A multitarefa com mídias digitais pode alterar a memória, segundo um estudo

O cérebro não parece ser compatível com a tendência de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Um novo estudo lança luz sobre isso.
A multitarefa com mídias digitais pode alterar a memória, segundo um estudo

Última atualização: 06 Outubro, 2021

Um estudo recente mais uma vez “colocou o dedo na ferida” em termos de multitarefa com mídias digitais. Embora esta não seja uma pesquisa totalmente conclusiva, ela apresenta fortes insights sobre o efeito de olhar para várias telas ao mesmo tempo. Este hábito pode prejudicar a memória.

A pesquisa, que foi publicada na revista Nature, foi realizada por uma equipe de cientistas liderada pelo Dr. Kevin Madore. De um modo geral, ela apresenta um experimento com jovens adultos e oferece fortes evidências de que a multitarefa com mídia digital afeta o desempenho cognitivo.

Qualquer homem que consegue dirigir com segurança enquanto beija uma garota bonita não está dando ao beijo a atenção que ele merece.”
-Albert Einstein-

Embora se fale há muito tempo sobre problemas de memória causados pela multitarefa com mídias digitais, agora existem elementos muito sólidos para provar isso. Ainda assim, os pesquisadores foram cautelosos a esse respeito e sugeriram a necessidade de mais estudos para corroborar suas conclusões.

Cérebro com mecanismos

Multitarefa com mídias digitais

O que a equipe de pesquisadores fez foi recrutar um grupo de 80 voluntários, todos com idades entre 18 e 26 anos. O objetivo era descobrir se a multitarefa com as mídias digitais afetava o desempenho cognitivo.

Antes de continuar, vamos esclarecer algo. Quando se fala em multitarefa com mídias digitais, faz-se referência a situações em que uma pessoa está interagindo com vários dispositivos de tela ao mesmo tempo. Por exemplo, quando você assiste televisão enquanto conversa com alguém e olha as redes sociais no celular.

Para estudar o assunto, os cientistas colocaram os 80 jovens em uma situação que exigia atenção e memória. Eles foram apresentados a um grupo de objetos em uma tela de computador e solicitados a classificá-los de acordo com diferentes variáveis, como tamanho ou gosto.

Depois de fazer várias rodadas, todos tiveram um intervalo de 10 minutos. Em seguida, eles foram apresentados a um novo grupo de objetos e tiveram que responder se já os tinham visto nas rodadas anteriores, ou se era a primeira vez que eles estavam sendo apresentados.

Os resultados do estudo

Durante o experimento, os voluntários foram monitorados por eletroencefalografia. Graças a essa técnica, é possível monitorar a atividade neuronal e o diâmetro da pupila. Isso possibilitou detectar a atividade da atenção e da memória. Uma redução no diâmetro da pupila, por exemplo, é um sinal de falta de atenção.

Ao final, todos os participantes responderam a um questionário. As respostas possibilitaram quantificar o nível de atenção dos voluntários, bem como sua tendência a divagações e, é claro, sua inclinação para a multitarefa com as mídias digitais no dia a dia. Esta informação foi cruzada com a obtida na fase anterior.

Os resultados mostraram que aqueles que realizaram mais multitarefa com as mídias digitais também foram mais propensos a ter a atenção dispersa. Da mesma forma, evidenciou-se que o esquecimento se manifestou principalmente diante da primeira rodada de imagens e que os padrões cerebrais apresentaram uma redução da memória episódica, ou seja, aquela que está relacionada a eventos específicos.

Garota trabalhando distraída com o celular

Um tema que continuará a ser estudado

As observações do estudo permitiram concluir que existe uma relação clara entre a dificuldade de manter a atenção, a multitarefa com mídias digitais e o baixo desempenho da memória. Em outras palavras, aqueles que se distraem facilmente e usam vários dispositivos ao mesmo tempo também têm menos capacidade de lembrar.

A verdade é que esta pesquisa não permite concluir que a multitarefa com mídias digitais é o que causa problemas de atenção e memória. Na verdade, pode ser o contrário, ou seja, as dificuldades de concentração e memorização tornam as pessoas mais propensas à multitarefa. Portanto, mais estudos ainda são necessários para se chegar a uma conclusão definitiva.

Enquanto isso, muitos especialistas apontam que o cérebro humano não foi projetado para cuidar de várias coisas ao mesmo tempo. Portanto, não seria incomum descobrir que a multitarefa é, de fato, um fator que prejudica as habilidades intelectuais.

Por isso, é muito importante que haja uma maior sensibilização para o uso das novas tecnologias e, sobretudo, moderação na forma como elas são geridas.

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  • Alonso, G. T., & Raigada, J. L. P. (2014). Multitarea, Multipantalla y Práctica social del consumo de Medios entre los jóvenes de 16 a 29 años en España. María José Arrojo Baliña, 93.