O estágio das operações concretas do desenvolvimento de Piaget

O estágio das operações concretas faz parte da conhecida teoria do desenvolvimento de Piaget, que explica a formação do pensamento lógico nas crianças.
O estágio das operações concretas do desenvolvimento de Piaget

Última atualização: 25 Novembro, 2020

O estágio das operações concretas faz parte da teoria do desenvolvimento proposta por Jean Piaget, cujas descobertas foram fundamentais para a evolução da psicologia positiva. Segundo ele, o pensamento da criança possui características únicas que variam conforme o estágio de maturação e a interação com o meio ambiente.

Neste artigo, explicaremos como funciona a lógica de uma criança que está iniciando a fase das operações concretas, como é a sua visão de mundo e quais problemas ela é capaz de resolver.

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget

Se algo pode ser dito sobre o psicólogo suíço Jean Piaget, é que ele revolucionou completamente as teorias do desenvolvimento infantil e o conceito de inteligência que se sustentava até então. Com a sua teoria do desenvolvimento, ele duvidava que as crianças fossem pensadores menos competentes do que os adultos ou que fossem moldadas à mercê do meio ambiente, como se pensava até a década de 40.

Desse modo, Piaget demonstrou, por meio de experimentos engenhosos, que as formas de pensamento infantis não eram inferiores às dos adultos, mas totalmente diferentes. Com a sua teoria do desenvolvimento, ele descreveu os bebês como “pequenos cientistas” que operam ativamente com o meio ambiente, experimentando e modificando seu pensamento com base nas suas descobertas.

Para Piaget, as crianças constroem uma série de representações mentais do mundo de acordo com o seu estágio de maturação. À medida que interagem com o ambiente, observam as discrepâncias entre esse mapa mental que possuem e a realidade que percebem. Isso permite que eles modifiquem gradualmente essa concepção.

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget

O estágio das operações concretas

Piaget dividiu sua teoria do desenvolvimento em quatro estágios principais: o estágio sensório-motor, o estágio pré-operacional, o estágio das operações concretas e, finalmente, as operações formais. Todas as crianças passam pelos estágios na mesma ordem em direção a um pensamento que evolui em complexidade e abstração.

Segundo a teoria piagetiana, o estágio das operações concretas é adquirido entre os sete e onze anos de idade. No entanto, o autor reconhece a existência de uma grande variabilidade individual e cultural. Este terceiro estágio da teoria do desenvolvimento é visto como fundamental quando é considerado o início do pensamento lógico ou operatório da criança.

No estágio das operações concretas, a criança adquiriu maturidade biológica suficiente para começar a operar através de regras. Em outras palavras, esse estágio é caracterizado pelo desenvolvimento de um pensamento lógico que não precisa mais de tanta manipulação física. Além disso, permite uma reflexão muito mais flexível, não baseada apenas na aparência dos objetos.

De acordo com os experimentos de Piaget, uma criança no estágio das operações concretas poderia ordenar mentalmente uma série de gravetos por tamanho, sem a necessidade de manipulá-los fisicamente.

O estágio das operações concretas: serialização, classificação e conservação

De acordo com a teoria do desenvolvimento de Piaget, no estágio das operações concretas, a criança irá adquirir três operações fundamentais que são descritas a seguir:

  • A serialização é a capacidade de comparar elementos e ordená-los com base nas suas diferenças. Esta operação é necessária para lidar com conceitos como números, tempo, medidas ou orientação. Em um exemplo prático, uma criança que ainda não atingiu o estágio das operações concretas tem um conceito de tempo no qual não há diferença entre um minuto e uma hora.
  • A classificação é a capacidade de classificar objetos de acordo com suas características e determinar se eles pertencem a um determinado conjunto ou a uma hierarquia. Assim, uma criança que não adquiriu as habilidades do estágio das operações concretas não compreenderia a relação hierárquica entre o ser humano e o mamífero. Ou seja, ela conseguiria entender que todos os seres humanos são mamíferos, mas que eles não são os únicos mamíferos entre os seres vivos.
  • Por fim, a conservação se refere ao fato de que o objeto pode ser o mesmo apesar das mudanças na sua aparência. Em outras palavras, a redistribuição de um elemento não afetaria qualidades como sua massa, volume ou comprimento. Uma possível experiência nesse sentido poderia consistir em mostrar a uma criança um copo de água e despejá-lo, sem variar a quantidade, em um menor. Se perguntássemos a uma criança – que ainda não iniciou a fase das operações concretas – se a quantidade é a mesma, ela nos responderia negativamente.
Menino fazendo conta com os dedos

O estágio das operações concretas: “a criança prática”

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget construiu as bases da psicologia evolucionista atual. Pela primeira vez, foi proposta uma visão do pensamento particular e único da criança. Além disso, foram descritos os processos de maturação biológica e a relação com o ambiente subjacente ao desenvolvimento dos processos mentais.

O estágio das operações concretas é o terceiro estágio das fases descritas pelas teorias piagetianas. Nesse estágio fundamental, a criança irá adquirir noções lógicas e terá um pensamento mais flexível. As principais operações adquiridas neste estágio das operações concretas são a serialização, a preservação e a classificação. Essas três habilidades permitirão que a criança resolva problemas de forma mais sistemática.

A fase das operações concretas é frequentemente descrita como o nascimento da “criança prática”, uma vez que ela passou pelos estágios anteriores relacionados ao aprendizado por meio da atividade e da intuição. Ela se torna uma criança prática que para de aprender através da tentativa ou erro, adquirindo a lógica própria de um pequeno cientista.

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