A asma e a mente, um vínculo estreito

outubro 19, 2019
Como é a relação entre a asma e a mente? Hoje sabemos que os estados de ansiedade e depressão aumentam os sintomas da doença. E mais, a asma e algumas emoções ativam as mesmas regiões do cérebro.

Há muito tempo fala-se sobre a relação entre a asma e a mente. Isso porque é muito fácil observar esta associação na vida cotidiana. O mais evidente é o vínculo que existe entre um estado de nervosismo e um ataque de asma. No entanto, o que a ciência descobriu até agora ainda não é muito claro.

A pergunta que surge é a seguinte: existe uma verdadeira relação entre a asma e a mente, ou trata-se de um mito sem fundamento?

Há apenas algumas décadas pensava-se que a influência das emoções na asma era apenas uma especulação. No entanto, com os avanços da ciência, hoje em dia essa conexão é inegável.

A ciência define a asma como uma síndrome complexa, que se caracteriza principalmente pela inflamação e obstrução das vias aéreas.

Além disso, é a doença crônica mais comum na infância. Calcula-se que pelo menos 60% das pessoas com asma sejam crianças.

Entre os fatores desencadeantes, hoje em dia incluem-se os de ordem psicológica. A relação entre a asma e a mente é inegável.

“A respiração é uma nave frágil que nos conduz do nascimento até a morte”.
– F. Leboyer-

Mulher com asma

Estudos sobre a relação entre a asma e a mente

O Dr. Zofel Marx e seus colegas realizaram um estudo com pacientes asmáticos para determinar se as emoções tinham uma influência sobre a doença. Sua pesquisa consistiu em comparar as emoções de pacientes saudáveis e pacientes asmáticos para estabelecer se existia alguma diferença.

Ao final, concluiu-se que os pacientes asmáticos tinham atitudes mais hostis, mais sentimentos de impotência e mais expressões de tristeza do que os pacientes saudáveis.

Para verificar essa informação, os dois grupos foram expostos a diversos estímulos e a sua reação foi observada. No entanto, as dificuldades emocionais observadas podiam ser um efeito da asma, e não a sua causa.

Estas descobertas foram corroboradas por outros estudos. Foi comprovado que até 50% das pessoas asmáticas têm sintomas depressivos. Da mesma forma, aquelas pessoas que têm estes sintomas, ou manifestações de ansiedade, têm ataques mais frequentes e vão mais ao médico.

Por outro lado, o uso de antidepressivos faz com que os sintomas da asma diminuam.

Uma descoberta da neurociência

Um estudo realizado pela Universidade de Wisconsin-Madison estabeleceu que existe uma clara conexão entre a asma e a mente. A pesquisa desenvolvida permitiu concluir que os processos asmáticos estão associados a duas áreas do cérebro que estão estreitamente relacionadas com as emoções: o córtex cingulado anterior e a ínsula.

O professor Richard Davidson, diretor da pesquisa, utilizou imagens de ressonância magnética para evidenciar este fato. Para isso, partiu de um grupo de seis voluntários. Todos eles sofriam de asma. Foram administradas diversas substâncias que exacerbavam a doença.

Ao analisar os cérebros dos voluntários, foi possível observar que os estímulos ativavam o córtex cingulado anterior e a ínsula. As duas regiões estão fortemente relacionadas com as emoções.

A pesquisa foi publicada, mas não foi considerada conclusiva porque o número de participantes estudados foi pequeno.

Cérebro iluminado

Um campo de pesquisa que continua aberto

A ciência conseguiu estabelecer uma conexão entre a asma e a mente. O que ainda não se sabe é o alcance desse vínculo nem os mecanismos exatos que o regulam.

O que se sabe é que os fatores psicológicos são determinantes no curso desta doença. Um estado de depressão ou ansiedade exacerba o aparecimento da asma.

O Dr. Antonio Cano Vindel, da Universidade Complutense de Madri, diz que a ansiedade incide sobre a asma de duas formas:

  • A primeira, gerando episódios de respiração agitada ou de hiperventilação. Este estado fisiológico está presente em diversos eventos emocionais, como o choro, o medo, o estresse, etc. Por sua vez, Cano Vindel assinala que todo evento emocional forte aumenta a broncoconstrição.
  • Por outro lado, assinala que os pacientes com asma costumam ter níveis elevados de depressão, tristeza e raiva, em razão das mesmas limitações causadas pela doença. Comprovou-se que se estes estados psicológicos forem tratados de forma adequada, o prognóstico dos pacientes melhora de forma significativa.

Portanto, existe uma relação entre a asma e a mente. Tanto nesse caso quanto no de outras doenças, não podemos separar o organismo do que acontece no cérebro. Mais uma vez voltamos à máxima de que para ter um corpo são, a mente também deve estar sã, e vice-versa.

  • Hoyos, M. L., Ochoa, D. A. R., & Londoño, C. R. (2008). Revisión crítica del concepto” psicosomático” a la luz del dualismo mente-cuerpo. Pensamiento psicológico, 4(10), 137-147.