Tratamentos eficazes para a depressão

19 Novembro, 2020
Existem muitas alternativas de intervenção para a depressão. Na verdade, temos cada vez mais opções à disposição. No entanto, apenas algumas mostraram ser realmente eficazes. Você quer conhecê-las?

A depressão é um grave transtorno de humor caracterizado por um ou mais episódios em que a pessoa sente uma profunda tristeza, angústia, infelicidade ou apatia, entre outros. Portanto, uma vez diagnosticada, é essencial encontrar tratamentos eficazes para a depressão.

A depressão pode ser tratada de várias maneiras. No entanto, apenas alguns tratamentos comprovaram a sua eficácia de forma científica e controlada. Ou seja, em estudos controlados (randomizados e com grupos controle), bem como comparativos com outros tipos de terapias. Como veremos, os tratamentos mais eficazes estão agrupados em tratamentos farmacológicos, cognitivos e comportamentais.

Tratamentos eficazes para a depressão

Para o tratamento da depressão, é importante fazer um bom diagnóstico e contar com a ajuda de um especialista (psicologia clínica). Essa é a única maneira de garantir a escolha do método mais adequado e, assim, fornecer um prognóstico confiável. Além disso, por ser um transtorno grave, é necessário atender a todas as necessidades do paciente, pois a escolha de um método ineficaz pode piorar alguns sintomas e dificultar a recuperação.

Conforme mencionado acima, os tratamentos que apresentam maior eficácia estão classificados em tratamentos farmacológicos e psicológicos. Estes últimos, por sua vez, podem ser divididos em cognitivos e comportamentais; entretanto, a sua abordagem costuma ser combinada.

Cada um desses grupos visa influenciar os diferentes aspectos que causam a depressão. Por um lado, os fatores de natureza mais biológica ou endógena; de outro, aqueles relacionados a pensamentos e comportamentos depressivos.

Mulher com depressão

Tratamentos farmacológicos

Este tipo de tratamento é objeto de alguma controvérsia quanto à sua eficácia, o seu possível caráter viciante e os seus efeitos colaterais. No entanto, tem sido o tratamento mais estudado e, além disso, o mais utilizado. Por esse motivo, o seu papel no tratamento da depressão é fundamental e deve ser complementado com terapias psicológicas.

Existem várias maneiras de classificar os tratamentos medicamentosos para a depressão. Existem diferentes tipos de depressão e alguns medicamentos são mais eficazes do que outros para tratar cada um. Uma das classificações mais utilizadas é a dos antidepressivos clássicos ou de primeira geração e dos antidepressivos novos ou de segunda geração.

Entre os antidepressivos clássicos estão os tricíclicos (imipramina) e os inibidores da monoamina oxidase (IMAO) (fenalzina, deprenil, tramilcipromina). Ambos atuam indiretamente, evitando a eliminação de serotonina e norepinefrina, fazendo com que haja mais desses neurotransmissores disponíveis no cérebro.

Entre os novos medicamentos ou de segunda geração estão os inibidores da MAO (venlafaxina ou moclobemida, entre outros) e os ISRSs (fluoxetina, paroxetina, sertralina ou citolopram). Estes parecem ter uma incidência menor de efeitos colaterais. Os ISRSs atuam prevenindo a reabsorção da serotonina e são os antidepressivos mais amplamente prescritos.

É importante notar que, embora os tratamentos farmacológicos tenham demonstrado a sua eficácia, os dados indicam que eles são eficazes para 30-50% dos pacientes. Nesse sentido, a maior eficácia é obtida quando associada ao tratamento psicológico cognitivo-comportamental.

Tratamentos cognitivo-comportamentais

Para os psicológicos, os tratamentos eficazes para a depressão são os comportamentais e os cognitivos, especialmente de forma combinada. Esse tipo de intervenção demonstrou a sua capacidade de aliviar os sintomas depressivos. Além disso, em algumas ocasiões, demonstrou ser ainda mais eficaz do que os tratamentos com medicamentos de forma individual.

Por um lado, as terapias cognitivas ajudam o paciente a reorganizar os seus pensamentos, identificando ideias irracionais e reestruturando-as. As comportamentais enfocam o comportamento do paciente e visam verificar a validade dos seus pensamentos. Assim, após refutá-los, são realizadas tarefas que proporcionam novas atividades reforçadoras em seu ambiente.

Entre as técnicas mais utilizadas para a depressão, estão:

  • Reestruturação cognitiva. Na depressão, existem padrões de pensamento caracterizados por uma visão negativa de si mesmo e do futuro. Por meio da reestruturação cognitiva, pretende-se identificar e modificar essas ideias enviesadas até chegar a outras que produzam emoções e comportamentos mais benéficos.
  • Ativação comportamental. Parte da ideia de que a pessoa deixou de receber reforços do seu ambiente. Portanto, esta técnica consiste em motivar e promover comportamentos que conduzam a um ambiente no qual elas sejam reforçadas e, assim, recuperem pensamentos mais adaptativos, um melhor estado de espírito e, sobretudo, um aumento da qualidade de vida.
  • Terapia de autocontrole de Rehm. Relacionado ao item anterior, ela se esforça para melhorar as habilidades de autocontrole da pessoa. Assim, ela adquire recursos para reagir ao fracasso e se torna capaz de redirecionar os seus pensamentos e comportamentos para um objetivo positivo.
  • Terapia de resolução de problemas. Essa técnica visa que a pessoa mude a sua forma de enfrentar os problemas, vendo-os como desafios e possibilidades de melhoria. Além disso, ensina estratégias para resolvê-los melhor e coloca o paciente em uma posição ativa para atingir os seus objetivos.
Terapia psicológica

Importância dos tratamentos eficazes para a depressão

Quando você sofre ou tem alguém próximo sofrendo de depressão, é essencial escolher um bom tratamento. Para isso, é necessário saber qual tipo de terapia tem apresentado as melhores evidências de recuperação e eficácia. Além de fazer uma boa escolha, é importante que o paciente se comprometa ao tratamento, pois se ele for abandonado, pode haver uma recaída significativa.

Consulte sempre profissionais de psiquiatria e psicologia e evite buscar informações em meios não testados ou pouco técnicos. Os tratamentos eficazes para a depressão podem nos ajudar muito, mas aqueles que não o são também podem nos prejudicar, fazendo com que percamos um tempo valioso sem colocar em prática uma intervenção realmente útil.

Bemporad, J. R. (1995). Long-term analytic trea tment of depression. En E. E. Beckham & W. R. Leber, eds., Handbook of depression (pp. 391- 403). Nueva York: Guilford

Dougher, M. J. & Hacbert, L. (1994). A behavior-analytic account of depression and a case report using acceptance-based procedures. The Be – havior Analyst, 17: 321-334.

Guimón, J. & Padro, D. (1988). Diagnóstico y clasificación de los trastornos afectivos. En J. Guimón, J. C. Mezzich y G. Berrios, eds., Diag – nóstico en psiquiatría (pp.103-110). Barcelona: Salvat

McCullogh, J. P. (2000). Treatment for chronic depression. Cognitive be – havioral analysis system of psychotherapy (CBASP). Nueva York: Guilford