Síndrome de Einstein: em que consiste?

A síndrome de Einstein aparece naquelas crianças que levam mais de dois anos para começar a falar e até são diagnosticadas erroneamente com autismo. No entanto, com o tempo, elas mostram alta inteligência e nenhum problema de comunicação.
Síndrome de Einstein: em que consiste?

Última atualização: 09 janeiro, 2022

A síndrome de Einstein define aquelas crianças que desenvolvem suas habilidades de fala e linguagem mais tarde do que o resto. Muitos pais ficam preocupados quando seus filhos completam dois anos e apenas expressam algumas palavras com clareza. No entanto, é interessante saber que os “faladores tardios” constituem quase 15% da população.

Além do mais, uma dessas pessoas que se enquadrava nessa categoria foi o próprio pai da teoria da relatividade. Sim, Albert Einstein era uma criança que não falou frases concretas e significativas até os 5 anos de idade. Sua família também ficou alarmada e por muito tempo achou que talvez o pequeno Albert estivesse apresentando algum retardo intelectual.

Porém, o mundo da ciência não seria o mesmo sem aquele homem que demorou muito para conseguir se comunicar de forma eficaz. E não é o único. São muitas as pessoas que nos primeiros anos de vida apresentam um lento desenvolvimento no processo de comunicação.

No entanto, em alguns casos, eles escondem altas competências intelectuais.

Einstein

O que é a síndrome de Albert Einstein?

Poucas coisas obcecam mais os pais do que seus filhos a não cumprirem todos os marcos de desenvolvimento esperados para sua idade. Queremos que eles alcancem esses percentis e marcadores de crescimento para que saibamos que tudo está “indo bem”. Entretanto, nem sempre é este o caso, mas isso não significa que algo esteja errado.

Por exemplo, trabalhos de pesquisa como os realizados no departamento de distúrbios da comunicação da Universidade de Wisconsin-Madison nos contam algo interessante. A maioria das crianças que começa a falar tarde assume habilidades de linguagem adequadas à idade. Esse atraso acaba se ajustando.

Entretanto, é importante entender que se houver um atraso no desenvolvimento de uma habilidade, é importante consultar um especialista. A atenção precoce é fundamental em muitos casos para reduzir o impacto de um problema, caso ele surja. Assim, é interessante saber que o que é conhecido como “desenvolvimento lento ou tardio” é particularmente comum nos processos de fala e linguagem.

Daí a origem do nome “síndrome de Albert Einstein”.

Crianças inteligentes que falam tarde

A síndrome de Einstein não aparece em nenhum manual de diagnóstico. É apenas um rótulo para descrever um fenômeno que aparece com frequência. Há muitas crianças que demoram a falar, mas com o passar do tempo mostram altas habilidades intelectuais.

O termo foi cunhado pelo economista americano Evan Thomas Sowell. Ele o popularizou como resultado de seu livro
Late-Talking Children (“Crianças que falam tarde” em tradução livre)  em 1997. Mais tarde, ele publicou outro trabalho com o Dr. Stephen Camarata intitulado The Einstein Syndrome: Bright Children Who Talk Late (“Síndrome de Einstein: crianças brilhantes que falam tarde” em tradução livre).

O Dr. Camarata, professor de ciências da audição e da fala da Universidade Vanderbilt, destacou algo importante neste trabalho. Muitas crianças são erroneamente diagnosticadas com transtorno do espectro do autista (TEA) por levarem mais de dois anos para falar.

É necessário realizar uma atenção mais adequada e personalizada a cada criança. Além do mais, às vezes pode haver outros distúrbios latentes de linguagem que precisam ser identificados o mais rápido possível. Outras vezes, é apenas devido a um desenvolvimento posterior.

Há também outro fator marcante: há crianças com alto quociente de inteligência (QI) que posteriormente desenvolvem essa competência comunicativa.

Algumas das crianças diagnosticadas como “falantes tardias” irão superar esse atraso demonstrando gradualmente habilidades brilhantes devido ao alto QI.

menina com síndrome de Einstein

Como são as crianças com síndrome de Einstein?

No livro Síndrome de Einstein: crianças brilhantes que falam tarde, encontramos as características que definem esses pequenos. Porém, caso algum de nossos filhos apresente esse atraso na fala, é aconselhável consultar o pediatra. Não podemos cair no autodiagnóstico.

Vejamos as características que Evan Thomas Sowell e Dr. Stephen Camarata definiram em 2002:

  • Incapacidade de as crianças expressarem uma frase correta mesmo após os dois anos de idade. Elas têm um vocabulário muito pequeno e pronunciam incorretamente a maioria dessas palavras.
  • Elas mostram grandes interesses e habilidades musicais.
  • Elas têm boas habilidades motoras, incluindo habilidades motoras finas.
  • Elas têm uma ótima memória.
  • Elas são decisivas.
  • Elas têm interesses muito específicos e os aprofundam, anseiam por expandir seus conhecimentos.
  • Muitas vezes levam um longo tempo para ir ao banheiro por conta própria.
  • Quando estão fazendo algo, elas focam sua atenção nisso por um longo tempo.

Em conclusão, é importante notar que não temos informação extensa sobre a síndrome de Einstein além deste livro e artigos de opinião. É uma realidade que ainda precisa de mais estudos e análises por parte dos especialistas. Por enquanto, vale apenas lembrar de algo muito básico.

Cada criança mostra seu próprio ritmo de crescimento e maturação. Respeitar este processo e compreender as necessidades particulares e únicas de cada criança é essencial. Antes de pressionar, julgar ou rotular, vamos tentar entender.

This might interest you...
Benefícios da musicoterapia para crianças com autismo
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Benefícios da musicoterapia para crianças com autismo

A musicoterapia para crianças com autismo tem vários benefícios. Desperta a sua atenção e eles se abrem para o que os cerca.



  • Hammer, C. S., Morgan, P., Farkas, G., Hillemeier, M., Bitetti, D., & Maczuga, S. (2017). Late Talkers: A Population-Based Study of Risk Factors and School Readiness Consequences. Journal of speech, language, and hearing research : JSLHR60(3), 607–626. https://doi.org/10.1044/2016_JSLHR-L-15-0417
  • Roos, Elizabeth & Ellis Weismer, Susan. (2008). Language Outcomes of Late Talking Toddlers at Preschool and Beyond. Perspectives on language learning and education. 15. 119-126. 10.1044/lle15.3.119.
  • Zubrick, S. R., Taylor, C. L., Rice, M. L., & Slegers, D. W. (2007). Late language emergence at 24 months: an epidemiological study of prevalence, predictors, and covariates. Journal of speech, language, and hearing research : JSLHR50(6), 1562–1592. https://doi.org/10.1044/1092-4388(2007/106)