O valor da convivência: a harmonia social de que o mundo precisa

13 Agosto, 2020
Saber conviver é um componente essencial que deveria "vir de fábrica" em nossa mente e coração. Somente assim moldaríamos cenários sociais mais empáticos, preparados para conseguir acordos, resolver problemas e avançar como grupo.
 

A convivência é o pilar sobre o qual todos os aspectos da nossa vida deveriam se basear. Como figuras sociais que somos, não há prioridade mais essencial do que alcançar essa coexistência pacífica, efetiva e harmoniosa para garantir não apenas a nossa sobrevivência como grupo, mas também o nosso bem-estar e capacidade de progredir.

O psiquiatra Enrique Rojas ressalta que a convivência é, basicamente, saber compartilhar, participar da existência dos outros e, por sua vez, envolver os demais nas nossas vidas. Como já sabemos, isso quase nunca é fácil de alcançar em todos os casos. Se às vezes já é difícil alcançar uma convivência pacífica na unidade familiar, podemos entender o desafio que é alcançar esse objetivo globalmente e entre países.

É preciso mais do que compromissos, boas palavras e acordos assinados em cúpulas internacionais em favor da paz. O que é necessário em termos de coexistência é a vontade, e nesse aspecto, somos todos importantes. As grandes revoluções não são alcançadas mobilizando montanhas, mas mudando de lugar as pedras que as formam.

As mudanças reais são silenciosas, pequenas, mas cotidianas, e é aí que cada um de nós pode se envolver.

Menina segurando flores
 

Os pilares que sustentam a convivência

Lawrence Kohlberg apontou, em sua teoria do desenvolvimento moral, que a etapa mais decisiva na vida da criança é a partir dos 10 anos de idade, conhecida como etapa autônoma. É o momento em que percebemos que, além das normas impostas pela sociedade, existem as necessidades humanas. Só então tomamos consciência do valor das ações individuais, do altruísmo, da compaixão…

A convivência não parte apenas da necessidade de respeitarmos uns aos outros e de viver em paz. De fato, vai muito além dessas dimensões. É essencial, por sua vez, adicionar um certo ativismo e uma atuação real e comprometida, que são vistos em quase todas as situações do nosso dia a dia. Não são apenas as grandes nações que devem saber viver juntas, reduzindo conflitos e diferenças.

O valor de saber conviver sustenta todas as áreas da nossa existência. É essencial para ser feliz como casal, formar uma família e criar os filhos. A boa convivência deve estar presente em qualquer propriedade de vizinhos, escritório de trabalho, bem como em qualquer limiar que atravessarmos e onde houver pessoas.

Convivência é a responsabilidade de conhecer e entender o outro, vendo-nos, por sua vez, refletidos nos demais. Nesta dinâmica social existem grandes doses de empatia, sentimentos e tolerância.

Vejamos outros componentes que a integram.

A não-violência em qualquer uma de suas formas

Todo dia 16 de maio é comemorado o dia da convivência pacífica. É o momento ideal para refletir sobre como cada um de nós contribui para esse objetivo.

 

Uma dimensão que devemos atender, acima de tudo, é a não-violência. Devemos entender que a violência não se refere apenas à agressão física, muito mais visível e evidente para todos.

  • Saber conversar com respeito sem usar a comunicação agressiva é um exemplo.
  • Ser capaz de entender sem discriminar, de aceitar as diferenças sem atacar, criticar ou torná-las invisíveis são outros aspectos que devemos cuidar.
  • A arte da não-violência sobre a qual Gandhi falava é a única maneira de promover a convivência entre pessoas e povos.
Mãos unidas

Compaixão e solidariedade

A convivência nunca será possível se não conseguirmos apreciar o outro, aquela pessoa que, assim como você, tem os seus pontos de vista, suas origens, seus valores e necessidades. Somos todos diferentes e iguais ao mesmo tempo, somos todos dignos de apreço, respeito e oportunidade de construir a vida que desejamos.

Algo assim exige, sem dúvida, mais compaixão e solidariedade entre nós.

A convivência e o valor de avançar unidos pelos mesmos propósitos

Para conviver em um cenário de mudança, cheio de incertezas e ameaças, os seres humanos tiveram que agir como um grupo ao longo da história. É assim que sobrevivemos como espécie e que devemos agir em tempos de dificuldade.

 

Para alcançar um objetivo tão elevado, é essencial deixar de lado as diferenças, o egoísmo e os interesses particulares.

Cuidar do nosso planeta, o lar que nos acolhe

Seria quase impossível falar do valor da convivência se não levássemos em consideração o contexto, o lar que nos acolhe e possibilita que cada um de nós esteja aqui. Todos nós compreendemos a relevância de abordar aspectos como paz, igualdade social, não discriminação, a não-violência em qualquer uma de suas formas…

No entanto, um aspecto importante que é impossível ignorar nesses momentos é a necessidade de atender, cuidar e proteger a nossa mãe terra e seus ecossistemas. Se a vida é equilíbrio e o equilíbrio traz a harmonia de saber conviver, também é urgente darmos atenção ao lar que nos acolheu e que acolherá as próximas gerações.

Vamos refletir sobre cada um desses aspectos, entendendo, acima de tudo, que a convivência começa em casa, nos ambientes mais próximos a nós. Todos nós somos importantes nessa engrenagem social, emocional e existencial.