Você conhece a síndrome da sela vazia?

31 Janeiro, 2020
A síndrome da sela vazia (STV) está relacionada a alterações hormonais na hipófise. O que é a sela túrcica e em que consiste essa síndrome? Descubra a seguir.

O cérebro continua sendo um mistério para o ser humano. No entanto, a ciência progride, dia após dia, em busca de novas descobertas que esclareçam o seu funcionamento. Atualmente, a literatura é cada vez mais extensa e o conhecimento que temos sobre o cérebro é mais amplo e preciso. Neste artigo, abordaremos a síndrome da sela vazia.

O que é sela túrcica, também conhecida como sela turca? Muitos acenam com a cabeça alegando saber do que se trata. Outros estarão pensando: temos algo com esse nome na cabeça? E outros vão pensar: isso me parece familiar… Esse nome tão peculiar vem do latim, ‘sella turcica’. É uma estrutura em forma de sela de montaria.

O que é sela túrcica e como essa síndrome ocorre?

É uma estrutura cerebral ocupada quase inteiramente pela glândula hipófise. Está localizada logo abaixo da base do cérebro. Quando a hipófise se achata ou encolhe, a área parece vazia. Além disso, não é vista na ressonância magnética.

Embora não esteja realmente vazia, está cheia de líquido cefalorraquidiano. Este líquido envolve a medula espinhal e o cérebro. Quando ocorre a síndrome da sela vazia (STV), o líquido cefalorraquidiano se infiltra na sela túrcica e exerce uma forte pressão sobre a hipófise, achatando ou encolhendo essa glândula. Existem 2 tipos de síndrome:

Diferentes estruturas do crânio

Síndrome da sela túrcica vazia primária (STVP)

A síndrome da sela túrcica vazia primária (STVP) ainda está sob investigação. Nesse caso, não foi encontrado até o momento nenhum processo patológico anterior. Nem a sua patogênese nem a sua repercussão clínico-cirúrgica estão claras; portanto, os debates permanecem abertos. Ainda assim, existem dados relevantes que, pouco a pouco, lançam mais luz sobre o caso.

Síndrome da sela túrcica vazia secundária (STVS)

A síndrome da sela túrcica vazia secundária (STVS) é causada por um processo patológico. Pode ser ou não de natureza tumoral. Na maioria dos casos, trata-se de um adenoma (tumor epitelial benigno) que pode involuir. No entanto, esta involução ocorre espontaneamente ou com tratamento.

Como resultado, a cisterna aracnoide na base do crânio se introduz no espaço que ficou vazio no interior da sela túrcica.

Quem é afetado e quais são os sintomas?

González-Tortosa (2009) ressalta que os pacientes costumam ter entre 40 e 50 anos. Além disso, há um predomínio de mulheres e uma alta correlação com a obesidade. A hipertensão arterial afeta 23% dos casos, e 16,6% dessas mulheres são multíparas. Apresentam também sintomas de dores de cabeça. Outro sintoma característico é a hipertensão intracraniana idiopática que provoca zumbido pulsátil nos ouvidos.

Por outro lado, também pode haver distúrbios visuais, como diminuição da acuidade visual ou visão embaçada. As alterações mentais também podem aparecer, especialmente ansiedade, distúrbios comportamentais e distimia. Em relação aos sintomas endócrinos, podem ocorrer anormalidades menstruais e declínio sexual nos homens.

Síndrome da sela túrcica vazia

Hipopituitarismo

O hipopituitarismo é uma afecção na glândula pituitária que causa uma secreção anormal da quantidade de uma parte ou de todos os seus hormônios. Entre os diferentes hormônios, podemos encontrar a prolactina, a ocitocina, o hormônio do crescimento, o hormônio antidiurético, o hormônio luteinizante, etc.

A equipe de Necochea (1998) aponta que a STV pode ser uma das causas do hipopituitarismo. Outra das causas mais comuns “são os tumores intrasselares ou parasselares, como os adenomas da hipófise, craniofaringiomas, meningiomas e linfomas”.

Os autores da pesquisa também apontam como causa a necrose hipofisária isquêmica e a isquemia hipofisária devido a vasculite ou diabetes mellitus.

Por outro lado, também pode ocorrer devido a uma infecção da hipófise. Essas infecções podem ser causadas pela tuberculose, brucelose, sífilis e micoses. Ou ainda por outras doenças como a sarcoidose, hemocromatose e histiocitose.

A síndrome da sela túrcica vazia em crianças

A equipe de González-Fernández (2009), encontrou diferenças sintomáticas entre adultos e crianças na STV. Uma dessas diferenças é que, em crianças, ela não acomete indivíduos obesos. Também não há uma predominância clara de sexos e a sela túrcica ‘não fica aumentada’. Isso sugere que uma patogênese diferente pode ocorrer nesses casos.

Como apontam os autores, outra diferença “é a função hipotálamo-hipofisária (HH). Geralmente, a função hormonal HH não é alterada em pacientes adultos, embora não esteja absolutamente isenta de ser encontrada”. Os autores colocam uma ênfase especial no estudo da função HH, uma vez que ocorre com mais frequência em crianças do que em adultos.