M. Un resumen acerca de las partes constituyentes del victimismo y sus consecuencias en las relaciones.