Transtornos de personalidade: muito além do que se vê

Além do que se vê: os transtornos de personalidade

junho 26, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Transtornos de personalidade: muito além do que se vê

Em algumas ocasiões as condutas dos outros nos deixam desconcertados. Isso acontece porque muitas vezes os comportamentos são totalmente incompreensíveis a partir da nossa perspectiva. Talvez por isso em diversos momentos você já tenha tentado entender a personalidade das pessoas ao seu redor e acabou sem qualquer resposta.

Devemos saber que nossa personalidade não é uma rocha sólida perfeitamente lapidada, mas é na verdade uma pedra em que se distinguem diferentes profundidades e fendas. Algumas vezes, no entanto, essas fendas podem ser tão profundas que chegam a se romper, convertendo-se na maior característica daquela estrutura concreta. O mesmo acontece com a personalidade.

Determinadas características, muitas vezes perturbadoras, podem se apresentar em uma pessoa não como exceção, mas sim como um padrão habitual de comportamento: isso é o que conhecemos como os transtornos de personalidade.

O que são os transtornos de personalidade?

Um transtorno de personalidade é um padrão de comportamento habitual de uma pessoa que se torna evidente no fim da adolescência e começo da idade adulta. Essa forma de se comportar costuma trazer alterações frequentes e trazer grandes consequências nas relações com os demais.

O que é observado nos transtornos de personalidade é que uma determinada característica se torna totalmente central no comportamento de uma pessoa. Assim, por exemplo, embora todos possamos querer ser o centro da atenção em determinadas situações, existem pessoas que não são capazes de atuar de nenhuma maneira se não forem o centro das atenções a todo momento.

Alguns dos diferentes transtornos de personalidade que mais provocam rejeição

Tendo em conta que determinados traços desadaptados podem se converter na forma habitual de uma pessoa se comportar em diversas situações, a manter-se de maneira estável ao longo do tempo, vamos explicar quais são os transtornos de personalidade que se apresentam na população e que mais geram mal-estar ao seu redor:

Transtorno de personalidade narcisista

As pessoas que padecem desse transtorno são caracterizadas por apresentarem um padrão geral de grandiosidade e uma necessidade de admiração por parte dos outros. Têm um alto sentimento de auto importância, estão preocupadas com fantasias de sucesso ilimitado, poder, beleza, inteligência e amor imaginários.

Os narcisistas costumam apresentar atitudes arrogantes, carecem de empatia e utilizam suas relações como um meio para obter seus fins. Consideram-se especiais e únicos, são pretensiosos e exploradores, e costumam apresentar também inveja.
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Narcisismo

Transtorno de personalidade paranóide

As pessoas que sofrem desse transtorno são caracterizadas por uma desconfiança e suspeita de seu entorno, de forma que as intenções dos outros são sempre interpretadas como maliciosas. Pensam continuamente que seu entorno conspira contra eles, e que estão sempre recebendo insultos e acusações infundados por parte de certas pessoas. Reconhecemos estas pessoas porque sempre interpretam nossas intenções com suspeita e desconfiança.

Estão obcecados com a lealdade, guardam suspeitas de que os outros vão sempre os trair a qualquer momento e que a informação que o entorno possui de sua vida será utilizada contra ele.
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Tudo isso os leva a ter sempre um pé atrás na hora de estabelecer qualquer relação íntima ou oferecer sua confiança. E mais, se acreditam que foram traídos, guardam rancor durante muito tempo, com contínuas referências ao que poderia ter acontecido. Não é estranho que isso se mostre com maior intensidade nas relações amorosas, acreditando constantemente que seu par está sendo infiel.

Transtorno de personalidade limítrofe ou borderline

Nesse transtorno da personalidade é observado um padrão geral de instabilidade das relações interpessoais e na autoimagem da pessoa, assim como uma notável impulsividade que começa no princípio da idade adulta e se dá em diversos contextos. Costumam culpar terceiros pelos seus próprios sentimentos de mal-estar.

Diz-se borderline porque essas pessoas estão na borda da neurose extrema que pode resultar em um episódio psicótico em algumas ocasiões.
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Junto à depressão, esse transtorno parece ser o que mais cresce dentro da população, e é por isso que vamos explicá-lo com mais detalhamento. As pessoas que sofrem desse transtorno se caracterizam por ter um padrão instável de relação com os outros, tudo parece ser ou extremamente positivo ou negativo, sem possibilidade de ser analisado de uma forma mais amena.

O mais conflituoso na personalidade limítrofe é a regulação das emoções. A terapia se foca no desenvolvimento da capacidade da pessoa de validar-se e na capacidade de modular suas emoções.
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Muitas teorias, como a da Mentalização de Anthony Bateman e Peter Fonagy, dizem que esse tipo de distúrbio traz para as pessoas uma incapacidade de entender a si mesmo e também aos outros em termos subjetivos. Ou seja, essas pessoas convertem diretamente qualquer angústia em um ato, sem passar por um filtro mental.

Seu mal-estar, que não pode ser entendido de forma racional, materializa-se em atos compulsivos: daí surgem as autolesões e a grande probabilidade de suicídio que existem nesse transtorno em relação aos outros. Outra dentre as terapias mais famosas para o tratamento é a Terapia Dialética Comportamental de Marsha M. Linehan.

Ela mesma possuía esse transtorno e desenvolveu sua teoria a partir da ideia de que existe uma predisposição biológica para a doença, mas são os fatores do ambiente que desencadeiam os sintomas. Alguns filmes exploram esse transtorno, como o “Garota Interrompida”.

Transtornos de personalidade

Transtorno de personalidade dependente

Esse transtorno está dentro dos transtornos de personalidade do tipo ansioso. As pessoas que manifestam esse transtorno se caracterizam por apresentar um padrão de comportamento em que se observa uma necessidade geral e excessiva de se ocupar de alguém, o que causa um comportamento de submissão, dependência e medo de separação.

As pessoas dependentes temem tomar decisões por eles mesmos e precisam de uma reafirmação e ratificação por parte dos outros.
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As pessoas dependentes costumam buscar uma relação amorosa de forma desesperada, apesar de não sentirem um envolvimento emocional verdadeiro, simplesmente para evitar a sensação de desamparo e e para não se sentirem sozinhas. Às vezes se se sentem abandonadas, tentam chamar a atenção ultrapassando certos limites e provocando uma culpabilidade alheia.

Transtorno por dependência

Transtorno de personalidade histriônica

As pessoas com esse transtorno apresentam um padrão geral de emotividade excessiva e uma constante busca de atenção. Mostram-se sedutoras, dramáticas e entusiasmadas em sua urgência por consegui-lo. Essas condutas estão relacionadas com o egocentrismo e com a incapacidade de assumir um certo mal-estar em suas relações sociais.

As pessoas histriônicas se caracterizam por querer ser o centro da atenção a todo custo. Seja com ares de grandiosidade ou excesso de vitimismo.
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Aparentemente eles têm boas habilidades sociais, mas seu drama excessivo e teatralidade costumam desgastar as relações que mantêm com os demais. Não toleram bem a frustração e qualquer abandono ou gesto de indiferença pode se tornar uma ofensa intolerável, causando um profundo mal-estar.

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