O que é a síndrome da péssima mãe?

A síndrome da péssima mãe faz com que muitas mulheres se sintam constantemente oprimidas e culpadas por não se encaixarem nos moldes que a sociedade espera que elas assumam. Que implicações esse fenômeno tem?
O que é a síndrome da péssima mãe?

Última atualização: 03 Novembro, 2021

Antes de falar sobre a síndrome da péssima mãe, queremos convidá-lo a fazer um pequeno teste. Pense, para você, quem é uma boa mãe? Que atributos ela tem? Você provavelmente pensou em uma mulher gentil, compreensiva, complacente e abnegada.

Você pode não ter adicionado outros elementos: uma mulher feliz, satisfeita e emocionalmente saudável. No entanto, são precisamente essas últimas características que mais beneficiam a criação dos filhos.

Se o seu conceito de maternidade for mais semelhante ao da primeira opção, você provavelmente sofre ou virá a sofrer com a síndrome da péssima mãe. Esse termo não se refere à atuação da mulher em termos objetivos, mas à forma como ela se percebe em relação ao exercício do seu papel.

Milhões de mães no mundo se sentem constantemente culpadas, oprimidas e estressadas por não se encaixarem nos moldes que os outros definiram para elas. E isso acaba impactando negativamente a sua saúde e a sua vida familiar. Se você deseja descobrir mais sobre este fenômeno, queremos convidá-lo a continuar lendo.

Mulher exausta sofrendo da síndrome da péssima mãe

O que é a síndrome da péssima mãe?

A síndrome da péssima mãe reflete o autoconceito negativo que as mulheres têm sobre o seu papel materno e as emoções negativas que dele decorrem. Em última análise, entra em jogo quando você sente que não está indo bem, que não está à altura e que é incapaz de cumprir os padrões impostos.

Este é um fenômeno relativamente recente, pois está intimamente relacionado às mudanças sociais. Apenas algumas décadas atrás, o papel da mulher era principalmente o de ser mãe, educar seus filhos, cuidar deles e cuidar da casa. Em suma, sacrificar-se como indivíduo em prol da dinâmica familiar.

Nos últimos tempos, após a incorporação das mulheres no mercado de trabalho, essa concepção mudou. Agora, a mulher deve ter sucesso na carreira, cultivar amizades, manter a forma, se desenvolver pessoalmente e cuidar do relacionamento. E tudo isso sem abrir mão dos seus antigos papéis de mãe devotada e dona de casa permanente.

Este cenário é exaustivo e impraticável. Apesar de os homens estarem cada vez mais envolvidos nas tarefas parentais e domésticas, uma regra não escrita ainda permanece em vigor no imaginário coletivo, que indica que estas são tarefas eminentemente femininas e que os homens podem se limitar a ajudar. Isso cria uma sobrecarga física e mental que as mães, obviamente, têm muita dificuldade em sustentar.

Como posso saber se sofro da síndrome de péssima mãe?

Se você nunca ouviu falar desse conceito, é provável que esteja percebendo que é exatamente isso que acontece com você. Aqui estão alguns sinais que podem alertá-la de que você tem essa síndrome:

  • Você se preocupa constantemente com o seu desempenho como mãe. Você tenta se manter informada e se esforça para melhorar a cada dia, mas ainda sente que todas as decisões que toma estão erradas.
  • Você se sente culpada por trabalhar e deixar seus filhos aos cuidados de outras pessoas.
  • Quando você se dedica a si mesma, aos seus amigos ou ao seu parceiro, você não consegue se divertir, porque sente que deveria estar com seus filhos.
  • O tempo que você passa em casa é gasto tentando “dar conta de tudo”: você limpa, cozinha, organiza, cuida e atende, e é muito difícil pedir ajuda.
  • A culpa às vezes a leva a ir contra seus próprios princípios educacionais. Para compensar seus filhos por suas faltas, você acaba sendo mais permissiva do que gostaria ou tentando disfarçar suas “carências” com bens materiais.

Como evitar esta situação?

Você se sentiu identificada com os pontos anteriores? Então, para o seu bem e o da sua família, é hora de parar e fazer algumas mudanças. Para parar de sofrer da síndrome da péssima mãe, é importante que você se concentre nas seguintes questões:

  • Seja realista. Analise e entenda que é materialmente impossível “dar conta de tudo” e que você não deve se sentir culpada por isso. Tente diminuir as suas exigências pessoais.
  • Você é mais que uma mãe. Não há nada de errado em querer prosperar em outras áreas da sua vida além da maternidade. Isso não é egoísta, mas natural e necessário. Na verdade, ao fazê-lo, você se torna uma mulher mais feliz, saudável e satisfeita, capaz de oferecer aos filhos o melhor de si mesma e de ser um exemplo saudável.
  • Você tem o direito de delegar e pedir ajuda, você não precisa poder fazer tudo sozinha. Você e seu parceiro têm que colaborar na educação e em casa de forma equitativa, distribuindo também a carga mental e não apenas física. Além disso, é válido contratar uma babá, matricular seus filhos na creche ou receber ajuda nas tarefas domésticas.
  • Concentre-se em cada momento. Quando estiver com seus filhos, aproveite-os, mas quando estiver trabalhando ou fazendo outras atividades, aproveite-as também. Não se culpe pensando que deveria estar em outro lugar.
  • Seja clara quanto ao seu estilo educacional e seja fiel a ele. Não deixe a culpa transformá-la na mãe que você não quer ser. Não tenha medo de impor limites aos seus filhos, não os superproteja nem seja permissiva demais. Isso não vai fazer nenhum bem a eles.
Conciliar a maternidade com a vida profissional

Uma mãe feliz

Em última análise, libertar-se da síndrome da péssima mãe leva tempo, pois essas crenças estão bem arraigadas na sociedade.

Você pode receber críticas do seu entorno por ser uma mãe que trabalha e cultiva outras áreas da sua vida, e é provável que sua própria voz interior tente colocá-la de volta no mesmo jogo.

Porém, lembre-se de que você está indo bem, você é humana e tem limites. No fim, o que seus filhos precisam é de uma mãe feliz.

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