Por que não consigo parar de pensar no meu ex?

18 Janeiro, 2021
Alguns se concentram no trabalho, outros iniciam desesperadamente um novo relacionamento. Porém, nada disso permite que parem de pensar no ex, naquela pessoa que os deixou e que continua a ocupar espaços na mente e no coração. Por que isso acontece?

Por que não consigo parar de pensar no meu ex? Um mês, seis meses e até um ano se passaram e a mente ainda está apegada àquela pessoa, àquela relação fracassada que de alguma forma condiciona o nosso presente. Por que isso acontece? Que tipo de mecanismo psicológico é esse que nos impede de virar a página e seguir em frente?

Adoraríamos ter um botão que nos permitisse apagar o sofrimento e até certas memórias. Seria perfeito poder pressioná-lo para conseguir, pelo menos, diminuir a intensidade da memória e evitar que aquela pessoa ocupasse nossos pensamentos de forma tão invasiva e dolorosa… Porque há amores que se ancoram no cérebro e dão lugar a estados obsessivos e exaustivos.

Todos nós conhecemos ou já experimentamos aquela sensação em que alguém é incapaz de sair completamente de um relacionamento. As mensagens continuam, ansiando por uma resposta. Um “visto” no aplicativo de mensagens, pelo menos. A pessoa, incapaz de aceitar a situação, continua checando diariamente as redes sociais do outro, sofrendo a cada foto para ver como o ex-companheiro segue com sua vida, até mesmo iniciando novos relacionamentos.

O que devemos fazer se estivermos vivenciando essa mesma realidade?

Jovem pensando no seu ex

Por que não consigo parar de pensar no meu ex?

“Me ajuda a parar de pensar no meu ex.” Muitas pessoas vão à terapia psicológica com essa necessidade e o fazem, é claro, cientes de que chegaram a um extremo de desgaste e obsessão.

Essas são situações em que é difícil até mesmo funcionar normalmente em quase todas as áreas da vida. Às vezes, a lembrança daquela pessoa as impede de trabalhar, desfrutar de momentos de lazer e pensar em projetos futuros.

Há quem tente desviar a atenção com novas práticas, com esportes, com algum curso de autoajuda. Outros iniciam um novo relacionamento em uma tentativa vã de esquecer. Da mesma forma, também existem aqueles que fazem uso do consumo de álcool, drogas ou outros comportamentos igualmente perigosos. Tudo isso já nos dá uma pista para a resposta a essa pergunta “por que não consigo parar de pensar no meu ex?”

Essas situações apresentam o mesmo mecanismo psicológico de um vício. O cérebro orquestra a mesma mecânica de quem não consegue parar de fumar ou deixar de entrar na casa de apostas todos os dias… Vamos analisar.

O amor às vezes é como um caça-níqueis

A metáfora não é muito poética, mas ainda ilustrativa. Existem amores que se transformam em obsessão e que nos fazem agir como o viciado que vai a um caça-níqueis todos os dias. Então, uma das razões pelas quais não conseguimos parar de pensar no nosso ex é devido ao circuito de recompensa de dopamina do cérebro.

Quando estamos com nosso parceiro e tudo está indo bem, os níveis desse neurotransmissor ficam estáveis. Nos sentimos satisfeitos, vivenciamos segurança, prazer e bem-estar. Agora, quando ocorre a separação, a produção de dopamina e norepinefrina é drasticamente reduzida, e então há alarme, desespero e síndrome de abstinência.

O que devemos fazer para acabar com esse “vício” é fugir, quebrar o contato, parar de checar suas redes sociais, apagar o número do seu celular. Quanto mais nos expormos ou buscarmos formas de nos aproximarmos do ex-parceiro, mais reforçaremos o vício, a síndrome de abstinência e, portanto, o sofrimento.

Ansiedade de separação: eu te amo muito mais agora!

A antropóloga Helen Fisher passou décadas estudando tudo relacionado à mecânica do amor (e à falta de amor)Algo que ela nos diz sobre a eterna questão de por que não conseguimos parar de pensar no ex-parceiro é que está surgindo um novo fenômeno que ela chamou de “atração por frustração”.

São situações em que a separação e o rompimento despertam não apenas aquela obsessão mencionada acima. Há também uma idealização do que foi perdido e uma maior necessidade de apego. A própria Helen Fisher a descreve da seguinte forma: “A ansiedade da separação é como um filhotinho de cachorro longe da mãe: corre em círculos, late e geme.”

Por outro lado, estudos como os realizados na Universidade de Graz (Áustria) dizem que esse fato é mais comum em homens. São eles que continuam a ver a ex-companheira de forma positiva e até concebem que é possível retomar a relação. As mulheres, em média, tendem a focar nos aspectos mais negativos para se reafirmar no distanciamento e no fim desse vínculo.

O que podemos fazer nessas situações?

O mais apropriado quando um relacionamento acaba é racionalizar as causas que motivaram o fim. Deste modo, se nos abandonaram, se o outro decidiu acabar com a relação, é porque já não somos amados, e isso é algo que devemos aceitar o mais rápido possível.

Homem pensando na ex namorada

A dor emocional e por que não consigo parar de pensar no meu ex

Ethan Ross, um professor da Universidade de Michigan, conduziu uma pesquisa na qual mostrou que o cérebro interpreta a rejeição social e a separação do parceiro da mesma forma que uma queimadura. Ou seja, a dor emocional que sofremos é semelhante à dor física. Isso também explica por que é tão difícil para nós virar a página e parar de pensar no nosso ex.

O apego, as lembranças do passado e a impossibilidade de assumir a realidade alimentam aqueles estados em que a dor, longe de diminuir a cada dia, fica muito mais “inflamada”.

O que podemos fazer?

Todo grande rompimento precisa passar por um lutoUma fase em que deixamos espaço para o sofrimento, a dor, e depois melhoramos. A aceitação é aquela etapa em que nos desligamos das memórias para criar novas. Abrir caminho para uma nova fase com novos planos e novos objetivos é sempre a melhor opção.

No entanto, não hesite em buscar ajuda especializada quando tiver consciência de que ainda é difícil seguir em frente, curar a ferida e, sobretudo, afastar aqueles que não pensam mais em você.

  • Acevedo, B. P., Aron, A., Fisher, H. E., & Brown, L. L. (2012). Neural correlates of long-term intense romantic love. Social Cognitive and Affective Neuroscience7(2), 145–159. https://doi.org/10.1093/scan/nsq092
  • Athenstaedt, U., Brohmer, H., Simpson, J. A., Müller, S., Schindling, N., & Bacik, A. (2019). Men view their ex-partners more favorably than women do. Social Psychology and Personality Science. Advance online publication. DOI: 10.1177/1948550619876633