Os 3 estados do ego, de acordo com a análise transacional

19 Janeiro, 2021
Os três estados do ego de que fala a análise transacional são a criança, o pai e o adulto. Trata-se de fazer com que o adulto assuma o controle e regule as outras dimensões da personalidade.

A análise transacional é um método derivado da psicologia humanista proposto por Eric Berne nos anos 1950. Desde então, sofreu algumas variações, mas a maioria de seus componentes permanece igual. Em particular, o que está relacionado aos estados do ego.

Esse tipo de análise tem se mostrado um método muito funcional para descrever a personalidade e provocar mudanças quando necessário. Um de seus eixos são os três estados do ego, a saber: pai, adulto e filho. Segundo essa teoria, cada pessoa interage com os demais a partir de algum desses estados.

Os estados do ego são definidos como formas específicas de sentir, pensar e agir. Dessa maneira, de acordo com a análise transacional, os seres humanos se relacionam com os outros usando a posição de pais, filhos ou adultos. De cada um desses estados, resultam consequências específicas nas nossas interações com o mundo.

“É incrível pensar, a princípio, que o destino do homem, toda sua nobreza e toda sua degradação, seja decidido por uma criança de não mais de seis anos, geralmente três.”
-Eric Berne-

A criança, um dos estados do ego

A criança é o mais básico dos estados de ego. Corresponde aos impulsos mais elementares, aprendidos e exercidos desde a infância e que, por diversos motivos, foram fixados em nossa personalidade. Em princípio, isso tem a ver com expressar o que sentimos e pensamos de forma totalmente espontânea.

Os impulsos, as fantasias ilimitadas e todo o mundo do irracional correspondem ao estado do ego infantil. É uma realidade em que as emoções predominam sobre o pensamento. A imprevisibilidade, a imprudência e a espontaneidade são os aspectos que se destacam.

Balão de pensamento

A análise transacional faz uma distinção entre a “criança natural” e a “criança programada”. A primeira é a que descrevemos. A segunda é uma criança que não teve permissão para se expressar plenamente e, por isso, torna-se caprichosa e reprimida. Então, a partir dessa abordagem, esses estados podem permanecer quase intactos na vida adulta.

O pai

O pai é outro dos estados do ego à luz da análise transacional. Corresponde a tudo o que aprendemos com nossos pais durante a infância. É como uma réplica de seus comportamentos e formas de ver o mundo.

Em geral, corresponde a atitudes relacionadas ao exercício de autoridade e do poder, bem como às crenças, aos preconceitos, às ideologias e a tudo que compõe o mundo das normas e dos valores. Também à posição em relação à liberdade.

Como no caso da criança, também existe um “pai natural” e um “pai programado”. O pai natural está associado à proteção, ao cuidado e às funções de orientação e guia. O pai programado, por sua vez, está relacionado ao autoritarismo, à verticalidade e ao exercício do poder sobre os outros.

O adulto

Para a análise transacional, o adulto é a forma organizada de perceber a realidade, de acordo com os conhecimentos e as experiências que adquirimos como fruto da reflexão autônoma. Pode-se dizer que é a dimensão mais autêntica do nosso ser.

O adulto é o único dos estados do ego que “nos mostra como somos”, sem os condicionamentos que recebemos do nosso ambiente primário. Compreende nossas facetas mais racionais e autocríticas. Nesse estado, predomina a razão.

A principal característica do estado do ego adulto é o autocontrole e a autodeterminação. Não exclui nem o filho nem o pai, mas consegue moderar suas expressões e seus efeitos.

Homem pensativo

Os estados do ego e o bem-estar

Para a análise transacional, uma pessoa saudável é aquela que consegue combinar todos os estados do ego em sua forma natural e regulá-los por meio do adulto. Assim, no campo do afeto, o mais saudável é permitir que o filho natural ou o pai natural emerja até um ponto razoável.

O problema surge quando o que predomina é uma criança programada ou um pai programado. No primeiro caso, o que se produz é um adulto mimado que quer que os outros cuidem dele e fica zangado quando não consegue o que deseja. No segundo caso, predominaria uma pessoa autoritária e exigente que busca se impor aos outros.

Para esse tipo de abordagem, o que importa é identificar qual ou quais desses estados do ego predominam em nossa personalidade. O objetivo é regulá-los através da faceta adulta, para que as interações com o mundo sejam mais saudáveis.

  • Steiner, C. M. (1992). Los guiones que vivimos: análisis transaccional de los guiones de vida. Editorial Kairós.