A síndrome do imperador, crianças tiranas

· abril 4, 2016

Cada vez nos surpreendemos mais com as condutas que as crianças têm com seus pais: falta de respeito, insultos, levantar a voz, entre muitas outras coisas. Um tipo de autoridade que passa de estar nos pais para estar nos filhos.

Parece que os papéis estão trocados. Já não são os pais que estabelecem as normas e impõem castigos, e sim os filhos que têm toda a autoridade.

“Educar uma criança não é lhe ensinar algo que não sabia, e sim fazer dele alguém que não existia”
-John Ruskin-

O que aconteceu? Por que esta mudança? Desde que se estabeleceu que qualquer “palmada no traseiro” ou “puxão de orelhas” são considerados maus tratos, os pais se amedrontaram e as crianças viram uma forma eficaz de manipular os seus pais.

Esta submissão não é nada benéfica para os nossos filhos, que crescem sendo hostis com a sua própria família e com uma crença autoritária que cedo ou tarde irá lhes mandar a conta.

Na mente de uma criança autoritária

Uma criança que tiver a “Síndrome do Imperador” sempre irá escolher o que comer, o que os outros devem fazer, quando sair, onde a família irá nas férias, o que assistir na televisão… Em resumo, ela ordena, dita e manda tanto nela quanto nos outros.

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Por que isto acontece? Porque estas crianças têm a empatia subdesenvolvida. Isto quer dizer que não são capazes de experimentar as emoções e os sentimentos que tem a ver com se colocar no lugar do outro.

Se não fizermos o que a criança autoritária disser e ordenar, teremos que suportar seus chiliques, birras e, em alguns casos, suas agressões. Assim, ela se transforma em uma criança mais que autoritária, uma ditadora. É muito fácil distinguir uma criança que possua a terrível “Síndrome do Imperador”:

  • Possuem traços de personalidade próprios do egocentrismo.
  • Têm pouca tolerância à frustração.
  • Não sabem se controlar, nem administrar os seus sentimentos e suas emoções.
  • Não toleram que as suas exigências não sejam cumpridas.
  • Conhecem as fragilidades dos outros.
  • São especialistas em manipular psicologicamente os outros.

Quando reconhecemos tudo isso, às vezes nos perguntamos por que não estamos fazendo nada para resolvê-lo. Especialmente quando estamos vendo de fora. Muitos são os programas de televisão que mostram este comportamento terrível. Por que os pais não tomam uma atitude? Porque têm medo, mas principalmente porque permitiram que seus próprios filhos chegassem a este ponto.

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A importância de educar

Por motivos que desconhecemos, existem pais que exercem uma educação passiva e bastante relaxada que fomenta que as crianças se transformem em autoritários cedo ou tarde. Isto não apenas causa problemas em casa, mas também na escola. Como os professores poderão lidar com estas personalidades autoritárias?

Estas crianças não sabem o que é o respeito, o perdão… desconhecem completamente qual é o seu lugar. Por isso, se transformam em pessoas desafiantes sem um objetivo na sua vida que não seja ter todos os outros à sua mercê. Os pais optaram por educar seus filhos de forma passiva, sem medir as consequências que cedo ou tarde começarão a lamentar

Sabemos que educar é uma tarefa árdua, complicada, que requer muito esforço e energia que, às vezes, não temos ou não queremos ter. No entanto, quando decidimos ter filhos essa é uma das primeiras premissas que aceitamos. Adquirimos a responsabilidade de educá-los, algo que inevitavelmente exige um esforço.

Quando ainda são crianças, acreditamos que há tempo para solucionar essa atitude que às vezes extrapola. O problema é quando vem a adolescência e nos vemos aterrados em um furacão de atitudes contraditórias que podem terminar em agressão. Este passo em direção à maturidade se vê mergulhado em algo que eles consideram como “correto”. Contudo, perdem seu tempo acreditando que aproveitam a vida enquanto a estão desperdiçando.

Por isso é tão importante que como pais nos esforcemos para que nossos filhos também aprendam o valor do esforço e saibam que é importante serem responsáveis e respeitosos com os outros.

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Os limites são necessários. Estamos formando pessoas que irão conviver neste mundo e das quais devemos nos sentir orgulhosos. Se tanto faz, não podemos esperar uma mudança.

As crianças autoritárias levarão muitos tombos até conseguirem aprender, mas nunca entenderão por que ninguém os educou direito desde o início.

Imagens cortesia de Nicoletta Ceccoli, Iván Alfaro