A teoria de resposta ao item (TRI)

· abril 12, 2019
A premissa mais importante da TRI informa que qualquer instrumento de medição deveria estar alinhado com uma ideia.

A avaliação é uma das partes mais importantes da intervenção psicológica. Isso costuma ser muito condicionado pelos resultados dos testes administrados. Assim, a teoria de resposta ao item (TRI) é uma das teorias de medição dos testes que aparecem como um complemento à teoria de testes clássica.

Como já comentamos anteriormente, a teoria clássica dos testes (TCT) e a TRI poderiam avaliar o mesmo teste. Cada uma poderia estabelecer uma relevância ou pontuação para cada um dos itens. Assim, seria possível obter um resultado diferente para cada pessoa. Vale ressaltar que a TRI nos daria um instrumento muito melhor calibrado. No entanto, esse paradigma está associado a um custo muito maior e à participação de profissionais especializados.

O objetivo dessas duas teorias dos testes é o mesmo: gerar instrumentos que medem o que queremos que eles meçam com o menor erro possível. Assim, a psicometria requer uma certa confiabilidade e validade para todos os testes.

Lembre-se de que um teste será mais confiável (ele terá maior confiabilidade) quanto melhor replicar os resultados ao medir dois assuntos – ou o mesmo assunto em diferentes oportunidades – que tenham o mesmo nível de medição. Por outro lado, a validade refere-se ao grau em que a evidência empírica e a teoria apoiam a interpretação das pontuações dos testes.

Teoria de resposta ao item

Limitações da TCT que levaram ao surgimento da Teoria de resposta ao item

Sem negligenciar o seu serviço prestado, a abordagem clássica da teoria dos testes tem algumas limitações. São carências que exigem que avancemos em termos de construção e avaliação dos testes.

Na TCT, as medições não são invariantes em relação ao instrumento utilizado. Então, imagine que um psicólogo irá avaliar a inteligência de três pessoas com um teste diferente para cada uma. Neste caso, os resultados não puderam ser comparados. Por quê?

Isso acontece porque cada teste tem a sua escala. Assim, para poder comparar, por exemplo, a inteligência de um grupo de pessoas que foram avaliadas com diferentes testes de inteligência, seria necessário transformar as pontuações obtidas em outras escalas.

Nesse sentido, a TRI nos possibilita comparar os resultados obtidos ao utilizar diferentes instrumentos na mesma escala. Além disso, outra limitação da abordagem clássica é a falta de invariância das propriedades dos testes em relação às pessoas usadas para calculá-las. A abordagem da TRI também é responsável por melhorar esse fato.

Premissas da Teoria de Resposta ao Item (TRI)

A fim de resolver essas limitações, a TRI tem que fazer suposições mais fortes e restritivas do que as do TCT.

Primeira suposição

A suposição mais importante da TRI informa que qualquer instrumento de medição deve estar alinhado com uma ideia, a de que existe uma relação funcional entre os valores da variável que medem os itens e a probabilidade de combiná-los. Essa função é chamada de curva característica do item (CCI).

Parece que a teoria de resposta ao item propõe uma nova ideia sobre a TCT. Essa se baseia no fato de que, por exemplo, os itens mais complicados de um teste de inteligência seriam respondidos apenas por aqueles que são mais inteligentes. Por outro lado, um item respondido da mesma maneira por todas as pessoas avaliadas não teria o poder de discriminar entre mais ou menos inteligentes em um assunto.

Segunda suposição

Outra suposição da TRI é de que a maioria dos modelos assume que os itens constituem uma única dimensão. Ou seja, eles são unidimensionais. Assim, antes de usar os modelos dessa teoria, devemos nos certificar de que os dados estejam em conformidade com essa unidimensionalidade. Isso supõe uma restrição importante para o seu uso: muitos dos instrumentos que os psicólogos manipulam não coletam dados de uma única dimensão.

Pessoa preenchendo gabarito

Terceira suposição

Uma terceira suposição dos modelos da teoria de resposta ao item é a independência local. Isso significa que, para usar esses modelos, os itens devem ser independentes uns dos outros. Ou seja, a resposta a um deles não pode ser condicionada à resposta dada a outros itens.

No entanto, se a unidimensionalidade for atendida, a independência local também será cumprida (não há interdependência dos itens ou uma variância compartilhada que não esteja relacionada à dimensão medida). Então, às vezes, ambas as suposições são tratadas conjuntamente.

Muñiz (2010) aponta a importância dos avanços no campo da psicometria e na interpretação de testes. Assim, o lógico é que comecemos a dar mais um passo nessa direção, uma vez que os testes analisados sob o paradigma da TRI mostram, pelo menos, resultados preocupantes sobre como a medição está sendo feita atualmente.

  • Cuesta, M. y Muñiz, J. (1999). Robustness of item response logistic models to violations of the unidimensionality assumption. Psicothema, Vol. 11, 175-182
  • Muñiz, J. (1997) Introducción a la teoría de respuesta a los ítems. Madrid: Pirámide.
  • Muñiz, J. (2000). Teoría Clásica de los Tests. Madrid: Pirámide.
  • Muñiz Fernández, J. (2010). Las teorías de los tests: teoría clásica y teoría de respuesta a los ítems. Papeles del Psicólogo: Revista del Colegio Oficial de Psicólogos.