A curiosa vida emocional entre um homem e uma mulher

A curiosa vida emocional entre um homem e uma mulher

31, março 2016 em Psicologia 1698 Compartilhados
A curiosa vida emocional entre um homem e uma mulher

A vida emocional entre um homem e uma mulher é uma curiosa troca influenciada pelas necessidades e costumes afetivos e cognitivos, pela forma como fomos educados e pelas diferenças biológicas e emocionais de cada ser humano.

A queixa mais comum dos homens com relação às mulheres é que elas são muito emotivas, enquanto as mulheres os acusam de serem muito racionais. Com estas queixas pretendemos “que o outro mude e atenda às nossas necessidades”. Acreditamos que poderiam mudar, se realmente desejassem.

No entanto, o que acontece é que os circuitos emocionais do cérebro dos homens e das mulheres são muito diferentes. Vamos refletir um pouco sobre isso:

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Dois sistemas emocionais

Daniela está passando por um período de muito estresse no trabalho. Quando chega em casa, ela só precisa que Jorge lhe escute e lhe abrace. No entanto, enquanto Daniela conta os seus problemas, Jorge se coloca como ela mesma diz, no “modo robô”, e começa a lhe dizer o que deve ser feito.

Isto perturba Daniela porque ela acredita que Jorge não a compreende e não dá importância ao que está acontecendo. Por sua vez, Jorge também sofre por ver Daniela sofrendo, mas não encontra uma forma de ajudar. Por mais soluções que ofereça, não consegue que Daniela lhe ouça e coloque em prática as suas sugestões.

Até recentemente, acreditava-se que estas diferenças na forma de sentir e expressar emoções eram resultado do tipo de educação que receberam. Atualmente, já sabemos que o processamento emocional do cérebro feminino é diferente do cérebro masculino.

Esta diferença é baseada na utilização de dois sistemas diferentes do cérebro que operam simultaneamente (O Sistema de Neurônios Espelho e a União Temporo-espacial).

Quando as mulheres choram, provocam uma dor cerebral nos homens

Se pudéssemos escanear o cérebro de Jorge enquanto Daniela chora, veríamos que são ativados dois sistemas de leitura emocional em seu cérebro.

O primeiro é o Sistema de neurônios espelho (SNE) que permite que Jorge sinta por um instante a dor emocional refletida no rosto de Daniela; ou seja, neste ponto Jorge empatiza emocionalmente com a sua parceira.

Depois dessa ativação cerebral, seríamos testemunhas de como o cérebro de Jorge ativa a União Temporo-parietal (UTP), que analisa a situação e busca soluções. Isto é o que chamamos de empatia-cognitiva.

Embora o cérebro seja capaz de utilizar a UTP desde o final da infância, os hormônios masculinos podem estabelecer uma preferência pelo sistema UTP (pode variar de um homem para o outro).

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O UTP é responsável por colocar um limite claro entre as próprias emoções e das outras pessoas, o que os impede muitas vezes de se contaminar com as emoções alheias. Isto fortalece a capacidade de buscar cognitiva e analiticamente uma solução, o que é muito prático e adaptativo no mundo em que vivemos.

Se observássemos o cérebro de Jorge enquanto comenta com Daniela as soluções que encontrou para diminuir a sua dor, veríamos que o seu córtex cerebral se ativa enquanto pergunta com naturalidade coisas como: “Quantas pessoas são necessárias para realizar esse trabalho”? E Daniela responde: “Essa é a sua sugestão?, Tenho que realizá-lo com a equipe que tenho à minha disposição”, enquanto olha para Jorge com ressentimento.

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No entanto, o cérebro de Jorge ignora o tom emocional do último comentário de Daniela, porque o cérebro masculino desativa a área da empatia enquanto busca soluções.

Seguindo esta linha, Jorge oferecerá a maravilhosa solução que o seu cérebro encontrou: “Contrate empregados temporários”. Automaticamente suas áreas cerebrais do bem-estar se iluminam diante da sua grande ideia.

Mas o seu prazer dura exatamente o tempo que demora para mudar a expressão de Daniela, que só pode lamentar e chorar ao perceber que o seu companheiro não entendeu nada e não dá a menor importância ao que ela sente.

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No entanto, o que está acontecendo não é o que ambos acreditam, porque a sua realidade cerebral é muito diferente.
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Duas realidades diferentes no cérebro

Jorge tenta de todas as maneiras ajudar Daniela de uma forma prática, pois a sua lógica emocional lhe diz que é o melhor que pode fazer. Mas Daniela está em outro ponto e busca, como mulher, uma empatia emocional. Não importam as soluções, mas sim sentir-se compreendida e apoiada.

Assim, Daniela interpretará que Jorge não se importa com o que está falando, enquanto ele está realmente tentando ajudá-la.
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Neste sentido, concluímos que o foco emocional de um homem não é menos válido do que o de uma mulher, simplesmente funcionamos de forma diferente a nível cerebral.

Isto pode se tornar um problema de comunicação ou uma forma de complementar um ao outro perfeitamente. Portanto, agora que temos essa informação, talvez seja o momento de levá-la em conta e fazer da vida emocional entre um homem e uma mulher algo muito mais gratificante…

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