Mary Shelley, biografia de uma mente criativa

outubro 10, 2019
Dizem que Mary Shelley se reunia com seu marido, Percy Shelley, Lorde Byron e outros amigos para conversar sobre histórias de mistério até tarde da noite. Após uma dessas reuniões, ela sonhou com a ideia central de Frankenstein, uma obra que a consagrou para sempre.

Vale a pena conhecer a biografia de Mary Shelley, autora da primeira grande obra de ficção científica da história: o romance Frankenstein, ou O Prometeu Moderno.

Muitos ignoram o fato de que essa famosa obra, levada ao cinema, à televisão e, inclusive, aos desenhos animados, foi escrita por uma mulher. Ela o fez em uma época em que o sucesso de uma figura feminina era improvável.

A vida de Mary Shelley foi tão fascinante quanto sua obra. Grandes tragédias, um grande amor que manteve em seu coração até a morte e uma vida cheia de ousadia e aventuras são o que a caracterizam. O que ela viveu na vida real poderia muito bem se tornar outro romance.

“Sentir amor por outro me colocará na engrenagem da existência que move os outros, mas da qual neste momento estou excluída”.
-Mary Shelley-

Embora Mary Shelley tenha ingressado na lista dos grandes escritores da literatura universal através de Frankenstein, essa não foi sua única obra.

Ela possui outros romances e peças de teatro, que nas últimas décadas têm chamado cada vez mais a atenção dos especialistas. Em vida, o sucesso de sua obra de ficção científica foi tão grande que ofuscou as demais criações.

Livro antigo aberto

Biografia de Mary Shelley, uma menina diferente

Mary Shelley nasceu em Londres em 30 de agosto de 1797. Sua família era de uma linhagem claramente progressista.

Seu pai, com quem Mary sempre teve um vínculo íntimo, era William Godwin, filósofo, jornalista e novelista. Sua mãe, Mary Wollstonecraft, uma filósofa pioneira do movimento feminista.

Lamentavelmente, mãe de Mary morreu ao dar-lhe à luz. Aparentemente, teve uma infecção e a febre descontrolada a levou à morte.

Essa mulher havia tido uma outra filha quando era solteira. O pai de Mary a recebeu como sua própria filha. As duas meninas cresceram como irmãs e tiveram uma relação muito próxima durante suas vidas.

Quando Mary tinha 3 anos, seu pai se casou novamente com uma vizinha, que também tinha duas filhas. Ao que parece, Mary veio a odiar sua madrasta. Ainda assim, teve uma infância e uma adolescência felizes.

Seu pai educou a ela e a sua irmã Claire de uma maneira muito liberal. Ele permitiu que tivessem acesso à uma ampla formação e se preocupou em torná-las mulheres bem instruídas.

O grande amor da biografia de Mary Shelley

Quando Mary Shelley tinha 17 anos, conheceu o poeta e escritor Percy Bysshe Shelley. Ele tinha 22 anos e era casado. Frequentava a casa de Mary Shelley pois era amigo de seu pai.

Os dois começaram a se encontrar secretamente no túmulo da mãe de Mary. Esse era um lugar querido para ela. Ela dizia que havia aprendido a escrever desenhando com o dedo o nome da mãe na lápide.

Mary Shelley tinha uma visão liberal do casamento e do amor. O pai, e a sociedade em geral, se opuseram a esse relacionamento. No entanto, os amantes fugiram para Paris na companhia de Claire, meia-irmã de Mary.

O casal teve um relacionamento baseado no interesse mútuo pela literatura e pelo mundo das ideias. No entanto, muitas vezes Percy tinha que se ausentar para evitar seus credores.

Essas separações eram uma fonte de angústia para Mary, que engravidou em 1814. Seu parceiro, Percy, flertava abertamente com sua meia-irmã. Ele também teve um filho com sua esposa na mesma época.

Mary deu à luz em fevereiro de 1815, mas sua filha morreu antes de completar um mês. Isso a mergulhou em uma forte depressão.

Livro antigo

Uma grande escritora

Logo após esses eventos, a esposa de Percy se suicidou. Isso fez com que grande parte da sociedade rejeitasse seu relacionamento com Mary. Por isso, eles decidiram ir embora, também perseguidos pelas dívidas.

Foram a Genebra, onde tiveram noites interessantes com Lorde Byron, o grande poeta, que, além disso, havia tido um filho com a meia-irmã de Mary. Essas noites inspiraram Mary, que escreveu Frankenstein após sonhar com o seu enredo.

Teve outros dois filhos com Percy. Posteriormente, foram para a Itália, onde levaram uma vida nômade. O filho mais velho do casal morreu em 1818, seguido da morte da irmã mais nova um ano depois.

Mary se mostrava deprimida e doente quase o tempo todo. No entanto, em 1819 teve um quarto filho, que foi o único que sobreviveu.

Em 1822, durante a viagem de volta a bordo de um veleiro, Percy morreu afogado. Mary pediu que seu corpo fosse cremado, mas solicitou antes que seu coração fosse retirado. Então, ela e seu filho Percy Florence retornaram à Inglaterra.

Nos últimos anos de sua vida, Mary sofreu de paralisia em diferentes partes do corpo. Morreu aos 54 anos, provavelmente vítima de um tumor cerebral.

Após a sua morte, verificaram sua mesa de trabalho. Em uma das gavetas, encontraram o coração de seu marido envolto em um papel de seda que continha um de seus poemas, junto com parte de suas cinzas. Além disso, havia mechas de cabelo das três crianças falecidas.

Tirado, G. P. (2012). Vida artificial y literatura: mito, leyendas y ciencia en el Frankestein de Mary Shelley. Tonos digital: Revista electrónica de estudios filológicos, (23), 36.