Método KiVa: uma estratégia para acabar com o bullying

Método KiVa: uma estratégia para acabar com o bullying

março 18, 2017 em Psicologia 5 Compartilhados
Método KiVa: uma estratégia para acabar com o bullying

O bullying ou “assédio moral” é uma forma repetida de violência que produz na vítima um dano em diferentes níveis, desde suas relações sociais até sua autoestima. Seu objetivo é sujeitar por meio da intimidação. Embora associemos o bullying com as escolas, ele também pode se estender para as redes sociais ou para diferentes âmbitos. As consequências são terríveis para as vítimas, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. Para combater esse flagelo, criaram na Finlândia o método KiVa.

Os protagonistas desta situação costumam ser menores de idade, na fase da adolescência, e infelizmente é um tipo de violência que ocorre em muitas sociedades. Além disso, é verdade que a tecnologia, especialmente difundida no mundo ocidental, fez com que os espaços em que a vítima se sente segura tenham praticamente desaparecido.

O que mais preocupa nessa situação é o aumento de casos durante os últimos anos nas escolas. Pior ainda, algumas situações de bullying escolar são tão intensas e frequentes que a vítima só vê uma saída: o suicídio. Por esta razão, em alguns países do mundo as autoridades estão começando a tomar medidas para resolver este problema.

Finlândia, um exemplo para o mundo

Os especialistas afirmam que em algumas escolas o bullying supera os 70%. Por isto, eles pediram para que a comunidade educativa reconheça essa realidade. Por ouro lado, e ainda mais importante, que adotem medidas de prevenção onde o abuso e o assédio são emergentes.

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A Finlândia é um exemplo para o mundo com a criação do método KiVa, cujos resultados após sua aplicação são encorajadores. Este país nórdico assumiu o desafio de acabar com o bullying em seu sistema de ensino. Como consequência dessa intervenção especializada, a Finlândia conseguiu reduzir o assédio na escola em 90% nos últimos anos.

Isto rendeu todos os tipos de elogios a nível mundial, como ocupar o primeiro lugar em qualidade de educação primária e superior. Além disso, o país ocupa o primeiro lugar na formação do Índice de Competitividade Global (ICG). Tudo isso como consequência de um elevado nível de consciência social e de ter investido uma quantidade importante de recursos na educação.

Atualmente a Finlândia é considerada um dos países mais inovadores e criativos da Europa e do mundo. É importante notar que as consequências do bullying não afetam apenas os que são diretamente envolvidos, mas a toda a comunidade de ensino e também às famílias dos envolvidos.

O que é o método KiVa?

O termo KiVa é o resultado da fusão da primeira sílaba das duas palavras em finlandês que significam bullying escolar. A aplicação deste método revolucionário foi propagada na maior parte dos centros educativos e não foi preciso esperar para comprovar o sucesso. Tanto é que os educadores o consideram uma ferramenta imprescindível para trabalhar com seus alunos.

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O projeto KiVa foi o resultado de um pedido específico feito pelo governo para a comunidade de ensino daquele país, com base em estudos preliminares e preocupantes sobre a violência na escola. Confrontados com este pedido, profissionais de diversas áreas e instituições de vários tipos trabalharam em conjunto para elaborar o método KiVa.

Em sua fase experimental, este programa alcançou resultados surpreendentes. Durante o primeiro ano, o bullying foi reduzido em 41%. Em poucos anos, o bullying nas escolas tinha diminuído em 80%. Tudo isso, adicionalmente, motivou os alunos a estudar mais e a obter melhores notas. Estes números espetaculares falam por si, o que despertou um interesse incomum de conglomerados de educação a nível mundial.

O grande sucesso do método KIVa foi o fato de não se concentrar exclusivamente no confronto entre o agressor e a vítima. O foco foi dirigido para o espectador, que participava indiretamente do abuso em questão e o reforçava. Não se tratava de fazer com que a vítima revelasse seus sentimentos como resultado do bullying, e também não consistia em fazer com que o agressor sentisse empatia pela sua vítima.

Decifrando o quebra-cabeça

A chave estava em agir sobre os alunos que testemunhavam essa situação e que, em geral, respondiam com risadas. Estes espectadores poderiam estar inclinados à rejeição ao presenciarem a agressão. No entanto, acabavam interiorizando o ato como algo normal e até mesmo divertido. Portanto, o propósito do método KiVa era fazer com que os espectadores não participassem diretamente nessas situações de bullying.

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O projeto, em sua fase inicial, se preocupou em instruir as crianças de sete anos em diante. O objetivo era fazer com que elas soubessem identificar os diferentes tipos de bullying. Esta instrução consiste em cursos, em que se comentam e analisam diferentes temáticas relacionadas com o bullying escolar. Também se ensina a empatia, o respeito pelos outros e os valores morais.

São utilizados recursos pedagógicos, tais como videogames, livros e palestras. Tudo isso é reforçado com instruções para os professores, vigilância durante os intervalos e acompanhamento nos trabalhos realizados em grupo. Foi criada até mesmo uma caixa de correio virtual em que o aluno podia denunciar se era vítima de abuso ou se havia testemunhado um.

Resultados da aplicação do projeto

Em cada escola em que o projeto é aplicado, o diretor seleciona um grupo de três adultos responsáveis por ano de escolaridade. Estes garantem a conformidade com o método e aprendem a usar as ferramentas que permitem detectar o tempo e investigar todas as formas de bullying que ocorrem na escola.

Este processo compreende o diálogo com a vítima, para a tranquilizar; e com o agressor, para o sensibilizar. Por outro lado, falam com os espectadores do ato, já que eles constituem a pedra angular do projeto. Por fim, é realizada uma sequência de verificação, que na maioria dos casos mostra um resultado positivo.

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A mudança drástica gerada pela implementação do método KiVa nas escolas da Finlândia é apenas uma demonstração do seu potencial. Sua implementação, quando realizada em tenra idade, produz os melhores resultados. Além disso, ajuda a reparar rachaduras nas estruturas educacionais e familiares.

Quando os menores são educados para não apoiar, de forma ativa ou passiva, comportamentos violentos desse tipo, vemos como é produzida uma mudança de mentalidade neles. Projetos como este se materializam em conquistas graças às pessoas que pensam que podem realizar mudanças na sociedade para torná-la mais coesa, justa e solidária.

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