O que é o lócus de controle em psicologia?

O lócus de controle se refere à percepção que uma pessoa tem sobre as causas do que acontece na sua vida e a origem do seu próprio comportamento, que pode ser interna ou externa. Descubra mais sobre este conceito interessante.
O que é o lócus de controle em psicologia?

Última atualização: 20 Abril, 2021

O lócus de controle (LC) é um termo amplamente utilizado no campo da psicologia, principalmente nos últimos anos. É usado para se referir à percepção que uma pessoa tem sobre as causas do que acontece na sua vida: ou seja, em que medida ela é considerada responsável pela origem do comportamento? Ela é externa ou interna?

Nesse sentido, o lócus de controle está relacionado com as implicações psicológicas do ponto de vista que uma pessoa adota e com a sua forma de interagir com o meio. A seguir, vamos analisar as principais características desse conceito.

“As pessoas que acreditam ter o poder de exercer algum grau de controle sobre suas vidas são mais saudáveis, mais eficazes e mais bem-sucedidas do que aquelas que não acreditam na sua capacidade de fazer mudanças em suas vidas."
-Albert Bandura-

O lócus de controle

Rotter, em 1966, propôs o conceito de lócus de controle (denominado com a palavra latina para ‘lugar de controle") como um traço de personalidade em sua teoria da aprendizagem social. No entanto, acredita-se que outros autores já tivessem se referido ao LC, de forma menos explícita, alguns anos antes.

Assim, Rotter o definiu em 1966 da seguinte maneira: “Se a pessoa percebe que o evento depende do seu comportamento ou das suas próprias características relativamente permanentes, diz-que que esta é uma crença no controle interno."

Por outro lado, o autor também afirmou que “quando um reforço é percebido como decorrente de alguma ação pessoal, mas não sendo inteiramente contingente a ela, é tipicamente percebido, em nossa cultura, como resultado da sorte (…), e neste sentido, já foi dito que é uma crença no controle externo”. (Visdomine-Lozano e Luciano, 2006).

Mulher pensativa em lago

Como podemos ver, Rotter estabeleceu uma clara diferença entre o controle interno e o controle externo. Assim, quando a pessoa atribui o que acontece externamente ao seu comportamento e percebe que tem controle sobre as consequências externas, ela teria um lócus de controle interno. Por outro lado, se ela acredita que o que aconteceu foi por sorte, acaso ou destino, ou seja, que o que aconteceu é independente do seu comportamento, ela manifestaria um lócus externo de controle.

Portanto, esse conceito é bastante importante, pois se uma pessoa acredita que o que acontece ao seu redor não depende dela, é difícil agir para mudar. Assim, ocorre uma espécie de paralisia que impede as pessoas de agirem ou atingirem os objetivos e metas propostos.

Existem duas extremidades do continuum ao longo das quais uma pessoa pode localizar o ‘lugar de controle" ou origem causal do que acontece com ela: o interno e o externo a si mesma.

Qual é a diferença entre o LC interno e o LC externo?

Como vimos antes, se uma pessoa tem um lócus de controle interno, ela perceberá a causa do sucesso ou do fracasso como algo interno a si mesma.

Essas pessoas, em geral, confiam nas suas habilidades, esforços e capacidade de persistir em uma tarefa para alcançar o resultado desejado. Além disso, isso pode levá-las a pensar que os resultados a serem obtidos podem ser controláveis, de modo que seria possível tentar atingir quase qualquer objetivo.  

Em relação ao lócus externo de controle, a pessoa geralmente percebe que os resultados das suas ações e comportamentos dependem de causas ou fatores externosPortanto, ela tenderá a presumir que o resultado dos seus esforços não dependerá de si mesma.
Assim, as pessoas com um LC externo desenvolvido terão expectativas pouco estáveis, e mais do que esperar um resultado por terem lutado por ele, irão esperá-lo como um desejo que pode ser suscetível a ser cumprido ou não. Desta forma, provavelmente depositarão uma certa esperança na possibilidade de que ocorra, embora sem a segurança de que irão conseguir.
Por exemplo, no âmbito dos estudos, os alunos caracterizados por uma predominância de LC interno desenvolverão uma alta autoestima e manifestarão expectativas otimistas em relação ao futuro. Nesse sentido, sua autoestima envolveria sentimentos de autoaceitaçãorespeito e amor por si mesmos.
Por outro lado, os alunos com um LC predominantemente externo irão atribuir seus sucessos ao destino ou à sorte. Portanto,  será difícil para eles acreditar que o sucesso depende diretamente deles e das suas ações em um determinado momento, o que pode levar à ideia de que não vale a pena planejar o futuro. 
Jovem estudando focado
Como podemos ver, a competência de eficácia – o grau em que uma pessoa se avalia como eficaz para atingir seus objetivos – está intimamente ligada à noção de internalidade. Isso ocorre porque as atribuições internas contribuem mais do que qualquer outra para aumentar a autoestima.
Por outro lado, a externalidade não deve necessariamente ser prejudicial à autoestima, uma vez que pessoas com lócus de controle externo tendem a não se sentirem responsáveis ​​por não conseguirem o que realmente desejam.
“Você pode viajar pelo mundo, mas terá que voltar a si mesmo."
-Krishnamurti-

Como podemos melhorar nosso lócus de controle?

Praticar o mindfulness ou a atenção plena fornece clareza ao lidar com situações que surgem no dia a dia. Na verdade, existem estudos (como o realizado por Hamarta, E. et al. em 2013, publicado no International Journal of Academic Research) que demonstram a eficácia dessas abordagens e nos quais essa técnica é referida como um preditor do lócus de controle.

Assim, a prática diária de mindfulness por 20 minutos pode trazer benefícios positivos a vários aspectos do nosso dia a dia, e entre eles, colaborar para facilitar a disposição para um LC adequado para cada uma das diversas situações que nos são apresentadas.


  • Rotter, J. B. (1966). Generalized expectancies for internal versus external control of reinforcement. Psychological monographs: General and applied80(1), 1.
  • Visdómine-Lozano, J. C., & Luciano, C. (2006). Locus de control y autorregulación conductual: revisiones conceptual y experimental. International Journal of Clinical and Health Psychology6(3).