Os valores nas relações amorosas

janeiro 11, 2020
Os valores nas relações amorosas tomam forma através dos membros que as compõem. Neste sentido, o que sabemos é que é mais provável que o projeto siga adiante quando os valores de ambos são parecidos.

Partindo do princípio de que não existem dois casais iguais, vamos falar sobre o que a semelhança de valores pode trazer de bom às relações amorosas, fazendo com que elas fluam de uma maneira saudável. Estabelecer valores específicos em uma relação amorosa pode assentar as bases para que o relacionamento funcione adequadamente.

O que é um casal? O termo pode se referir a um conjunto de duas pessoas em uma relação afetiva mais ou menos formalizada: namoro, noivado, casamento ou união estável.

A que estamos nos referindo ao falar de valores? Os valores fazem referência às qualidades ou virtudes que caracterizam uma pessoa, uma ação ou um objeto, e são considerados positivos ou de grande importância por parte de um grupo social.

Em outras palavras, os valores seriam aquelas qualidades que se destacam em cada pessoa que as levam a agir de uma ou outra forma devido ao fato de que fazem parte das suas crenças. Além disso, expressam os seus interesses e condicionam os seus comportamentos.

“As suas crenças se transformam nos seus pensamentos, os seus pensamentos se transformam nas suas palavras, as suas palavras se transformam nas suas ações, as suas ações se transformam nos seus hábitos, os seus hábitos se transformam nos seus valores, os seus valores se transformam no seu destino”.
-Mahatma Gandhi-

Coração desenhado em vidro

Os valores nas relações amorosas

No estudo de Medina et al. (2005), na dimensão semântica da intimidade, observa-se que tanto homens quanto mulheres buscam alguém com necessidades semelhantes, compatível, com características em comum, com quem seja possível se identificar, com gostos similares.

Segundo a teoria instrumental da seleção de parceiros, o ponto anterior se deve ao fato de que as pessoas buscam alguém que possua valores parecidos com os seus (Centers, 1975). Desta forma, os casais se formam ao identificar companheiros que tenham características sociais, econômicas e culturais semelhantes (Rice, 1997).

“Encontre pessoas que compartilhem os seus valores, e juntos vocês vão conquistar o mundo”.
-John Ratzenberger-

Se remarmos juntos, na mesma direção…

Remar juntos na mesma direção, determinar os valores nas relações amorosas, pode assentar as bases para que esses relacionamentos funcionem adequadamente ou para que melhorem.

Os comportamentos e expectativas que cada indivíduo tem, neste caso referentes à relação de casal, respondem às crenças e valores sociais transmitidos mediante o processo de socialização ao qual foram sujeitos (Kaminsky, 1981).

O processo de socialização é transformador através do tempo, pois consegue que os valores e as normas sociais mudem, motivo pelo qual espera-se que as crenças e condutas das pessoas também o façam (Díaz-Guerrero, 2003).

É assim que as expectativas, valores e condutas nas relações amorosas mudaram (García-Meráz, 2007), conseguindo criar novos parâmetros, os quais são influenciados e respondem à situação social em que o casal se encontra (Snyder e Stukas, 1999).

Trabalhando pelos valores certos nas relações amorosas

Estabelecer valores nas relações amorosas é um objetivo que requer um trabalho conjunto. Como falamos a princípio, cada casal é único e, portanto, os valores que o formam também.

No entanto, podemos falar de alguns valores básicos sobre os quais a maioria dos casais concorda. Falamos de valores como o amor, a fidelidade, o apoio mútuo, a generosidade, o respeito mútuo e a comunicação. A seguir, descreveremos cada um deles.

Amor

Há muitos tipos de amor, mas todos são regidos pelo mesmo fio condutor. Dizer “te amo” a alguém não é igual a dizer “te desejo”.

Estas sequências, próximas e longínquas, unem uma série de fenômenos que vão desde a paixão até o amor estabelecido e, a partir daí, à convivência. Supõe a surpresa de descobrir a outra pessoa e ir se apaixonando, para alcançar uma fórmula estável, duradoura e persistente.

