Meninges: estrutura e funções

· abril 9, 2019
A pia-máter é a camada mais interna das meninges. Trata-se de uma estrutura delicada, bem vascularizada e de tecido conectivo que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal.

O cérebro e a medula espinhal estão envolvidos por três camadas membranosas: as meninges. Estas são a dura-máter, a aracnoide e a pia-máter. O conjunto dessas duas últimas, pia-máter e aracnóide, formam a leptomeninge, enquanto a dura-máter forma a paquimeninge.

A principal função das meninges é proporcionar uma camada protetora ao cérebro, um órgão muito vulnerável. Como resultado, precisa de uma proteção especial que nenhum outro possui. Pelo menos não da mesma forma. Assim, as meninges são responsáveis por isso. Além disso, essas camadas protetoras participam da barreira hematoencefálica.

As meninges se desenvolvem a partir de uma camada precursora conhecida como meninge primitiva. Esta é composta por elementos derivados do mesênquima e da crista neural. Além disso, é separada em duas camadas distintas: endomeninge interna e ectomeninge externa.

A endomeninge se diferencia em aracnoide e pia-máter e é derivada tanto do mesoderma quanto do ectoderma. A ectomeninge forma a dura-máter e os ossos do neurocrânio e é formada apenas a partir do mesoderma.

Estrutura cerebral

Estrutura das meninges

A dura-máter

É a camada mais externa. A dura-máter é composta por duas camadas. A primeira, a camada externa, é o periósteo do crânio e contém vasos sanguíneos e nervos. Adere-se à superfície interna do crânio com articulações especialmente ajustadas às suturas e base do crânio.

A camada mais profunda da dura-máter é conhecida como camada meníngea. Essa camada é responsável por formar reflexos que dividem o cérebro em compartimentos.

Entre esses compartimentos, os mais proeminentes são a foice do cérebro e a tenda do cerebelo. Além disso, não existe uma borda distintiva entre a dura meníngea e o periósteo. Isso só ocorre quando se separam para formar os seios venosos durais. As camadas podem ser diferenciadas histologicamente pelo fato de que a camada meníngea possui menos fibroblastos e proporcionalmente menos colágeno (2).

Aracnoide ou camada intermediária

A aracnoide é a camada intermediária das meninges. Contém o espaço subaracnoideo que, por sua vez, armazena o líquido cefalorraquidiano (LCR). A profundidade do espaço subaracnoideo varia dependendo da relação entre as camadas aracnoide e pia-máter.

Essa camada é composta por duas camadas celulares diferentes. Seguindo a borda das células da dura-máter encontra-se a camada de células de barreira aracnóide (3). Essa camada está cheia de células bem unidas por inúmeros desmossomos e uniões estreitas. Assim, estes proporcionam à camada uma função de barreira que evita o movimento do fluido através dela.

No fundo da aracnoide encontra-se a camada aracnoide reticular. As células dessa camada unem o espaço subaracnoideo e se juntam à pia-máter. Além disso, envolvem os vasos sanguíneos que passam pela camada (1).

  • Granulações aracnoides. São estruturas microscópicas que desempenham um papel importante na absorção do LCR. No entanto, o mecanismo não é claro. Além disso, considera-se que as granulações aracnoides também podem ter um papel como regulador do volume de LCR.
Representação das meninges

Pia-máter

A pia-máter é a camada mais interna das meninges. É uma estrutura delicada, bem vascularizada e de tecido conectivo que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal.

Forma uma camada contínua de células bem aderidas à superfície do cérebro que submergem nas fissuras e nos sulcos. As células são ligadas por desmossomos e junções comunicantes, o que, como resultado, permite que essa camada cumpra uma função de barreira.

Espaços de Virchow-Robin

Os espaços de Virchow-Robin são espaços ao redor dos vasos (perivasculares) que circundam as pequenas artérias e as arteríolas. Eles perfuram a superfície do cérebro e se estendem para dentro do espaço subaracnoideo (1).

Foi demonstrado que esses espaços aumentam de tamanho com a idade, sem uma perda aparente associada de função cognitiva (4). Além disso, a dilatação desses espaços está associada a patologias como hipertensão, transtornos neuropsiquiátricos, esclerose múltipla e trauma (5).

Para concluir, os autores Patel e Kirmi (2009) enfatizam a importância de conhecer as meninges. Assim, é fundamental entender a estrutura, as funções e a anatomia: isso nos permitirá entender a propagação e a localização das patologias relacionadas às meninges. Além disso, a patologia mais comum que se conhece em relação a estas é a meningite.

  1. Patel, N., & Kirmi, O. (2009). Anatomy and imaging of the normal meninges. In Seminars in Ultrasound, CT and MRI (Vol. 30, No. 6, pp. 559-564). WB Saunders.
  2. Haines, D. E., Harkey, H. L., & Al-Mefty, O. (1993). The “subdural” space: a new look at an outdated concept. Neurosurgery, 32(1), 111-120.
  3. Alcolado, R., Weller, R. O., Parrish, E. P., & Garrod, D. (1988). The cranial arachnoid and pia mater in man: anatomical and ultrastructural observations. Neuropathology and applied neurobiology, 14(1), 1-17.
  4. Groeschel, S., Chong, W. K., Surtees, R., & Hanefeld, F. (2006). Virchow-Robin spaces on magnetic resonance images: normative data, their dilatation, and a review of the literature. Neuroradiology, 48(10), 745-754.
  5. Kwee, R. M., & Kwee, T. C. (2007). Virchow-Robin spaces at MR imaging. Radiographics, 27(4), 1071-1086.