A síndrome de Charles Bonnet

· novembro 14, 2018

Entre todos os nossos sentidos, provavelmente o mais importante é a visão. Neste artigo, falaremos especificamente sobre uma das doenças oculares menos conhecidas: a síndrome de Charles Bonnet.

Todo o nosso mundo está configurado em volta da nossa capacidade de perceber o entorno em imagens. Por isso, as doenças que afetam a visão são muito preocupantes, e dedicamos, anualmente, muitos recursos e esforços para a sua prevenção e cura.

Muitas dessas doenças já são nossas conhecidas. Problemas como a miopia, o astigmatismo ou as cataratas são bem comuns em nosso entorno. Entre as menos difundidas, uma das doenças mais curiosas é a síndrome de Charles Bonnet.

Neste artigo, vamos ver no que consiste este problema, assim como tudo o que nós sabemos atualmente sobre a sua origem e as diferentes intervenções desenvolvidas para combatê-la.

O que é a síndrome de Charles Bonnet?

Este transtorno da visão é um dos menos conhecidos e compreendidos de todos aqueles que existem. Caracteriza-se pela aparição de alucinações visuais em pacientes que estão sofrendo perdas oculares.

Essa doença costuma se manifestar em pacientes com problemas de catarata ou glaucoma, ou naqueles que sofrem de algum problema nas áreas visuais do cérebro.

Homem com síndrome de Charles Bonnet

As alucinações presentes na síndrome de Charles Bonnet são bem vívidas e realistas. No entanto, ao contrário de outros transtornos nos quais acontecem situações parecidas, os pacientes sabem perfeitamente que o que estão vendo não está realmente ocorrendo. Por isso, ele se diferencia de outros problemas como a esquizofrenia ou o consumo de substâncias tóxicas.

Desse modo, as alucinações aparecem em pessoas cujo único problema de saúde é a visão. Portanto, para diagnosticar a síndrome de Charles Bonnet é necessário ter descartado a presença de demência, transtornos mentais ou qualquer tipo de intoxicação.

Os problemas de visão costumam aparecer, principalmente, durante a terceira idade. Por isso, esta doença é muito mais comum nesta parte da população.

As características das alucinações

As alucinações produzidas pela síndrome de Charles Bonnet são bem variadas. Entretanto, elas têm uma série de características comuns:

  • Quando elas aparecem, o paciente está perfeitamente consciente do que está acontecendo. Por isso, os afetados sabem que aquilo que eles estão vendo não é real.
  • Elas se combinam com as percepções normais. Em vez de substituírem totalmente a realidade, as imagens se sobrepõem ao que o afetado veria normalmente.
  • Elas aparecem e desaparecem de maneira aleatória. Deste modo, é muito difícil encontrar uma causa clara para essas mudanças ou ver nelas um determinado padrão.
  • Os pacientes costumam sentir surpresa, mas quase nunca têm medo daquilo que veem.
  • Elas tendem a aparecer em situações de estresse, quando existe uma sobrecarga sensorial ou ausência de uma estimulação muito grande.
  • Elas aparecem de forma muito mais vívida do que na realidade. Enquanto o resto é visto de maneira embaçada, as alucinações são vistas de modo bem nítido. Isso acontece porque a síndrome de Charles Bonnet só aparece em pessoas que possuem a sua visão reduzida.

As causas e os tratamento

A ciência ainda não conseguiu explicar exatamente o porquê do aparecimento da síndrome de Charles Bonnet. Ainda não se conseguiu encontrar uma só causa que nos permita conhecer a razão dessas alucinações. No entanto, já existem várias teorias que tentam esclarecer algo sobre esta condição.

Segundo a teoria mais aceita atualmente, esta síndrome aparece porque os neurônios do cérebro deixam de receber os níveis de estimulação aos quais estavam acostumados. Por isso, eles se tornam muito mais sensíveis a todos os estímulos externos e, em alguns casos, podem inclusive “fabricar” os seus próprios estímulos.

Mulher com síndrome de Charles Bonnet

Com respeito ao tratamento, ainda não existe um remédio que seja totalmente efetivo contra este transtorno visual. Por isso, normalmente os médicos tratam a síndrome de Charles Bonnet de uma maneira mais paliativa do que curativa.

Por um lado, o primeiro passo dos profissionais da saúde é informar ao paciente sobre o que está acontecendo. Nós devemos pensar que muitos deles podem estar se sentindo angustiados ao perceber uma “realidade” paralela. Por isso, o médico deve explicar que se trata de um transtorno visual e que, controlando essa doença, eles podem minimizar os seus riscos.

Depois disso, o enfoque habitual é tentar solucionar o problema visual. Na maioria dos casos ficou comprovado que o fato de operar o paciente para devolver a sua acuidade visual faz com que as alucinações desapareçam.