4 desafios que as mães solteiras enfrentam

Ser mãe solteira impõe uma série de desafios que podem influenciar o âmbito emocional. Para poder trabalhar esses desafios, o primeiro passo é identificá-los.
4 desafios que as mães solteiras enfrentam

Última atualização: 20 Julho, 2021

Nas últimas décadas, o conceito de família se expandiu e se diversificou, abrindo espaço para diferentes modelos de família. Por esse motivo, o estigma associado às mães solteiras tem ficado cada vez menor, e inclusive muitas mulheres escolhem deliberadamente esse caminho para constituir uma família. No entanto, ainda existem vários desafios que as mães solteiras enfrentam e que tornam seu trabalho uma tarefa exigente e às vezes solitária.

São insuficientes as medidas de conciliação e apoio que a sociedade oferece às mulheres que exercem sozinhas a maternidade. Além disso, infelizmente, o julgamento e a crítica ainda estão presentes em diversos âmbitos.

Tudo isso pode complicar e macular a bela experiência de ser mãe. No entanto, identificar os principais desafios será o ponto de partida para poder enfrentá-los e alcançar uma maternidade mais plena.

Quais são os desafios que as mães solteiras enfrentam?

Desafios que as mães solteiras enfrentam

Sobrecarga de tarefas e responsabilidades

As mulheres que exercem a maternidade sem companheiro assumem a responsabilidade econômica, moral e afetiva da criação. Elas se tornam o único sustento econômico da família, exercem todas as funções parentais e educacionais e cuidam do trabalho doméstico.

O peso que geralmente é compartilhado com o outro progenitor recai exclusivamente sobre seus ombros, gerando desgastes físicos e psicológicos.

Isolamento

Durante os primeiros meses da maternidade, os cuidados que o bebê necessita exigem da mulher uma dedicação quase exclusiva. Pelo mesmo motivo, muitas mães afirmam sentir falta do contato com outros adultos e expressam que isso as afeta no âmbito emocional.

No caso das mães solteiras, a intensidade dessa sensação de solidão pode ser maior, não apenas porque não há outro adulto em casa, mas também porque a sobrecarga de tarefas reduz a disponibilidade de tempo livre para se dedicar às relações sociais. Essa limitação se mantém durante grande parte da infância das crianças.

Dependência da família

A falta de tempo, os recursos financeiros e o apoio para a criação podem levar as mães solteiras a recorrerem à família em várias ocasiões, algo que é mais frequente quanto mais jovem for a mulher.

Devido a essa necessidade e à ausência de outro progenitor, os familiares podem ultrapassar os limites e passar de apoiadores a pessoas que exercem uma autoridade que não lhes corresponde.

No fim, as decisões sobre a educação de menores dizem respeito apenas à mãe, mas ela pode se ver desautorizada por outros membros da família.

Emoções negativas

Todos esses fatores podem levar ao surgimento de emoções negativas. O excesso de responsabilidades e a falta de tempo podem causar ansiedade e estresse prolongados. A sensação de isolamento e a falta de gratificações em outras áreas que não a maternidade podem causar tristeza, irritabilidade e apatia. Da mesma forma, a necessidade de recorrer ao apoio familiar e se ver desautorizada pode minar a autoestima e a autoconfiança.

Além disso, existe outra emoção muito comum e que se constitui um dos principais desafios que as mães solteiras enfrentam: a culpa. Às vezes esse modelo de família é uma escolha pessoal, e outras vezes é uma situação imposta (devido à morte do outro progenitor ou porque o outro decidiu não assumir o seu papel paterno).

De qualquer modo, muitas mães se sentem culpadas ao compreender que seus filhos vão crescer sem a presença dessa outra figura de referência. Elas se sentem responsáveis ​​por não terem conseguido manter a família unida ou temem as repercussões que isso possa ter no desenvolvimento dos pequenos. Essa emoção se vê aumentada pelo julgamento e pelas opiniões do meio, que muitas vezes invalidam as famílias monoparentais.

Como resolver os desafios que as mães solteiras enfrentam

Para reduzir o impacto psicológico e emocional de todos os desafios citados, é necessária uma mudança de paradigma social que apoie e valide as famílias lideradas por mães solteiras. No entanto, até que isso aconteça, contar com apoio, compreensão e um espaço seguro para desabafar as emoções pode ser fundamental para essas mulheres.

Informações encontradas em livros e guias especializados podem ajudar a esclarecer dúvidas sobre a criação dos pequenos de maneira individual. Por sua vez, os fóruns de mães e grupos de apoio podem ser um espaço extremamente enriquecedor e reconfortante para se conectar com outras mulheres que vivem a mesma situação.

Obter ajuda ou aconselhamento profissional quando necessário pode ajudar a administrar as emoções negativas e abrir a possibilidade de viver uma maternidade mais plena e gratificante.

Pode interessar a você...
Não existe mãe solteira, mãe não é estado civil
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Não existe mãe solteira, mãe não é estado civil

A mulher se torna mãe solteira, enquanto os pais, também solteiros, parecem sair incólumes frente aos atrasos que se juntam ao preconceito.



  • Ceballos, C. (2011). El último aliento: una fenomenología sobre ser madre soltera. Enseñanza e Investigación en Psicología16(1), 165-173.
  • Rivas, A. M., Jociles, M. I., & Moncó, B. (2011). Las madres solteras por elección.¿ Ciudadanas de primera y madres de segunda?. Revista Internacional de Sociología69(1), 121-142.