Trabalhar para expandir o ego, uma armadilha que nos prende

O que acontece quando a principal motivação é fazer com que os outros percebam todo o nosso progresso? Vamos analisar o assunto.
Trabalhar para expandir o ego, uma armadilha que nos prende

Última atualização: 31 maio, 2022

Existem pessoas que trabalham para expandir o próprio ego, mas a questão é: o que elas realmente alcançam? Trabalhar apenas para se sentir admirado pelos outros ao invés de buscar a realização pode levar à inépcia. Além disso, também pode ser um verdadeiro fiasco, tanto para a saúde mental quanto para a profissão que se exerce.

Se não houvesse tanto ego em certos profissionais, talvez hoje estivéssemos mais nutridos, mais bem informados e com uma melhor saúde psicológica.

Reconhecimento como o único propósito

Elizabeth Holmes poderia ter sido uma boa profissional, mas o seu excesso de ego fez com que ela gastasse muita energia se certificando de que os outros ficassem sabendo de cada passo que dava. Foi assim que ela se tornou uma multimilionária como poucas e também uma golpista como muitas.

A fundadora da Theranos, empresa de análise sanguínea por meio da biotecnologia, atualmente está enfrentando acusações de fraude e pode passar até 20 anos na prisão. Porém, antes de sua rede de mentiras vir à tona, Holmes era uma empresária apreciada que aparecia em listas de pessoas influentes.

Ela exigia muito de seus funcionários, adorava Steve Jobs e sua única aspiração (nada mais, nada menos) era se tornar bilionária e construir um império. No final de Bad Blood, livro de John Carreyrou sobre a Theranos, levanta-se a questão sobre Elisabeth poder ou não ser considerada uma sociopata.

O caso de Holmes é um exemplo muito claro de pessoas que são workaholic, ainda que no caso dela não se tratasse de vício em trabalhar, mas sim no ego que o seu suposto trabalho proporcionava. Esses tipos de pessoas não se importam em criar uma máquina defeituosa, tratar mal um cliente ou mostrar frieza diante de um paciente em terapia.

Alimentar o ego desnecessariamente cria profissionais desse tipo, ou seja, profissionais mais preocupados em se validar diante do mundo do que em criar algo bom, profundo ou útil. A vaidade é a única coisa que perseguem e, ao longo do caminho, confundem muitos e também enganam muitos outros.

menino egocêntrico
Quando o único objetivo profissional é o reconhecimento dos outros, o desempenho e a produtividade são afetados.

A inépcia da vaidade

Quando ficamos presos nas garras do desejo do ego por ter cada vez mais prestígio, perdemos o controle. O ego nos torna suscetíveis à manipulação, estreita o nosso campo de visão e corrompe o nosso comportamento, muitas vezes nos levando a agir contra nossos valores.

Quando somos vítimas da nossa própria necessidade de sermos vistos como “grandes ou importantes”, acabamos tomando decisões que podem ser prejudiciais para nós, nosso pessoal e nosso trabalho.

Trabalhar apenas para obter reconhecimento nos corrompe

Um ego inflado também corrompe o comportamento. Quando acreditamos que somos os únicos arquitetos do nosso sucesso, geralmente tendemos a ser mais rudes, mais egoístas e mais propensos a interromper os outros. Isso é especialmente verdadeiro diante dos contratempos e críticas.

Dessa forma, um ego inflado nos impede de aprender com os nossos erros e cria uma barreira defensiva que dificulta a apreciação das ricas lições que podemos tirar do fracasso. Ou seja, o ego elimina a humildade necessária para aprender e se tornar melhor no trabalho.

O ego sempre procura informações que confirmem o que ele quer acreditar. Basicamente, um grande ego nos faz ter um forte viés de confirmação. Por causa disso, perdemos a perspectiva e, dessa forma, acabamos em uma bolha de liderança na qual só vemos e ouvimos o que queremos.

Como resultado, perdemos contato com as pessoas que lideramos, com a cultura da qual fazemos parte e, por fim, com os clientes e partes interessadas. Nosso ego nos torna menos eficientes, pois nos faz perder a naturalidade para nos relacionar, a humildade para aprender e a gentileza para lidar com os outros.

Colegas falando sobre autorrevelação
Um ego inflado em nível profissional nos distancia dos colegas de trabalho.

Dicas para mudar e se libertar de um ego inflado

Libertar-se de um ego excessivamente protetor e inflado é um trabalho importante. Requer reflexão e coragem. Aqui estão algumas dicas para sermos melhores chefes e colegas:

  • Considerar as vantagens e privilégios que o trabalho oferece. Alguns deles permitem trabalhar de forma eficaz. Outros, no entanto, são simplesmente vantagens para promover status e poder e, em última instância, o ego. É preciso tentar manter apenas as vantagens que ajudam a fazer um trabalho melhor, não aquelas que apenas enfatizam a importância de uma pessoa sobre as outras. Isso promoverá a eficiência e também a economia de energia pessoal.
  • Apoiar, desenvolver e trabalhar com pessoas que não alimentem o ego pessoal alheio, como uma forma de ascensão em uma empresa. Afinal, elas nunca vão contribuir com nada genuíno e autêntico, seja em nível pessoal ou profissional.
  • Contratar pessoas inteligentes para falar e discutir pontos do trabalho, que também sejam capacitadas para assumir uma opinião diferente sem que se sintam pessoalmente agredidas. Esses são os tipos de pessoas que não alimentam um falso ego, mas sim estimulam o desejo de um verdadeiro aprendizado.
  • Humildade e gratidão são as pedras angulares do altruísmo. Reservar um momento no final de cada dia para refletir sobre as pessoas que fizeram parte dele, que nos ajudaram nas tarefas domésticas ou a chegar até algum lugar a tempo. Isso ajuda a desenvolver um senso natural de humildade e gratidão.

O sucesso (o salário mais alto, o melhor escritório, as risadas fáceis) muitas vezes nos faz sentir como se tivéssemos encontrado a resposta eterna para ser um líder. No entanto, a realidade não é bem assim. Liderança tem a ver com pessoas, e as pessoas mudam todos os dias.

Se acharmos que encontramos a chave universal para liderar pessoas, simplesmente a perderemos. Se deixarmos o ego determinar o que vemos, o que ouvimos e o que acreditamos, deixaremos que o nosso sucesso passado prejudique o nosso sucesso futuro. Portanto, podemos concluir que o ego pode ser o inimigo do trabalho eficiente, quer os outros percebam ou não.

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  • Simón, V. M. (2001). El ego, la conciencia y las emociones: un modelo interactivo. Psicothema, 205-213.
  • Uribe Botero, A. (2005). Reconocimiento y humildad: lo que media en la inclusión del otro.