Esteticismo: a arte do belo

O esteticismo foi um movimento artístico nascido contra a moralidade e rigidez vitoriana e que perseguia a ideia de que o indivíduo deveria viver a sua vida intensamente, tendo a beleza como ideal, e agir como se toda a sua vida fosse uma obra de arte.
Esteticismo: a arte do belo

Última atualização: 06 Julho, 2021

O esteticismo foi um movimento artístico que surgiu contra as tradições e regras rígidas da era vitoriana. Nesse quadro histórico, a arte era considerada a partir do prisma da sua obrigação como transmissora de mensagens morais ou sociopolíticas. O esteticismo rompe com toda essa ideia e clama pela liberdade de expressão do artista contra o conformismo vitoriano restritivo.

O coração do esteticismo é a “arte pela arte”. É uma busca pela beleza, sensualidade, criatividade e uma exaltação do bom gosto. Ele se concentrou na exploração da cor, da composição e da forma para buscar a beleza acima de tudo. O que parecia um movimento artístico foi, na verdade, uma revolução no mundo das ideias que se expandiu para além do que se considerava como arte até então.

O esteticismo inundou a pintura, a escultura e a arquitetura, mas também afetou em sua essência mais pura o mundo cotidiano: a moda, cerâmica, decoração de casa, móveis e literatura. Figuras relevantes da época, como Oscar Wilde, adotaram o esteticismo como forma de vida e viveram de acordo com os seus princípios de livre expressão da beleza.

Foi uma rebelião contra o materialismo, a feiura e o industrialismo vitoriano. O esteticismo descartou os produtos industriais, com designs empobrecidos, criados como itens de consumo e feitos por máquinas “sem alma”.

Rejeitava elementos artísticos vitorianos de formas delicadas, curvilíneas e a sua abundância de ornamentos. Optou por um retorno ao artesanato na criação de todas as expressões artísticas. Os desenhos geométricos, as formas lineares simples e cores suaves foram os protagonistas.

Oscar Wilde
Oscar Wilde

Antecedentes e princípios

O movimento esteticismo começou em 1851 após a Grande Exposição de Artes Visuais da Grã-Bretanha. Este foi um evento que mostrou ao mundo as maiores novidades, principalmente na fotografia. Mas, como resultado da industrialização, a arte apresentada na exposição foi desumanizada em seu design.

Obras previsíveis e repetitivas que criaram um ambiente sufocante para os artistas cujas possibilidades de expressão artística foram reduzidas. Não demorou muito para que um grupo que se autodenominava pré-rafaelita começasse a usar uma expressão estética diferente em suas obras. Eles a tornaram mais simples, inspirados nas cores intensas e designs intrincados da arte medieval.

Desse grupo vieram os estetas. Artistas mais jovens como Dante Gabriel Rossetti, William Morris e Edward Burne-Jones uniram forças para criar um “culto à beleza” que lançaria as bases do movimento estético. Eles desenvolveram uma nova ideia de beleza feminina que desafiava as ideias morais vitorianas sobre a devassidão sexual.

A arte japonesa estava entrando com força no mercado britânico naquela época e teve uma grande influência no esteticismo. Os seus padrões geométricos, os desenhos circulares e os motivos orgânicos simples e estilizados contrastavam com a estética vitoriana rebuscada. Os artistas começaram a incorporar esses elementos em suas obras.

A expressão do esteticismo em suas diferentes áreas

A pintura foi a base a partir da qual o movimento começou. Foi, sem dúvida, a maneira mais fácil de desenvolver o ditado “arte pela arte”: a função de suas obras poderia ser unicamente estética e sem outra utilidade além da beleza. Os pavões reais, os leques, os vasos, as penas e as formas simplificadas começaram a preencher as telas.

A arquitetura se desviou da tradição clássica e compilou estilos díspares para criar os projetos estruturais. Referências renascentistas, orientais e italianas começaram a se combinar. Uma característica do esteticismo arquitetônico foi a substituição do tradicional hall britânico pelo que eles chamaram de “Árabe hall”. Uma sala abobadada que acolhia diferentes estilos de design do Oriente Médio.

Dentro do movimento estético, a figura do designer passou a ter relevância. Artistas que projetavam móveis, tecidos ou cerâmicas tornaram-se conhecidos por seus trabalhos. O esteticismo defendia que o interior de uma casa deveria ser o mais bonito possível, a fim de proporcionar inspiração contínua aos seus habitantes.

A moda também foi fortemente influenciada por esse movimento. Observamos isso no abandono gradual dos espartilhos, no uso de tecidos mais leves e designs mais boêmios e desestruturados. Os homens incorporaram o elemento característico do esteticismo, o pavão real, em sua estética pessoal.

A literatura teve Oscar Wilde e Algernon Charles Swinburne como os maiores representantes da expressão estética. As suas obras se afastaram das mensagens morais e sociais para criar poemas e prosa carregados de sensualidade. A literatura se livrou das declarações abertas e optou pelas sugestivas.

Esteticismo

O prazer estético

Foi uma revolução de ideias contra a feiura e o materialismo. Este movimento postulava o isolamento do indivíduo da sociedade para encontrar inspiração em si mesmo através da busca pessoal pela beleza e pelas emoções que ela proporciona.

Este movimento artístico foi estudado a partir da filosofia e da psicologia. Embora o conceito pareça um tanto abstrato, a verdade é que foi o lento início da validação da ideia de introspecção e beleza como meios de inspiração. Uma das premissas mais importantes do movimento esteticista era viver a vida intensamente, tendo a beleza como único ideal e como se toda a vida fosse uma imensa obra de arte.

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