Tipos de validade na pesquisa: validade preditiva

· maio 6, 2019
Quando queremos validar um teste, sua validade preditiva (assim como a validade concorrente) geralmente é expressada por um coeficiente de correlação entre as pontuações que chamamos de critério.

Sabemos que a psicologia faz uso da aplicação de testes para realizar inferências sobre pessoas. Mas, a que se referem as pontuações obtidas nesses testes? Disso se encarrega a validade. Como já explicamos em outro artigo, não existe apenas um tipo de validade, mas vários. Neste artigo, explicamos a função da validade preditiva.

O pesquisador Robert Thorndike (1989) explica que a validade de um teste está relacionada ao que este procura medir. Assim, a partir dessa premissa, cabe perguntar: o uso ou a interpretação das pontuações desse teste é adequado? Ou também: que generalizações podem ser feitas sem introduzir uma margem de erro muito ampla a partir dos resultados obtidos no teste? A validade engloba todas essas questões.

Validade preditiva (ou evidência externa)

Definição de validade

Em termos estatísticos, a validade é definida como a proporção da variância real que é relevante para os propósitos do teste. Mas, o que significa o termo relevante? Neste caso, refere-se às características, ou dimensões, que o teste utilizado é capaz de medir.

Como mencionamos anteriormente, a validade de um teste se define:

  • Por meio da relação entre suas pontuações com alguma medida de critério externo. Ou seja, se contarmos com outro teste que mede a mesma coisa, compararíamos os resultados obtidos com ambos, entendendo que o novo teste mede o mesmo que o primeiro quando os resultados obtidos são semelhantes.
  • Por meio da extensão com a qual o teste mede uma característica subjacente, específica, hipotética, ou “construída”. Neste caso, uma prática comum é comparar os resultados de duas partes do teste destinadas a medir o mesmo. Considera-se que quanto maior a correlação/associação entre os resultados, maior a validade.

Tipos de validade

Como mencionamos anteriormente, existem vários tipos de validade. Especificamente, os tipos de validade são:

  • Validade de conteúdo (ou evidência de conteúdo).
  • Validade preditiva (ou evidência externa).
  • Concorrente.
  • Validade de construto.

Validade preditiva (ou evidência externa)

Os resultados do teste preveem um desempenho ou comportamento futuro? (1) A validade externa tem a função de responder esta questão.

Comumente, em psicologia, utilizam-se testes para prever possíveis comportamentos futuros. Assim, utilizamos o teste para nos ajudar a tomar alguma decisão prática (classificação, seleção, etc.). Em cada uma dessas situações, quanto maior a precisão da predição, maior a validade preditiva do teste e, portanto, mais útil ele será. (1)

Análises estatísticas

Por exemplo, digamos que utilizamos um teste em um caso de recrutamento. Neste caso, o teste será um componente aceitável do processo de recrutamento desde que suas pontuações prevejam a execução de algum componente importante do trabalho pretendido pelos entrevistados. Isso seria chamado de critério externo.

Assim, o pesquisador Jaime Aliaga diz que para que o teste seja utilizado como parte de um processo necessário de recrutamento, como você pode imaginar, deve ter uma boa validade. Neste sentido, a ideia é relacionar o teste com os critérios relevantes. Então, entende-se que o interesse fundamental do psicólogo ou avaliador é determinar se o teste aplicado prevê um certo critério.

Para conseguir isso, diz a pesquisadora Aliaga, precisamos que os critérios externos com os quais os resultados dos testes serão relacionados sejam critérios confiáveis ​​e válidos. Mas, o que queremos dizer com critério?

O critério na validade preditiva

Segundo Aliaga, um critério é qualquer desempenho das pessoas na vida real. Por exemplo, um critério poderia ser a medida do desempenho no trabalho ou a medida do desempenho acadêmico no caso de um estudante. Poderíamos falar sobre muitos outros tipos desses critérios. Mas o problema, diz Aliaga, é que em muitos casos é impossível encontrar um critério não ambíguo de um traço mental.

Digamos, por exemplo, que duas psicólogas investiguem juntas o desempenho acadêmico de um certo número de alunos. Assim, investigando a mesma coisa, as duas psicólogas podem utilizar critérios distintos. Por exemplo, a primeira psicóloga poderia considerar como critério as notas obtidas nas provas. A segunda poderia considerar que o critério correto é o tempo que cada aluno leva para concluir cada tarefa.

Quando queremos validar um teste, sua validade preditiva (bem como a validade concorrente) é geralmente expressa por um coeficiente de correlação entre as pontuações que chamamos de critério. Esse coeficiente é chamado de coeficiente de validação. De acordo com Aliaga, a interpretação desse coeficiente requer um domínio excelente da análise estatística utilizada para obtê-lo. Após sua obtenção, o passo seguinte que será importante para obter a categoria de validade são os procedimentos estatísticos utilizados.

O critério da validade preditiva

Então, para que serve a validade preditiva?

A validade preditiva é algo necessário para determinar a validade de um teste. Logicamente, e especificamente no campo da psicologia, um teste é melhor quanto mais validez possuir. Além disso, devemos ter em mente que o aspecto chave desse tipo de validade é o critério. Assim, precisamos de testes que sirvam como critérios confiáveis ​​e válidos. Com isso, poderemos determinar corretamente a validade preditiva.

  1. Tovar, J. (2007). Psicometría: tests psicométricos, confiabilidad y validez. Psicología: Tópicos de actualidad, 85-108.
  2. Thorndike, R. L. (1989). Psicometría aplicada. Limusa.
  3. Muñiz, J. O. S. É. (1997). Aspectos éticos y deontológicos de la evaluación psicológica. Evaluación psicológica en el, 2000, 307-345.