Nós, os de antigamente, já não somos os mesmos

· julho 15, 2016

Já não somos os mesmos que éramos naquele momento determinado, no qual tudo parecia tão próximo e distante ao mesmo tempo: nunca voltaremos a ser o que fomos anteriormente porque a vida nos exige mudar. Não ser “os de antes” implica ter a sorte de que as experiências tenham nos impactado e tenhamos aprendido com elas.

Muitas vezes fica fácil comprovar que os que estão ao nosso redor mudaram e que, portanto, o nosso relacionamento com eles também mudou. Outras vezes parece muito complicado assimilar que nós também somos diferentes e perceber que o erro é olhar para trás com os olhos de hoje.

Quando nós mudamos

Parece correto afirmar que costumamos nos definir em função dos acontecimentos chave que nos marcaram e que sabemos que iremos lembrar para sempre. Estes acontecimentos podem ser resultado do contato com a realidade, desde uma viagem até uma desilusão amorosa, passando pela ansiedade de ter que enfrentar uma hipoteca.

Suponha, por exemplo, que você vai para outro país para passar uma temporada: ali terá que se adaptar aos modelos de vida locais, a costumes diferentes aos seus, e a pensamentos que abrirão muito a sua mente. Ou, outro exemplo, você pensa ter encontrado um amigo incondicional e descobre que não é bem assim.

Da na mesma se a experiência é boa ou ruim, basta que nos encha de sentimentos: não esqueceremos nunca a felicidade verdadeira, bem como termos nos levantado dos seus tombos. O que ficar após ter passado por isso será a escultura do que somos no momento presente: nossa essência é a mesma, mas já não somos os mesmos.

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Quando o nosso círculo social muda

Se de forma individual estamos obrigados a mudar, também estão os outros e, portanto, todos os relacionamentos que tivermos em comum. Quando o nosso círculo social muda, a família, os amigos, nosso amor… é bom ser flexível frente à mudança.

Contudo, também pode ter acontecido das mudanças terem provocado rupturas: você achava que conhecia as pessoas muito bem e percebeu que nunca se conhece completamente uma pessoa porque estamos em constante crescimento.

“Mas, o que você quer que eu diga?

O tempo vence tudo. Nos derrota

sem compaixão, terrível e brutalmente.

Porque um dia você a encontra na rua,

beija seu rosto fugazmente e sorri – “estão me esperando” – e vai embora.”

-Rodolfo Serrano-

Quando alguém do nosso círculo social vai embora dói muitíssimo e parece que o nosso mundo desaba: somente o tempo e o esforço nos tornam capazes de encontrar novamente essa pessoa e confirmar que a ferida está fechada. Mais uma vez vamos perceber que já não somos os mesmos que éramos.

Já não somos os mesmos

O tempo nos ativa: passa por cima de nós, nos chacoalha, nos ensina, nos revela e, acima de tudo, não nos faz indiferentes. De fato, qualquer dia, mesmo que pareça perdido, leva implícito o seguinte: decidimos constantemente, e quando não o fazemos, nos deixamos levar.

“Quando achei que tinha todas as respostas,

de repente mudaram todas as perguntas.”

-Mario Benedetti-

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Não tem problema se perder, apesar de não parecer assim superficialmente: não importa se nos perdemos no céu, como quando nos sustentam em uma nuvem de alegria constante ou se nos perdemos por estar muito tempo no chão. As duas coisas terão sido mestras e terão nos configurado mais um pouco física e psicologicamente.

O bonito e importante é ter o valor de continuar se conhecendo e a certeza de saber como e quem somos. Dessa forma, poderemos nos entregar às pessoas com total plenitude e encontraremos neles focos de felicidade que nos preencham. Em outras palavras, se brilharmos com nossas mudanças ajudaremos aos outros a brilharem com as suas mudanças.