Fidelidade

A fidelidade vai depender do tipo de acordo estabelecido previamente. Cada casal estabelece um tipo de compromisso. Há casais exclusivamente monogâmicos, outros não.

O assunto parece claro: se os pactos forem cumpridos, há fidelidade. Quando não são cumpridos, há uma armadilha.

Apoio

Poder se apoiar em outra pessoa, contar com o fato de que ela não vai falhar e vai proteger seus interesses, é uma sensação que nos torna mais valentes, menos vulneráveis.

Este é um ponto a favor para lidar com a adversidade. Trata-se de empatizar com o parceiro, tentando compreender mais e melhor o outro, expressando aceitação e apoio incondicional.

“O amor estabelece as bases de todos os valores humanos”.
-Milan Hollister-

Generosidade

Pode parecer estranho, mas há ocasiões em que o egoísmo ganha espaço na frente da generosidade. Há quem tenha dificuldade para ser generoso com seu parceiro e só saiba pedir ou olhar para si mesmo (“eu preciso”, “eu quero”, “eu gostaria de”), o que gera sentimentos negativos.

No entanto, estar em uma relação amorosa é mais do que isso. A melhor forma de ser generoso com o parceiro é não pensar apenas em si mesmo, é se colocar no lugar do outro, tentando entender o seu ponto de vista, mesmo sem concordar com ele em algumas ocasiões.

Respeito

Construir uma relação a partir do respeito mútuo é um valor imprescindível. Nesse ponto, os membros do casal precisam estar no mesmo nível.

Trata-se de oferecer um espaço individual na relação e um espaço para os dois. Também falamos de respeito quanto aceitamos a outra pessoa em sua totalidade, sem tentar modificá-la.

Casal apaixonado

Comunicação

Seria bom estabelecer uma comunicação assertiva e fluida, que gere confiança. A chamada comunicação assertiva é definitiva por Satir (1988) como a capacidade de se expressar de uma forma direta, honesta e respeitosa.

Em todo caso, abrir canais de comunicação na relação significa que ambas as pessoas assumam o compromisso de compartilhar o que corresponde a um vínculo, ou seja, desacordos, conquistas, metas em comum, necessidades, etc., ou desenvolver a disposição de aprender a fazê-lo. A boa comunicação se reflete em vínculos saudáveis, respeito mútuo, afeto, carinho e companheirismo.

Centers, R. (1975). Sexual attraction and love: An instrumental theory. Springfield, IL: Ch. C. Thomas.

Díaz Guerrero, R. (2007).La psicología del Mexicano 2. Bajo las garras de la cultura. (2 Ed.) México: Trillas.

García-Meraz M. (2007). Inicio, mantenimiento y disolución de la pareja: Socio cultura y valores en parejas del norte, centro y sur de la República Mexicana. (Tesis no publicada de Doctorado). UNAM, México.

Kaminsky, G. (1981).Socialización. México: Editorial Trillas.

Medina, J. L. V., López, N. I. G. A., & Valdovinos, Z. P. S. (2005). Elección de pareja en universitarios mexicanos. Enseñanza e Investigación en Psicología10(2), 355-367.

Rice, F.P. (1997). Desarrollo humano, estudio del ciclo vital (2ª ed.). México: PrenticeHall.

Riso, W. (2003). La fidelidad es mucho más que amor. Editorial Norma.

Rojas, E. (2006). El amor inteligente. Salvat.

Rojas, J. O. (2012). El vínculo de pareja: Una posibilidad afectiva para crecer. Revista Electrónica Educare16, 23-30.

 

Satir, V. (1998). Nuevas relaciones humanas en el núcleo familiar. México: Pax.

Snyder, M. & Stukas, Jr. A. A. (1999). Interpersonal processes: The interplay of cognitive, motivational and behavioral activities in social interaction. Annual Review of Psychology, 50, 273-303.