Jiu-jitsu mental para combater o diálogo interno negativo

outubro 1, 2019
O jiu-jitsu, também conhecido como a arte marcial da flexibilidade, também pode ser aplicado ao nosso universo mental para nos defender do diálogo interno negativo e atacar os pensamentos que prejudicam a autoestima e o bem-estar.

jiu-jitsu mental é um exercício de reflexão com o qual se pode desativar os pensamentos negativos e inúteis. Trata-se de uma estratégia simples que todos nós deveríamos aplicar por uma razão evidente: a maioria de nós lida com esse diálogo interno desgastante que gosta de inibir potenciais.

Essas guerras mentais podem ser reduzidas se nos comprometermos a isso através desse recurso.

Mark Twain disse com seu humor único que a mente deve ser algo prodigioso, porque ele mesmo estava acostumado a travar as batalhas mais árduas com ela, para que deixasse de ser sua inimiga. Há muita verdade nesse raciocínio.

As pessoas são eternas prisioneiras desses enfoques mentais que, pelas mais diversas razões, nem sempre jogam a nosso favor.

Nesses jardins internos são comuns os eu não posso”, os “eu tenho que” e “o que os outros pensarão de mim se eu fizer ou disser isso”. Não é fácil desativá-los ou arrancá-los desse terreno pessoal como se fossem ervas daninhas por uma razão muito simples: estão conosco há muitos anos.

O diálogo interno negativo é como aquele companheiro de viagem incômodo ao qual demos um poder excessivo. No entanto, é possível se libertar dele. Essa técnica simples nos ajudará a atingir esta finalidade.

“Você pode ser pobre, seus sapatos podem estar rasgados, mas sua mente é um palácio”.
Frank McCourt-

Como lidar com o diálogo interno

3 estratégias do jiu-jitsu mental para desativar o diálogo interno negativo

jiu-jitsu é uma arte marcial japonesa que faz uso de uma ampla variedade de estratégias de ataque e defesa, onde o objetivo final é não utilizar armas. Essas técnicas eram empregadas no passado por guerreiros japoneses para enfrentar samurais armados ou com armaduras.

Diz-se também que é uma das artes marciais mais eficazes. O objetivo não é outro senão garantir que o adversário se renda, mas sem nunca fazer uso de uma violência proeminente ou extrema. Por esse motivo, o jiu-jitsu também é conhecido como a arte da suavidade ou da flexibilidade.

O enfoque dessa prática é muito útil para lidar com o nosso diálogo interno negativo. Assim, é interessante saber em que consiste o jiu-jitsu mental.

1. Mais tranquilidade, menos autossabotagem

Quando nos comprometemos a praticar qualquer esporte ou atividade de maneira regular, como a meditação ou o jiu-jitsu, as emoções negativas diminuem, nos sentimos mais calmos e focados.

  • Esse é um dos propósitos do jiu-jitsu mental: alcançar um equilíbrio interno e reduzir essas cotas de agressão contra nós mesmos por boicotes, críticas ou pelo clássico “não posso” ou “não é para mim”.
  • Por outro lado, é preciso levar um aspecto em consideração. Conforme explicado em um estudo realizado na Universidade de Michigan pelo Dr. Jason Moser, quando se trata de gerenciar e desativar o diálogo interno negativo, devemos fazer uso da terceira pessoa.
  • Nos universos mentais desgastantes, é comum conversarmos sempre em primeira pessoa. Ao fazer uso repentino da terceira pessoa, emerge uma voz com autoridade que, de alguma forma, nos impõe uma mudança.

Por exemplo: “Agora você precisa ficar calmo e focado. É proibido se questionar, se criticar. Ouça: você deve começar a valorizar mais cada coisa que você faz”.

2. Jiu-jitsu mental. A arte de imobilizar o que não é útil

Às vezes, na arte da luta, não buscamos machucar ou derrubar alguém. O que precisamos é simplesmente imobilizar e impedir essa pessoa para que pare de agir negativamente. Em nosso exercício diário de jiu-jitsu mental, essa estratégia (ou kata psicológica) também será útil.

  • O que faremos em primeiro lugar é detectar quais pensamentos não são úteis em um determinado momento.
  • Às vezes, por exemplo, fazemos um uso excessivo da autocrítica. É verdade que, às vezes, elas são necessárias, por exemplo, para percebermos que fizemos algo errado e permitir que melhoremos. No entanto, há momentos em que a voz da crítica é constante e quase obsessiva.

Nesses casos, é necessário aplicar o jiu-jitsu mental para imobilizá-la, para agarrá-la com firmeza e interromper sua atividade.

Diremos enfaticamente que não é o momento.Você está exagerando ao me questionar e me menosprezar. Pare de me criticar, faça-o quando necessário e útil. A única crítica que ouvirei é a que me permite crescer e aprender”.

Jiu-jitsu mental: a arte de imobilizar o que não é útil

3. Derrubar o pensamento que faz mal para promover o bem-estar

A terceira estratégia da arte do jiu-jitsu mental exige que sejamos um pouco mais contundentes. O objetivo é claro: derrubar o raciocínio inútil. Também é necessário derrubar as ideias  que nos imobilizam, além de descartar o que faz mal e diminui nossa capacidade de ser felizes, livres e maduros emocionalmente.

Mas, como derrubar o pensamento negativo? Essa seria uma maneira de fazer isso:

  • Detecte esses raciocínios prejudiciais para o seu bem-estar.
  • Confronte-os e encare-os ⇔ “Não apareça para a entrevista de emprego porque eles não vão te contratar, não vale a pena” ⇒ Eu tenho provas plausíveis de que não irão me contratar? Vai acontecer algo comigo por tentar? O que é pior, tentar ou ficar em casa preso com meus medos e minha insegurança?
  • Derrube, descarte e substitua A ideia de que não vale a pena ir para essa entrevista não é útil para mim e, portanto, paro de reforçá-la e impeço que volte a aparecer em minha mente. Em seu lugar, adoto outra: Eu irei a essa entrevista, darei o meu melhor, me sentirei confortável e confiarei em mim. Dessa forma, vou me orgulhar”.

Como podemos ver, o jiu-jitsu mental pode ser realmente útil se trabalharmos essas estratégias diariamente. Investir tempo e esforço no cultivo de um pensamento mais confiante e livre de crenças irracionais nos permitirá ser mais felizes e saudáveis.

  • Tod, D., Hardy, J., & Oliver, E. (2016). Effects of Self-Talk: A Systematic Review. Journal of Sport and Exercise Psychology33(5), 666–687. https://doi.org/10.1123/jsep.33.5.666
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  • Moser, JS, Dougherty, A., Mattson, WI, Katz, B., Moran, TP, Guevarra, D.,… Kross, E. (2017). El diálogo interno en tercera persona facilita la regulación de las emociones sin comprometer el control cognitivo: evidencia convergente de ERP y fMRI. Informes científicos , 7 (1). https://doi.org/10.1038/s41598-017-04047-3