Intestino e cérebro: como se relacionam?

julho 26, 2019
A conexão entre o corpo e a mente parece mais provável do que nunca do ponto de vista da ciência. Chegou a hora de nos reconectarmos com os nossos corpos, cuidar da nossa mente, dos nossos hábitos alimentares, e começar a ouvir tudo que o corpo tem a dizer para o cérebro.

Sabe-se há muito tempo que intestino e cérebro estão intimamente ligados. No entanto, até agora pensava-se que esta relação era em uma única direção: cérebro-intestino. O que muitos médicos e pesquisadores estão demonstrando atualmente é que essa relação pode ser estabelecida em ambas as direções.

A microbiota intestinal pode ser a origem de distúrbios como ansiedade ou Alzheimer. O gastroenterologista e codiretor do Centro de Pesquisa Digestiva de Los Angeles, Dr. Emeran Mayer, argumenta que a conexão intestino-cérebro é muito maior do que se pensava.

Dessa forma, chegou à conclusão de que tanto o desconforto físico quanto emocional podem ser gerados no intestino.

Como funciona a relação entre intestino e cérebro?

O nervo vago é o canal que conecta o intestino e o cérebro. É um dos doze pares cranianos e é responsável pela junção da faringe, esôfago, laringe, traqueia, brônquios, coração, estômago, pâncreas, etc. Também liga outros elementos do sistema digestivo que possuem um grande número de neurônios.

Alem disso, as bactérias digestivas enviam sinais para o cérebro através do nervo vago para gerar respostas que promovem comportamentos alimentares específicos.

Isso ajuda na liberação de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina. Então, atualmente, existem diversos estudos que relacionam a microbiota intestinal com o comportamento nutricional.

A conexão entre intestino e cérebro

Quão importante é a microbiota intestinal?

Essas pesquisas estão demonstrando que a microbiota intestinal desempenha um papel fundamental. Entre outras coisas, influencia o peso e, mais especificamente, as razões para engordar ou emagrecer.

Experimentos com ratos trouxeram conclusões surpreendentes. Provou-se que, introduzindo na sua dieta bactérias que costumam ser encontradas no intestino de pessoas obesas, os ratos engordam. Se, ao contrário, a mesma dieta contém bactérias de pessoas magras, os ratos perdem peso.

Em outro experimento, foram utilizados camundongos criados em um ambiente estéril. Nesses ambientes, não há possibilidade de que determinadas bactérias possam colonizar o seu sistema digestivo.

Mais tarde, foi comprovado que estes ratos apresentaram sintomas semelhantes aos do autismo em humanos.

Intestino e cérebro: distúrbios psicológicos e neurodegeneração

Quando há situações de estresse mantidas por muito tempo, o intestino reduz as suas funções para que o cérebro tenha alguma energia extra. Isso leva a uma situação em que o fluxo sanguíneo é reduzido no intestino. Há também uma redução na mucosa protetora que reveste as suas paredes, tornando-se mais fina.

As bactérias ficam muito próximas das paredes intestinais e produzem substâncias químicas que causam inflamação. Isso provoca uma alteração na microbiota intestinal que produz diferentes metabólitos que são enviados para o cérebro.

A Universidade de Harvard publicou outra das mais recentes descobertas sobre essa relação entre o intestino e o cérebro. Ela demostrou como, sob certos hábitos alimentares, as bactérias do intestino geram moléculas que viajam até o cérebro.

Essas moléculas agem nos astrócitos. Essa ação parece bloquear os processos inflamatórios que causam neurodegeneração e provocam doenças como Alzheimer ou Parkinson.

Um círculo vicioso

Em vista da estreita relação que a ciência está nos mostrando entre o intestino e o cérebro, podemos agir e trabalhar melhor a partir de dois pontos diferentes no tratamento e na prevenção de estados de ansiedade e estresse.

Poderíamos até seguir esta linha de pesquisa para alcançar melhores resultados na prevenção de doenças neurodegenerativas graves, já que as mudanças na microbiota começam antes que os sintomas neurológicos se iniciem.

Novos estudos também confirmam que a prática de mindfulness ou técnicas de redução de estresse exercem uma poderosa influência sobre o intestino e sua microbiota, facilitando assim o bem-estar físico.

Da mesma forma, hábitos alimentares corretos ajudam a manter a microbiota intestinal capaz de sustentar, entre outros, o correto bem-estar psicológico do ser humano.

Mulher meditando ao ar livre

Novos hábitos benéficos para nossa saúde

As descobertas que estão sendo feitas em referência à conexão entre intestino e cérebro já estão nos dando muitas pistas de como uma abordagem holística da saúde moldará o futuro dos tratamentos e programas de prevenção que serão desenvolvidos.

A conexão entre corpo e mente parece agora mais provável do que nunca. É o momento de nos reconectarmos com os nossos corpos.

Torna-se necessário cuidar da nossa mente e dos nossos hábitos alimentares. Será que vamos começar a ouvir tudo que o corpo tem a dizer ao cérebro?