Ser muito responsável pode ser prejudicial?

09 Agosto, 2020
Ser responsável é algo considerado positivo, mas será que, em excesso, essa característica pode ser prejudicial? Vamos explorar esta questão em detalhes a seguir.
 

Atualmente, mantemos um ritmo de vida carregado de tarefas que, como efeito colateral, nos enchem de responsabilidades. Estamos constantemente dizendo “eu tenho que…”, “eu preciso fazer …” ou “eu deveria ter ido…”. Essas frases, aparentemente inocentes, nos deixam com uma série de sentimentos de obrigação e responsabilidade que podem ser verdadeiramente prejudiciais. Assim, surge uma pergunta: ser muito responsável pode ser negativo?

Ter responsabilidades é bom e necessário, mas se não soubermos gerenciar tudo que ela implica, podemos cair em uma série de pensamentos que determinam a forma como nos comportamos com nós mesmos e com os outros.

Na verdade, essa sensação ampliada de responsabilidade tem sido relacionado a uma grande variedade de consequências: ansiedade, depressão, obsessões, distúrbios alimentares, problemas de comunicação, etc.

Ser muito responsável pode ser prejudicial?

O que o fato de ser muito responsável pode esconder?

Ser responsável, por definição, é estar ciente e comprometido com as próprias obrigações. No entanto, uma personalidade em que o senso de responsabilidade é grande demais pode ser o indicativo de outros aspectos psicológicos que podem se transformar em armadilhas.

 

Perfeccionismo

A responsabilidade implica querer fazer as coisas e querer fazê-las bem. Obviamente, todos gostamos de ser eficientes e obter bons resultados. No entanto, existem pessoas que buscam a verdadeira perfeição.

O problema é que o conceito de perfeição é subjetivo e baseado no que todos consideram ideal. Assim, alguém que é perfeccionista geralmente estabelece um objetivo alto e, até alcançá-lo, não terminará a tarefa.

Por esse motivo, eles passam muito tempo focando nos seus objetivos, desenvolvendo comportamentos rígidos ou até mesmo controladores. O problema é que a pessoa perfeccionista realmente passa todo esse tempo sofrendo caso não tenha sucesso. Com isso, ela acaba promovendo sua insegurança e falta de confiança.

Eles raramente ficarão satisfeitos com o resultado obtido e qualquer falha será percebida como um verdadeiro fracasso pessoal.

Autoexigência

As pessoas muito responsáveis ​​geralmente exigem muito de si mesmas. Elas querem assumir uma infinidade de tarefas, principalmente para garantir que tudo seja realizado da maneira “certa”. Isso as torna muito exigentes. Elas querem superar todas as adversidades e cumprir todas as obrigações, criando níveis de autoexigência que talvez excedam suas verdadeiras capacidades.

Assim, ser exigente e responsável pode se tornar uma armadilha. O objetivo pode ser superar a si mesmo ou aos outros, em vez de cumprir certas obrigações. Nesse caso, se surgir algum inconveniente ou o resultado for um pouco menor do que o esperado, a pessoa será confrontada com sentimentos de frustração, vergonha e culpa.

 

Expectativas

Ter obrigações implica atender a certas expectativas. Seja finalizando uma tarefa importante ou outra atividade, significa que alguém está esperando que façamos alguma coisa. E, é claro, alguém que é perfeccionista, exigente e responsável não pode falhar na sua tarefa.

Da mesma forma, alguém muito responsável define grandes expectativas para si mesmo. Como nos aspectos anteriores, o estabelecimento de expectativas tem, por um lado, a vantagem de ajudar a atingir uma meta, mas, por outro, o risco de não conseguir. Acontece que dificilmente o resultado será exatamente o que era esperado e, por ter investido esforços nele, as consequências podem ser fatais.

Consequências de ser muito responsável

A responsabilidade inevitavelmente leva a ter uma ideia mais fixa do que é certo e a ter mais preocupações. Assim, como tudo, quando atinge níveis elevados, gera uma série de consequências que, se não forem gerenciadas, podem causar muitos danos.

Psicológicas

Preocupações significam nada mais do que antecipar eventos futuros. Assim, focar em cumprir ou não uma tarefa, obter o resultado desejado, o desejo de excelência, etc. acaba gerando um sentimento geral de ansiedade.

Um estudo conjunto da Universidade de Hiroshima e da Universidade da Flórida Central descobriu que a responsabilidade é o denominador comum de transtornos de ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo.

Esses cientistas identificaram três tipos principais de responsabilidade: a necessidade subjetiva de cuidar e proteger os outros, o esforço excessivo para encontrar uma solução para um problema e os sentimentos de culpa, de se sentir responsável por tudo.

 

Nesse mesmo estudo, eles viram que o último tipo foi o que gerou mais ansiedade nos participantes. Isso acontece porque envolve pensar constantemente no impacto que os próprios atos têm sobre o meio, gerando, por sua vez, mais preocupação e responsabilidade.

Mulher com dor de cabeça

Sociais

Pessoas excessivamente responsáveis, como indicado acima, também têm altos níveis de autoexigência. Assim, é comum ver que essas pessoas também são muito exigentes com os outros.

Suas crenças rígidas e a sólida percepção do que é apropriado as fazem esperar o mesmo dos outros, e dificilmente entenderão outras formas de agir que não as suas próprias. É por isso que poucas pessoas estão à altura das suas expectativas.

Em resumo, as pessoas hiper-responsáveis ​​têm uma visão distorcida e fechada da realidade, assumindo obrigações que talvez nem existam e exigindo cumpri-las. Portanto, é necessário estabelecer prioridades e aprender a discernir aquilo que podemos assumir e as nossas verdadeiras capacidades. E, acima de tudo, entender até onde vão os nossos limites.